Dez carros que deram um “jeitinho” na legislação brasileira

Em benefício próprio, eles manobraram para encontrar brechas na lei

GMC 3500 HD

(divulgação/Quatro Rodas)

No fim da vida, a Silverado deu um salto. Seu peso bruto aumentou de 3.300 para 3.520 kg. Pouco, mas suficiente para transformá-la, aos olhos da lei, num caminhão. Batizada como GMC 3500 HD, a ex-picape teve seu IPI reduzido à metade, para 5%.

 

Fusca e Kombi

(divulgação/Volkswagen)

Itamar Franco queria o Fusca de volta para brigar com os populares, mas o motor era 1.6. A solução foi a lei incentivar carros 1.0 ou refrigerados a ar – um incentivo a motores mais poluidores! Por tabela, isso beneficiou a Kombi. Logo a GM emplacou o Chevette L, 1.6 a água na mesma isenção. Talvez por ter tração traseira…

 

New Civic LX

(arquivo/Quatro Rodas)

A isenção de impostos para deficientes físicos era restrita a carros de até 127 cv, mas o Honda Civic 1.8 veio com 140 cv. A Honda deu um jeito. Criou uma versão LX automática com chip de (baixa) potência, programado para limitar giros e o motor não passar de 125 cv.

 

Gol 1.0 16V Turbo

(arquivo/Quatro Rodas)

Bastava ter motor 1.0 para ser considerado popular e ter uma generosa redução de IPI (10%). Tão generosa que deu surgimento a populares como o Gol 1.0 16V Turbo. Sua irmã, a Parati 1.0 16V Turbo, chegava a ser mais cara que um Mercedes Classe A.

 

Os pés-de-boi

(arquivo/Quatro Rodas)

DKW Pracinha, Gordini Teimoso, Simca Profissional (foto) e Fusca Pé-de-Boi aproveitaram o programa do carro popular em 1965, com juros baixos e 48 meses para pagar na Caixa Econômica, desde que o valor dos veículos não ultrapassasse determinado limite. Para conseguir isso, nada de cromados, frisos – no Teimoso, faltava até uma das lanternas.

 

Mercedes CLC

(arquivo/Quatro Rodas)

O CLC era montado aqui, mas a Mercedes pagava o imposto de importação de cada uma das peças e ganhava o direito de registrá-lo como nacional. Antes, a Mercedes recebia peças, montava e exportava para os EUA. O nosso C vinha da Alemanha, tributado como importado.

 

Fiat 147 1050

(arquivo/Quatro Rodas)

No passado, os 1.0 pagavam mais imposto. Para pagar menos, o 147 saiu, em 1976 com motor 1050, de 1.049 cm3 (valor que geralmente é arredondado para baixo). Em 1990, a Fiat virou o jogo: convenceu o governo a incentivar pequenos. Os 1.0 tiveram tributo reduzido e surgiu o Mille, com o antigo motor 1050 encolhido.

 

Fiat Marea SX

(arquivo/Quatro Rodas)

Em 1998, o sedã foi lançado por aqui com o famoso motor de cinco cilindros e vinte válvulas, capaz de render 142 cv. No ano seguinte, surgiu a versão SX, reduzida a 127 cv graças à troca da central eletrônica e um comando de válvulas convencional no lugar do variável. Tudo isso para pagar menos IPI. Nos anos 80, o número era 100 cv. O Gol GT 1.8 declarava 99 cv (apenas 9 cv acima do 1.6) e o Monza 1.8, 96 cv. Andavam muito, mas pagavam pouco.

 

Mercedes ML 320 CDI

(arquivo/Quatro Rodas)

Pela lei, diesel só é permitido para veículos de carga para mais de 1 tonelada ou jipes com redução de marchas. O ML 320 CDI não tinha reduzida, mas a Mercedes convenceu que a primeira atua como reduzida. A do ML e a de qualquer carro de passeio. Virou jurisprudência – hoje, modelos como Jeep Renegade e Fiat Toro são vendidos em versões a diesel sem nenhum problema legal.

 

Asia Towner

(arquivo/Quatro Rodas)

Nos anos 90, a Asia Motors trouxe a minivan Towner com imposto 50% mais baixo, com a promessa de fabricá-la aqui. Isso não ocorreu e a dívida pelos impostos descontados – que chegou a R$ 2 bilhões! – passou para a Kia, dona da Asia Motors. Apenas em 2013 o STF livrou a Kia da multa herdada.

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  1. André Pedro

    Excelente materia. Fica bem evidente o respeito das montadoras pela legislação.

  2. Fiat sem respeito a lei com seu uno poluidor.

  3. As montadoras comprando o governo há anos.

  4. Daniel Pardo

    Eu lembro que , no início dos anos 2000, o que não tinha de Fiat Uno, Celta, Palio entre outros com essa calota do Marea SX… era uma moda na época pra quem não tinha grana pra por rodas de liga leve nos seus carros, chegava a ser ridículo, pois esses carros tinham aro 13 e o Marea era aro 15, então faltava roda e sobrava calota.

  5. Hallisson Cesar Mariano Silva

    Tudo isso é decorrente de leis cujo intuito principal está fadado apenas em interesses políticos. Na minha opinião, existem apenas dois fatores que, combinados, justificariam tais incentivos…. Eficiência dos propulsores (independente da litragem) e o limite de preço.

  6. Fernando David Furini

    A picape GM (primeira da lista) está com sua história mal contada, dando a entender que a Silverado foi substituída pela GMC HD-3500, mas não foi isso que aconteceu. Em 99 a GM aumentou a capacidade de carga da Silverado, na versão Conquest HD, mas não teve grande procura, assim como a F250 em sua versão XL Super Duty. Logo essa versão Conquest HD saiu de linha e a GM deixou a GMC HD-3500 em seu lugar, que era uma picape mais simples e barata que a Silverado Conquest HD. Enquanto isso, a Silverado continuava em sua linha normal. Uma nunca substituiu a outra, mas a elevação da capacidade de carga era óbvia, de fazer o veículo passar como caminhão leve.