Guia de Usados: Mitsubishi Lancer

Belo e agressivo, ele encanta pelo conforto e pela eficiência, mas é preciso tomar cuidado com os buracos

Motor 2.0 rende bons 160 cv

Motor 2.0 rende bons 160 cv (Marco de Bari/Quatro Rodas)

Por melhor que seja, o sisudo triunvirato Corolla, Civic e Sentra não é capaz de agradar a todos: uma parcela do público que procura um sedã médio preenche sua garagem com um exemplar realmente oriental, de visual agressivo, tempero esportivo e muitos itens de segurança: o Mitsubishi Lancer.

Mesmo sem os anabolizantes da versão Evolution, ele manteve o pique para encarar também Cruze, Elantra e Jetta. Atributos não lhe faltam, como o nível de equipamentos, o bom espaço interno e um porta-malas de 413 litros com dobradiças pantográficas. A suspensão traseira multilink é um requinte técnico muito bem-vindo.

Os poréns são a idade avançada (a geração atual está completando dez anos), o acabamento simples e as perspectivas não muito otimistas em termos de mercado – o carro será descontinuado no Japão e nos Estados Unidos, recebendo apenas um facelift em outros mercados menos exigentes.

Dianteira ainda conserva o ar agressivo que remete ao Lancer Evo

Dianteira ainda conserva o ar agressivo que remete ao Lancer Evo (Marco de Bari/Quatro Rodas)

Com um motor 2.0 16V de alumínio com comando variável de 160 cv e 20,1 mkgf a 4.200 rpm, o Lancer traz sete airbags (frontais, laterais, de cortina e um para os joelhos), freios ABS com EBD e BAS, rodas aro 18 com pneus 215/45, sensores de farol e chuva, piloto automático, computador de bordo, volante multifuncional com ajuste de altura e ar-condicionado automático (mas com botões giratórios). O câmbio CVT de seis marchas pré-programado com borboletas é opcional.

Bastante firme e estável, ele anda bem, mas já não acompanha a geração atual de sedãs turbinados: aceleração de 0 a 100 km/h em 11,1 s, com consumo urbano de 8,5 km/l e rodoviário de 11,5 km/l, sempre com gasolina.

Acima, há a versão GT, com CVT, bancos de couro, teto solar, cromados no exterior, rodas exclusivas, saias laterais e central com GPS, DVD player, entrada para iPod e tela touch screen colorida. Entre os opcionais do GT, retrovisor interno fotocrômico e faróis de xênonio duplo com lavadores, regulagem automática da altura do facho e luz autodirecional AFS, que ativa um farol lateral ao se esterçar o volante.

A cabine tem painel conservador, mas paddle shifts no volante

A cabine tem painel conservador e simples, mas paddle shifts no volante (Marco de Bari/Quatro Rodas)

A principal novidade no modelo 2013 foi a apresentação da versão GT AWD, com tração integral e controles de tração e estabilidade. Apesar da maior segurança em curvas, ele mantém a mesma motorização – e como é mais pesado, tem desempenho um pouco inferior.

Poucas queixas pesam sobre o sedã, como a sensibilidade de rodas e pneus aos buracos. Os donos ainda sentem falta de itens simples, como vidros de um toque e sensor ou câmera de ré. Nem a falta do flex conteve o relativo sucesso, que viabilizou a produção no país na linha 2015.

Como em todo usado, sempre procure por exemplares com todos os carimbos de revisões. As peças têm preços na média do segmento e quase sempre estão disponíveis para pronta entrega, numa rede autorizada de 192 lojas, maior que a da Toyota (151) e Nissan (164) e menor que a da Honda (216).

Fique de olho

Atenção ao escolher a versão. Como você sentirá falta da sexta marcha no câmbio manual, o CVT é o melhor compromisso entre conforto e esportividade. E, como a tração 4×4 da versão AWD só ajuda em casos específicos (piso molhado, por exemplo), veja se vale o aumento do consumo em razão do maior peso, sem falar da maior complexidade mecânica do sistema.

No porta-malas, dobradiças pantográficas e 413 litros

No porta-malas, dobradiças pantográficas e 413 litros (Marco de Bari/Quatro Rodas)

A voz do dono

“A direção é precisa, direta e com um peso correto. O câmbio CVT é suave e as borboletas no volante permitem explorar bem o motor, forte e econômico. A suspensão garante conforto e estabilidade excepcionais, mas ele sofre com os buracos das ruas: danificam as rodas de aro 18 e provocam bolhas nos pneus de perfil baixo.” Rodrigo Terra, 32 anos, investigador de polícia, Itapetininga (SP)

O QUE EU ADORO – “É uma combinação única de eficiência, conforto e praticidade: tem bom desempenho com consumo adequado e um estilo agressivo, que lhe confere muita personalidade.” Marina Gurgel, 35 anos, funcionária pública, Brasília (DF)

O QUE EU ODEIO – “O acabamento interno apresentou ruídos e a resposta do câmbio é muito lenta: só é ágil quando acionado pelas borboletas. E a tração integral eleva demais o consumo.” Rodrigo Ubiratan, 35 anos, microempresário, Praia Grande (SP)

 

Onde o bicho pega

Mitsubishi Lancer GT

Câmbio CVT – Problema já abordado na seção Autodefesa: os primeiros Lancer vieram sem o radiador do fluido da transmissão, o que provoca ruídos e falhas. Verifique se ele foi instalado no período de garantia: custa cerca de R$ 5.000 e está localizado atrás do farol auxiliar esquerdo.

Rodas e pneus – São as principais vítimas do nosso piso. Vale pedir a uma loja do ramo que avalie o estado e o alinhamento das rodas. Os pneus originais, de composto macio, desgastam-se logo e não saem por menos de R$ 1.000 cada um.

Lavador dos faróis – Presente na versão GT, é indispensável para o bom funcionamento das luzes de xenônio. Cheque o estado: mau funcionamento ou mesmo sua ausência podem ser indícios de uma colisão frontal.

Corrente – Ruídos metálicos no cabeçote não são normais: em geral, indicam desgaste acentuado da corrente de acionamento dos comandos de válvulas, provocado por óleo de especificação incorreta ou trocas realizadas além do prazo determinado pelo fabricante.

Tração integral – A versão GT AWD exige cuidados extras no alinhamento da direção e na suspensão, sob pena de comprometer a estabilidade e provocar desgaste excessivo dos pneus. Verifique também se o óleo da caixa de transferência e o do diferencial traseiro foram trocados.

 

NÓS DISSEMOS… novembro de 2011

“A dianteira do sedã, com uma enorme boca central, confere uma esportividade amenizada nas laterais e na traseira, mais conservadoras.(…) Como um genuíno representante do jeito japonês de fazer carro, o Lancer tem uma cabine completa e com materiais de bom aspecto, mas o desenho do painel e dos instrumentos é óbvio. O computador de bordo com a bela tela colorida entre o velocímetro e o conta-giros é uma das exceções, mas trata-se de uma exclusividade do GT. Revestimento dos bancos de couro, sistema multimídia com GPS e tela sensível ao toque são outros atrativos só encontrados no GT.”

Preço médio dos usados (FIPE)

2012 2013 2014 2015
Lancer 2.0 man. R$ 41.603 R$ 43.398 R$ 47.814 R$ 52.622
Lancer 2.0 CVT R$ 45.815 R$ 47.405 R$ 49.910 R$ 58.998
Lancer 2.0 GT CVT R$ 52.884 R$ 54.681 R$ 56.410 R$ 66.401
Lancer 2.0 GT AWD R$ 64.427 R$ 72.604 R$ 82.061

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