Guia de usados: Kia Picanto (2ª geração)

Com fartura de equipamentos, acabamento acima da média e opção de câmbio automático, ele é perfeito para quem não precisa de muito espaço

Design é o ponto forte do Kia Picanto

Design da segunda geração ficou bem mais atraente que a primeira (Marco de Bari/Quatro Rodas)

A segunda (e atual) geração do Kia Picanto chegou ao Brasil em meados de 2011, já como linha 2012. Apesar das dimensões continuarem diminutas, a evolução do modelo foi grande: ele ficou mais sofisticado, ganhou aparência mais atraente e adotou um conjunto mecânico mais moderno. Seu grande atrativo, na época, era o fato de ser o primeiro 1.0 a oferecer a opção de câmbio automático.

Os traços e volumes mais modernos e robustos finalmente atraíram os olhares do público masculino, ainda distante de modelos pequenos e com aparência delicada. Na dianteira, por exemplo, ele ganhou faróis e grades com aspecto agressivo em relação à geração anterior. Atrás, as luzes da ré se separaram das lanternas e foram para o para-choque. As rodas de liga leve, itens de série, eram sempre de 14 polegadas. No lançamento, os preços variavam entre R$ 34.900 (manual) e R$ 44.900 (automático).

Na traseira, as luzes de ré declararam independência em relação as lanternas

Na traseira, as luzes de ré declararam independência em relação as lanternas (Marco de Bari/Quatro Rodas)

Por dentro, o compacto também agrada com boa montagem e desenho atual. No entanto, fazem falta o marcador de temperatura do motor, o travamento automático das portas com o veículo em movimento (presente nas unidades norte-americanas e europeias) e o destravamento das portas com a retirada da chave da ignição.

Interior do Picanto tem bom acabamento e desenho moderno

Interior do Picanto tem bom acabamento e desenho moderno (Marco de Bari/Quatro Rodas)

Havia apenas uma opção de motor, mas com uma grata evolução para o mercado brasileiro. Debaixo do capô, ele estreava o 1.0 12V de três cilindros com 80/77 cv e 10,2/9,6 mkgf com etanol/gasolina. O câmbio poderia ser manual de cinco marchas ou automático de quatro, como o testado por QUATRO RODAS na ocasião do lançamento.

Na pista, ele foi de 0 a 100 km/h em 17,1 segundos e fez as médias de consumo de 9,6 e 12 km/l na cidade e na estrada, respectivamente, quando abastecido com etanol. Apesar da leveza em manobras e situações corriqueiras, ele sofre em retomadas e subidas muito íngremes (especialmente se estiver carregado e com ar-condicionado ligado).

Volante, banco do motorista e cintos são ajustáveis em altura

Volante, banco do motorista e cintos são ajustáveis em altura (Marco de Bari)

Apesar do espaço não ser generoso, banco traseiro possui cintos de três pontos e apoios de cabeça para todos

Apesar do espaço não ser generoso, banco traseiro possui cintos de três pontos e apoios de cabeça para todos (Marco de Bari)

Um dos principais trunfos do Picanto sempre foi a lista de equipamentos. Desde a configuração mais barata, ele trazia trio elétrico, rodas de liga leve, sistema de som, direção elétrica e ar-condicionado. São raras as configurações com airbags laterais e de cortina, teto solar e leds em lanternas e faróis, mas elas existem.

Espaço não é o forte do subcompacto. Quem vai atrás, porém, pode até não ir confortável, mas vai seguro: há cintos de três pontos para todos. O porta-malas leva 292 litros, pouco mais do que o VW Up!, que tem 285.

Porta-malas leva até 292 litros, mas bancos podem ser rebatidos

Porta-malas leva até 292 litros, mas bancos podem ser rebatidos (Marco de Bari/Quatro Rodas)

Com uma nova geração prestes a ser revelada, o atual modelo já passou por duas remodelações visuais – a última, em 2015. Entretanto, as mudanças foram tão discretas que o compacto oferece ainda outras vantagens: já ter passado pela temida desvalorização inicial, oferecer bom custo-benefício e ser confundido com um carro zero quilômetro.

 

A voz do dono

“Fiz test drive em Onix, HB20, Mobi e Up!. Todos me agradaram, mas bastou dar um pulo na Kia para ver onde o Picanto se destacava: acabamento impecável. Como somos somente minha noiva e eu, rebatendo os bancos traseiros ganhamos um porta malas digno de uma perua, com a comodidade de um carro minúsculo.”

O que eu gosto: “O carro me agradou pelo seu baixo consumo (comprei a versão manual) e por seu visual. Para quem gosta e precisa de carro pequeno, é uma sacada perfeita.”

