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Versão Brasileira
Agosto 2006

Versão Brasileira

Inspirado no "personagem" Eleanor do filme 60 Segundos, ele mostrou na pista ter mais que apenas um corpinho bonito

Por Adriano Griecco / fotos: Ricardo Rollo
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Tudo começou com um pedaço de papel. De jornal, para ser mais específico. Em meados de junho de 2004, Fernando Baptista, proprietário da Batistinha Garage, viu o anúncio de um Ford Mustang fastback 1968. Era apenas a carroceria. Não tinha detalhes de acabamento, frisos, lanternas ou rodas. Movido pela dificuldade de encontrar um desses à venda, ele resolveu comprar o carro. Do outro lado da cidade, um empresário paulistano viu o mesmo anúncio e ligou para o já ex-proprietário. Depois de receber a triste notícia, ficou sabendo que o Mustang havia sido vendido justamente para quem ele entregava seus carros para serem personalizados. Não teve dúvidas: na segunda-feira ligou para a oficina e arrematou o carro de Fernando, o Batistinha. Logo na primeira reunião para discutir o que seria feito, chegaram à conclusão que voltá-lo para os moldes originais seria difícil. Dessa dificuldade para a oportunidade de criar um modelo exclusivo foi questão de menos de 60 segundos. O resultado é este Mustang Eleanor, um legítimo carro de cinema. Ao desembarcar na oficina, o carro não tinha vidros e a carroceria estava desalinhada. Enquanto os funileiros acertavam portas, capô e pára-lamas, outra equipe preparava o Kit Eleanor, que inclui pára-choques, saias laterais, quatro scoops (entradas de ar), tampa do porta-malas e abas dos pára-lamas, tudo feito de fibra de vidro pela Batistinha Garage. Essa primeira etapa, que incluiu o reacerto da carroceria, o kit e a pintura - feita em PU e um dos pontos altos do carro -, levou cerca de três meses.

Enquanto o carro ia sendo montado, a equipe da Batistinha Garage pensava no conjunto mecânico que iria utilizar. Chegaram à conclusão que importar um motor dos Estados Unidos seria mais vantajoso e menos trabalhoso que remontar o original. Do catálogo da Ford Racing (divisão de competição da marca), escolheram um V8 de 392 polegadas cúbicas (6,4 litros) e 430 cavalos. Depois de montado, o motor passou por uma alteração no carburador. No lugar de um Barry Grant 750 cfm (capacidade cúbica do carburador), a opção mais usual, Batistinha escolheu um Road Demon 725 cfm a vácuo, para deixar o carro mais dócil de ser dirigido. Para completar, o time teve como desafio projetar o escapamento, que é um oito-em-dois, com saídas laterais de 2,5 polegadas, abafadores Flowmaster e ponteiras Borla.

Tropa de elite

E como anda o astro? Na pista, foram quatro passagens de aceleração. Nas arrancadas, o excesso de potência fazia as rodas traseiras destracionarem, roubando décimos de segundo do Eleanor. Para chegar aos 100 km/h eram necessários pouco mais de 6 segundos. Mas bastou um acerto para mostrar do que ele é capaz. Em 5,7 ele atingiu os 100 km/h - valor que o coloca entre os carros mais rápidos já medidos por QUATRO RODAS, marca próxima de Audi RS4, com tração integral (5,5 segundos). Para chegar aos 1000 metros, foram necessários mais 20 segundos. A essa altura, o Eleanor já tinha quebrado a barreira dos 200 km/h.

Além do motor, o câmbio Tremec de cinco marchas - que substitui o original de apenas quatro - também recebe os créditos pelo bom desempenho do Mustang. Usa trambulador Hurst e tem relação final do diferencial de 3,92:1. Ajudaram ainda os engates, que proporcionam trocas rápidas e sem desperdício de tempo.

