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Kawasaki Ninja 300 x Honda CBR 250R

Com a nova Ninja 300, a Kawasaki dá um salto sobre a Honda CBR 250R

22/05/2013 16:00 - Por Edu Zampieri | Fotos Marcos Camargo

Foto: Marcos Camargo

A nova Ninja 300 mal chegou à Europa e já aterrissou no Brasil. Apresentada em setembro, ela está disponível na rede Kawasaki como produto nacional. Montada em Manaus (AM), tem preços de 17 990 reais para as cores sólidas (verde, branca ou preta) e 19 990 reais na versão especial (verde com faixas pretas e ABS). E soa como resposta à Honda CBR 250R, que chegou para tentar frear o avanço da versão anterior, Ninja 250.

A moto da Honda - apesar de menos esportiva - mostrou-se melhor na cidade, principalmente pela resposta mais imediata em baixos regimes.

Para reforçar a tropa Ninja, a Kawasaki aumentou a capacidade volumétrica do motor, buscou mais equilíbrio na distribuição de peso e deu a ela um visual invejável. Além do motor, a fábrica atualizou faróis, rodas, escapamento, banco, carenagens e tanque.

A Ninja 300, além de mais bonita, traz tecnologia inovadora para a cilindrada. Com os 46 cm³ a mais, graças ao aumento do curso dos pistões, ela traz sistema de embreagem deslizante e ABS nos freios. Se a versão anterior da Ninja caçula já superava as rivais, agora, com 6 cv e 0,66 mkgf de torque extras, a concorrência é fichinha.



2º Honda CBR 250R

A CBR 250R, apesar de estar há quase um ano no mercado, ainda tem um sabor de novidade. Pouco vista nas ruas, é uma moto bonita, com visual herdado da irmã maior, a VFR 1200F, aquela do câmbio automatizado. Aliás, é exatamente por essa característica que os engenheiros da Honda merecem reverências. Eles conseguiram a façanha de construir uma moto visualmente exuberante, mas com medidas compactas. Até mesmo ao lado da Kawasaki Ninja 300 a moto da Honda é nitidamente menor. Seguindo filosofias diferentes, a Honda buscou menor volume geral, enquanto a Kawasaki baseou o apelo visual na semelhança com as outras Ninjas de maior cilindrada.

Importada da Tailândia - de onde também vem a rival Ninja 300 -, pode vir a ser montada em Manaus, em decisão que ainda depende da receptividade do público brasileiro. A Kawasaki não pretende entregar o segmento sem luta - e não tardou a montar em Manaus a versão de 300 cc da menor Ninja.

Apesar de ser monocilíndrica, a CBR 250R surpreende com os números da ficha técnica. Seu motor recheado de patentes - com dois comandos de válvulas acionados por balancins roletados - rende 26,4 cv. Tem quase a mesma potência que o da CB 300, por exemplo, e apenas 0,38 mkgf a menos de torque que o da Ninja 300, que é bicilíndrico. São exatamente 2,34 mkgf disponíveis logo a 7 000 rpm, ao passo que na Ninja 300 são 2,8 mkgf, atingidos lá em cima, a 10 000 rpm. É natural que motores monocilíndricos tenham torque mais abundante e útil que multicilindros - que, por sua vez, teoricamente oferecem maior potência em altas rotações.

Mesmo mais forte e mais potente, a nova moto da Kawasaki ainda não é tão vigorosa em baixos regimes como a CBR 250R. Na cidade, a moto da Honda responde melhor. É também mais confortável, pois é 20 kg mais leve, mais baixa e mais magra entre as pernas. O fato de não girar as 11 000 rpm da Ninja 300 e de ter 12,6 cv a menos não deve ser considerado uma desvantagem tão grande dentro da cidade. Ela é capaz de fazer 40 km/l com facilidade e por volta de 30 km/l em ritmo mais acelerado. Mesmo sendo importada, custa cerca de 1 000 reais a menos que a Ninja 300 em ambas as versões.

A Honda tem suspensões mais macias e confortáveis que a Ninja, mas ainda assim a proposta esportiva faz com que transfira parte dos impactos ao piloto. É, de qualquer modo, firme nas curvas.

Os freios da Honda, disco único na frente (com pinça tripla na versão com ABS) e outro atrás (com pinça dupla), são tão eficientes quanto os da rival, mas não são recortados, apelo visual forte ao público jovem desses modelos.

Quem sabe o próximo ataque da líder Honda não seja a nacionalização do modelo, para poder abaixar o preço e não sofrer tanto com o golpe ninja.

TOCADA
Apesar da carenagem integral, é confortável. O guidão alto, o tanque magro e as suspensões macias colaboram para muitas horas de pilotagem.


DIA A DIA
É superior à Ninja nesse quesito: emagreceu, mas está leve e mais econômica.


