Grandes Brasileiros: FNM Onça

Sósia do Ford Mustang, ele deveria revigorar a linha FNM, mas os italianos lhe negaram a marca Alfa Romeo

O vinco marcando a lateral é puro Mustang

O vinco marcando a lateral é puro Mustang (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Ao lado dos roadsters e conversíveis, os cupês sempre foram os mais apreciados Alfa Romeo. Afinal, a marca talhou a famosa expressão cuore sportivo (coração esportivo) como a essência de seus produtos, que se materializou nas grades de seus carros. O primeiro modelo produzido no Brasil sob licença pela estatal Fábrica Nacional de Motores, a FNM, foi o sedã JK 2000 de 1960.

Quatro anos depois, começava a ganhar projeção o trabalho do fazendeiro e projetista Genaro “Rino” Malzoni, que produzia carrocerias de fibra de vidro em Matão (SP). Seu GT Malzoni logo daria início nas pistas ao que seria a Puma. Coube a ele desenhar o cupê da FNM que teria o legado esportivo dos Alfa.

A tentativa de criar aqui um “Fenemê” com duas portas a menos resultaria no Onça, um dos projetos nacionais mais peculiares. Ainda sem nome, o protótipo de carroceria de aço não agradou na Feira Brasileira do Atlântico, no Rio de Janeiro.

Mas no Salão do Automóvel a FNM mostrou a versão esportiva do seu sedã, o futuro 2000 timb – e base mecânica do Onça. De volta à prancheta, Malzoni copiou o Ford Mustang, fenômeno de vendas americano.

O Onça era montado num chassi de FNM timb 22 cm menor, que era coberto por uma caroceria de fibra de vidro

O Onça era montado num chassi de FNM timb 22 cm menor, que era coberto por uma caroceria de fibra de vidro (Christian Castanho/Quatro Rodas)

A estreia o Onça foi no salão seguinte, em 1966. Na moda nacionalista da época, seu nome evocava a ferocidade do felino tipicamente brasileiro. Só a dianteira mantinha vínculo com os Alfa Romeo. Semelhante à do Giulia italiano, o desenho fazia jus ao apelido de “Mustang brasileiro”. A carroceria de fibra de vidro era montada em um chassi de 2000 timb encurtado em 22 cm.

Com 115 cv, o motor tinha 20 cv a mais que o sedã básico. Em vez de na coluna de direção, o câmbio vinha no assoalho. Com 260 kg a menos que o timb, o Onça alcançava 175 km/h. A plataforma viajava da fábrica de Xerém (RJ) até Matão e de lá retornava com carroceria, para instalação da mecânica e do acabamento.

Volante ao estilo Alfa e painel revestido de jacarandá, com velocímetro horizontal

Volante ao estilo Alfa e painel revestido de jacarandá, com velocímetro horizontal (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Mas havia um porém: sem autorização da Alfa para estampar a marca no Onça, a FNM teve de enviar uma unidade para testes na Europa. As alterações exigidas pelos italianos encerraram precocemente a produção do cupê.

Das oito carrocerias produzidas, só cinco foram montadas. É o que conta o curador do Museu do Automóvel, em Brasília, e proprietário do Onça lá exposto, Roberto Nasser. Desses cinco, só se tem notícia de mais dois.

O destas fotos pertence desde novo ao mesmo dono, que o ganhou como presente por entrar na faculdade. Foi restaurado na década passada pelo especialista Ricardo Oppi em São Paulo.

A configuração interna do esportivo era de 2+2 lugares

A configuração interna do esportivo era de 2+2 lugares (Christian Castanho/Quatro Rodas)

“O Onça é um JK que acelera mais rápido”, diz Nasser. “Além de mais leve, era mais aerodinâmico e foi o nacional mais veloz da época.” Estável nas curvas e com menos peso para os tambores de freio controlarem, a tradição dos Alfa foi, portanto, honrada para os padrões da época.

“O Onça também era nosso carro mais caro.” Segundo Nasser, o cupê custava 65% a mais do que um luxuoso Ford Galaxie. No tempo do Onça, ele já era singular.

Sumiço

O paradeiro da primeira versão do Onça é um mistério. De desenho pesado, o protótipo de 1964 era diferente do carro definitivo. Tinha faróis duplos com moldura cromada, frente elevada e reta, para-choque frontal dividido em dois, teto de vinil e aberturas dos para-lamas traseiros mais baixas que as dianteiras. Se ainda existir, é um tesouro para qualquer coleção.

Ficha técnica – FNM Onça

  • Motor: dianteiro, longitudinal, 4 cilindros em linha, 1.975 cm³, 2 carburadores duplos, comando duplo de válvulas
  • Diâmetro x curso: 84,5 x 88 cm
  • Taxa de compressão: 8,25:1
  • Potência: 115 cv a 5.900 rpm
  • Torque: n/d
  • Câmbio: manual de 5 marchas, tração traseira
  • Dimensões: comprimento, 442 cm; largura, 167 cm; altura, 129 cm; entre-eixos, 250 cm; peso: 1.110 kg
  • Suspensão: Dianteira: independente, molas helicoidais e barra estabilizadora. Traseira: eixo rígido com molas helicoidais
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  1. Diego Ferreira De Souza

    Que coisa! Não ter retrovisor direto era comun nessa época mas esse Onça não tinha nenhum 🤔.