O que eu odeio: “Para famílias com mais de duas pessoas, o porta malas não atenderá muito bem; outra coisa, não espere ultrapassar com muita facilidade na estrada caso esteja por volta dos 100 km/h. As retomadas são um pouco lentas (típico de qualquer carro 1.0).”

Leonardo Amoyr, 27 anos, empresário, Campos dos Goytacazes (RJ)

 

Onde o bicho pega

Barulho na partida – Inúmeros proprietários relatam barulhos, como arranhões, na partida do veículo – mesmo em unidades com menos de 10.000 km rodados. Na maior parte dos casos, dois componentes contribuem para o ruído: a bateria, que prejudica o motor de arranque, e o bendix do próprio motor de arranque.

Marcador de combustível – Este talvez seja o problema com maior número de reclamações. O marcador de combustível apresenta variações durante o uso do carro – podendo marcar como vazio um tanque cheio. A avaria acontece pela oxidação (ou até a queima) da boia de combustível, que perde a capacidade de reconhecer o nível real de combustível presente no reservatório.

Lote sem ABS – Por um erro de estratégia (assumido pela marca, na época), o primeiro lote importado da nova geração chegou ao país sem freios ABS. Atualmente obrigatório em modelos zero quilômetro, o item pode fazer diferença na hora da revenda.

Câmbio de quatro marchas – Apesar do benefício ao pé esquerdo e do pioneirismo no mercado brasileiro, o câmbio automático tem apenas quatro marchas. Além de limitar o desempenho do modelo, que já não apresenta bons números, prejudica também o consumo por trabalhar sempre em rotações mais elevadas do que em transmissões com cinco ou seis marchas.

Revisões não tabeladas – Uma das principais críticas no lançamento da atual geração do Picanto no Brasil foi a falta de preços fixos para as revisões. A ausência só foi resolvida pela Kia agora, em 2016, com a divulgação dos preços das manutenções em seu site. No entanto, os valores valem apenas para carros a partir do ano/modelo 2016. Os anteriores (de 2012 a 2015) continuam desamparados.

 

Preço médio dos usados (FIPE)

 
Modelo/Ano 2012 2013 2014 2015 2016
Picanto 1.0 manual R$ 26.858 R$ 29.050 R$ 30.869 R$ 34.782
 Picanto 1.0 automático R$ 32.780 R$ 35.940 R$ 37.675 R$ 43.435

 

Nós dissemos…

Setembro de 2011 –O Picanto sempre foi completo de série. Ar-condicionado, direção com assistência elétrica, airbag duplo, rodas de liga leve, travas, vidros e retrovisores com acionamento elétrico e som completo fazem a alegria do comprador. Em nova geração, o urbano da Kia mantém o bom pacote de equipamentos e adiciona dois ingredientes a que o brasileiro não resiste: desenho atraente e motor flex.”

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  1. Fernando Almeida

    Um dos pontos que me fez escolher o meu Picanto lá pelo fim de 2013, foi principalmente por ele ser completo (na época só os chineses tinham o “completão” na faixa até 35 mil), depois foi pela garantia de 5 anos, que a Hyundai tbm oferecia, mas acabava sendo mais caro do que eu pretendia pagar, se eu pegasse uma configuração parecida.
    Hoje vejo que minha economia não foi tão inteligente assim, pois como as revisões não são tabeladas, acaba que ficaram bem mais salgadas que o esperado, mas não me arrependo, ainda mais que por causa da garantia já economizei um bocado tbm (troca de peças que poderiam dar problema no futuro, troca da maquina do vidro elétrico que tinha quebrado, etc).
    Assim que a garantia acabar, e eu não precisar mais levar na concessionária para fazer as revisões, tenho certeza que vai baratear e muito a manutenção, pois sendo o mesmo motor que o HB20 (o Kappa 1.0) vou ter bastante peças a disposição.

  2. Carro incrivelmente caro, com falta de alguns itens básicos. Hoje com o up e o Mobi no mercado , micou mais ainda.

  3. Cassio Prates

    Pedro Souza, incrivelmente caro ??????? Tá de sacanagem né? O que jogou o preço dele lá em cima foi o aumento do Ipi, caso não saiba ele é importado! Agora 40 mil doletas numa caixinha de fosforo feia e sem graça como o Up td bem né ? kkkkkkkkk
    Vou nem mencionar aquele troço feio e desatualizado da Fiat . Aiaiaiaia brincou legal

  4. Cassio Prates

    Esqueci de perguntar de quais ‘Itens básicos’ ele não contém …..