ESTILO
Com genética da VFR 1200F, é indiscutivelmente bela. Mas agora, com o golpe da nova Ninja 300, ficou um tanto quanto conservador.


MOTOR E TRANSMISSÃO
Surpreendente pelo fato de ser monocilíndrico. A relação desempenho/ consumo é notável. O câmbio, como de costume na marca, é exemplar.


SEGURANÇA
Equilibrada como uma street, mesmo tendo carenagem integral. Não importa a condição de uso, é sempre uma moto neutra. A versão com ABS tem muito poder de frenagem.


MERCADO
Não é muito atraente a condição de ser uma moto importada em lotes. Sonhamos com a nacionalização e a redução do preço.



1º Ninja 300

Se uma esportiva tem que oferecer fortes sensações de pilotagem, a Ninja 300 tem o melhor pacote custo/emoção. A antiga versão perdeu a liderança do segmento quando a CBR 250R chegou, mas agora, com estética agressiva e capaz de ultrapassar os 170 km/h aferidos, ela está mais próxima da realidade de uma verdadeira Ninja "R" - apesar de ter perdido a letra no nome. O fato de ela não indicar a cilindrada externamente insinua tratar-se de moto maior e mais potente. O novo farol duplo segue a linha agressiva das maiores Ninja. A carenagem é grande e bem envolvente, escondendo que ali embaixo há "apenas" um bicilíndrico de 300 cc.

A maior reclamação visual da antiga Ninja 250R era o painel. Os arcaicos mostradores analógicos da antiga versão deram lugar a um compacto e belo painel eletrônico com display digital para informar velocidade, hodômetros, hora, temperatura e conta-giros analógico com faixa vermelha a 13 000 rpm. Os 39 cv de potência máxima, entretanto, já estão disponíveis a 11 000 rpm.

Na prática, há uma moto mais potente. O torque em baixas rotações, apesar de incrementado, ainda não é o que se pode chamar de estonteante. Melhorou em comparação à Ninja 250R, mas não em relação à CBR 250R. Ela está mais esperta em retomadas e é 1 segundo mais rápida de 0 a 100 km/h em relação à antiga Ninjinha, mas a sensação não é muito díspar da CBR 250R.

A grande diferença mesmo aparece na estrada, em alta velocidade. Ali a Ninja 300 está um passo à frente da Honda no desempenho. Enquanto a CBR 250R demonstra certa resistência para se manter a 130 km/h, no painel a Ninja 300 está passeando tranquila, sem forçar. Não vibra, é silenciosa e está mais apoiada no solo. No limite, a CBR fica para trás e a Ninja 300 some adiante. A bolha para-brisa é baixa: o piloto precisa curvar as costas para se proteger do vento, porém a moto fica bem estável.

O novo pneu traseiro de 140 mm de largura veio muito bem a calhar, oferecendo mais estabilidade e requinte no visual. Com estilo agressivo, o comportamento não fica distante disso em curvas, onde ela está ainda mais precisa e estável. Agora o câmbio suporta melhor uma pilotagem radical, com engates rápidos e reduzidas bruscas. O manete de embreagem está mais macio, mérito de um sistema antiblocante assistido. Podemos reduzir de sexta marcha para segunda, ou até para primeira nas entradas de curva, que a roda traseira não trava. Evidentemente, não é a pilotagem normal e recomendada para uso cotidiano, mas, para quem quer esportividade e às vezes até encara um circuito fechado, a nova Ninja 300 é a fase pela qual todo piloto iniciante de motovelocidade deveria passar.

Só a Especial Edition tem ABS. A Kawasaki declarou que o módulo desse novo sistema é o mais atual, além de ser 60% mais compacto que o módulo de uma Concours 14, por exemplo.

TOCADA
Já era ágil, ficou também mais emocionante. Agora não precisamos mais trocar tanto de marcha quando em uso urbano.


DIA A DIA
O custo maior em relação a uma utilitária ainda faz da Ninja 300 uma moto de sonhos para a maioria. Poucos a utilizam para o dia a dia, mas os conceitos estão mudando. O maior torque em baixa facilitou muito mais a vida.


ESTILO
Agora, sim! Está muito parecida com todas as outras grandes Ninja atuais. O painel está mais moderno, o farol é invocado e as rodas são maravilhosas.


MOTOR E TRANSMISSÃO

Os 6 cv a mais em relação à antiga versão, com maior curso dos pistões, resolvaram seu grande problema. Com embreagem assistida e deslizante, o câmbio ficou uma manteiga.


SEGURANÇA
Como ela ganhou mais potência e peso, merecia também um upgrade nos freios. Apenas a versão especial vem com sistema ABS.


MERCADO
Um dia a versão 250 foi líder no segmento. Agora, com tudo o que ganhou, tem qualidades de sobra para reassumir a posição.




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