Recriar um clássico mais rápido que o original implica investir em segurança. Nada de santantônio. Mas freio e suspensão foram substítuídos. E, nesse segundo item, Batistinha sequer mexeu nos pontos de fixação. A traseira recebeu um agregado onde os braços e as molas espirais e amortecedores são fixados. Num Mustang original, você iria encontrar feixes de mola. Na dianteira, as bandejas foram substituídas por outras mais leves, e o conjunto recebeu novas molas espirais e amortecedores Aldan, com cinco regulagens de carga. Buchas convencionais e borrachas foram banidas da suspensão. Tudo feito com uniball, luva de metal usada para aumentar a rigidez do conjunto. E em nome da condução esportiva, uma solução inadequada para o uso diário nas ruas.

O resultado disso é um carro no chão. Seguindo a proposta original, o acerto do Eleanor está mais para a estabilidade que para o conforto, característica reforçada pelas rodas aro 17 e pneus de perfil 40. Mesmo com os amortecedores ajustados na posição mais macia, o Eleanor é duro. Com eles mais rígidos, a suspensão poderia encarar uma pista de corrida, segundo Batistinha.

A caixa de direção também foi trocada. No lugar do sistema setor e sem-fim, foi colocado um conjunto de pinhão e cremalheira, com assistência hidráulica. Assim como as suspensões, o conjunto veio dos Estados Unidos pronto para ser montado. Por lá, não faltam peças e soluções para tornar moderno um carro clássico.

Os freios usam discos ventilados e perfurados da marca Baer-Racing nas quatro rodas, com 33 e 30 centímetros de diâmetro na dianteira e na traseira, respectivamente. As pinças são de quatro pistões na dianteira e dois na traseira. Com esse conjunto, ele conseguiu médias apenas razoáveis de frenagem. Vindo a 80 km/h, levou 32 metros para estacionar. Se não é um número expressivo - próximo ao dos sedãs medidos nesta edição -, certamente o conjunto faz melhor do que os discos e tambores originais que o fastback 68 tinha.

As mudanças no interior não foram menos tímidas, apesar do aspecto clean. O revestimento de fibra de carbono das portas contrasta com as maçanetas clássicas. No painel do Mustang, revestido com adesivo que imita fibra de carbono, estão cinco relógios Autometer que indicam nível de combustível, temperatura da água e óleo, velocidade - em milhas - e giro do motor. Os bancos são tipo concha revestidos de couro e os cintos de cinco pontos, da G-Force. A única mordomia que o Eleanor oferece é ar-condicionado e som Kenwood com MP3.

Você quer saber o preço? Nós também. Mas esse número é segredo guardado entre Batistinha e o proprietário, que prefere não se identificar. O que dá para adiantar é que o anúncio do jornal pedia 40000 reais. Só para se ter uma idéia, outro Mustang Eleanor, também preparado pela Batistinha Garage, mas com mecânica mais próxima da original, foi colocado à venda por 340000 reais. Este, com mecânica nova, deve ter seu preço incrementado na proporção do desempenho.


Ficha técnica e teste

Motor: dianteiro, longitudinal. V8, 16V, gasolina
Cilindrada: 6387 cm3
Diâmetro x curso: 102,9 x 96 mm
Taxa de compressão: 9,7:1
Potência: 430 cv
Potência específica: 67,2 cv/l
Torque: 46 mkgf
Câmbio: manual de 5 marchas, tração traseira, Tremec
Carroceria: cupê, 2 portas, 4 lugares
Dimensões: comprimento, 466 cm; largura, 181 cm; altura, 140 cm; entreeixos, 274 cm
Peso: 1600 kg (estimado)
Peso/potência: 3,7 kg/cv
Peso/torque: 34,8 kg/mkgf
Volumes: porta-malas, n.d.; combustível, 64 litros
Suspensão: Dianteira: independente, com molas elípticas e amortecedores reguláveis
Traseira: independente, com molas elípticas e amortecedores reguláveis
Freios: discos ventilados na dianteira e na traseira
Direção: pinhão e cremalheira, com assistência hidráulica
Pneus: 235/40 ZR17 (diant.), 265/40 ZR17 (tras.)

Preço: 140000 dólares (valor de um modelo semelhante a este, comercializado nos Estados Unidos)

Aceleração - 0 a 100 km/h: 5,7 s
0-1000 metros - 25,4 s - 201 km/h
Retomada - 60 a 100 km/h em 3ª marcha: 3,1 s
Frenagem - 80 km/h a 0: 32 metros