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Nitro | Reportagens
O cavalo e a cobra
Agosto 2006

O cavalo e a cobra

Quatro décadas depois, os nomes Ford e Shelby voltam a se unir no Mustang mais potente de todos tempos

Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Pegue um Mustang GT e jogue nas mãos da SVT. De quebra, peça uma ajuda a Carroll Shelby. Não sabe o que é SVT? Nunca ouviu falar de Carroll Shelby? Não tem problema. Se espiar as fotos desta matéria e continuar a ler este texto, você vai conhecer mais sobre as "instituições" supracitadas e descobrirá o que elas foram capazes de fazer com o mais famoso esportivo da Ford. O nome escolhido para o novo Mustang é Shelby GT500, referência óbvia ao carro homônimo produzido entre 1968 e 1970, apelidado de Eleanor e que passou voando pelo filme 60 Segundos nas mãos do lendário ladrão Randall "Memphis" Raines, interpretado por Nicolas Cage. Se o gatuno estivesse ao volante desse novo Mustang, ele certamente escaparia com mais facilidade na cena final. Em vez dos meros 360 cavalos liberados pelo motor V8 7.0, ele teria à disposição para galopar os 500 cavalos do novo V8 5.4, obtidos graças às quatro válvulas por cilindro (como no Ford GT) e ao comando de válvulas do Cobra. Os 25 cavalos finais foram obtidos depois que o motor já estava pronto, por meio de um retrabalho que conseguiu um sopro a mais do compressor mecânico (Eaton R122).

Torque também não faltaria a Raines para que ele servisse poeira à polícia: o V8 liberta estúpidos 66,3 mkgf, número ainda mais alto que o do Corvette Z06, que se equipara ao do Dodge Viper e faz jus à fama do Shelby dos anos 60. No entanto, não se trata de um daqueles motores barulhentos para saciar o apetite apenas de motoristas vorazes por desempenho. Mesmo com um 0 a 100 de carro de corrida (4,5 segundos), a cavalaria é domada por câmbio de seis marchas, suspensão esportivamente calibrada e freios Brembo de 14". Na pista, tudo funciona de maneira "agressiva, mas com extremo controle", garante o SVT (Special Vehicle Team), turma responsável pelos temperos dos carros preparados da Ford e que decidiu forjar pistões e bielas para garantir a máxima durabilidade da usina sob o capô. A velocidade tinha tudo para beirar os 300 km/h, mas é limitada eletronicamente a já emocionantes 250 km/h. Essa cautela é herança dos Cobra produzidos por Shelby entre 2003 e 2004.

Aproveitemos a deixa para falar sobre Carroll Shelby. Esse texano apaixonado por corrida ousou colocar um motor Ford em um carro de corrida nos anos 60. A ousadia levou sua célebre criação, o Cobra, a inúmeras vitórias nas provas de GT. Anos depois, a Ford o convidaria para envenenar o Mustang, carro que, apesar do sucesso imediato após o lançamento, carecia de desempenho. Shelby reforçou o chassi e a suspensão, instalou freios de competição e pneus mais largos, e elevou a potência do motor V8 4.7 de 271 para 305 cavalos. Nascia então o Shelby GT350R, que teria uma versão mais pacata (GT350) e que em 1967 ganharia um irmão mais bravo, o GT500. De 1965 a 1970, foram vendidas 14559 unidades do Mustang com o sobrenome de Shelby.

Quatro décadas depois, aqui estamos nós, com a primazia de conhecer a reedição daquele carro cultuado até hoje por qualquer ser humano minimamente ligado ao mundo das quatro rodas. A suspensão do novo GT500 é outra bola dentro da parceria entre o texano e o SVT. A calibragem é similar à utilizada no FR500C, vencedor da Grand-Am Cup de 2005 - em relação ao GT tem acerto 42% mais duro na dianteira e 17% na traseira. O motorzão faz com que 57% do peso do carro esteja sobre o eixo dianteiro, mas a Ford garante que não há tendência de saídas de frente em curvas. A dirigibilidade neutra seria obtida por meio de uma milagrosa barra estabilizadora.

Assim como o já existente Mustang GT, o carro produzido em Michigan (EUA) é disponível nas versões cupê e conversível. Somente a primeira traz as inconfundíveis faixas que cruzam de pára-choque a pára-choque - alusão aos bólidos de Le Mans. No capô dianteiro, as duas saídas de calor caem bem no visual e, claro, têm função importante em um carro com tanta potência. Outra mudança que alia praticidade a refinamento estético é a grade dianteira com enorme bocal para admissão de ar. Para isso, os faróis de neblina diminuíram e foram colocados mais para as laterais do pára-choque. Um spoiler traseiro também enerva o conjunto e ajuda a grudar o carro no chão a altas velocidades.

A esportividade levou ainda à customização do painel de instrumentos. Um olhar atento mostra que velocímetro e tacômetro mudaram de lugar para facilitar a visualização do número de rotações por minuto do motor e, assim, aumentar a precisão do motorista na hora da troca de marcha. Um detalhe diferente são as três cores das luzes que iluminam o painel: vermelho, branco e azul, da esquerda para a direita. A Ford também brinca com as cores no revestimento de couro das portas e bancos: pode ser tudo preto ou é possível escolher partes em vermelho. Falando em banco, os dianteiros ganharam suportes laterais que prendem o motorista em curvas mais ousadas.

Tudo isso deixa o Mustang pronto para embate contra outros esportivos V8 com potência similar: Corvete Z06 (505 cavalos), Ford GT (550) e Dodge Viper (500). E ele ainda é bem mais barato - custa 41950 dólares. Prato cheio para Randall "Memphis" Raines.


FICHA TÉCNICA

Motor: dianteiro, 5409 cm3, com compressor, 500 cv a 6000 rpm, 66,3 mkgf a 4500 rpm
Câmbio: manual de 6 marchas; tração traseira
Dimensões: comprimento, 476 cm; largura, 187 cm; altura, 138 cm; entreeixos, 272 cm; 1790 kg
Principais itens de série: ABS, airbags dianteiros e laterais, ar-condicionado, direção hidráulica, controle de tração, bancos de couro





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