Guia de Usados: Fiat Punto (2012-2017)

Aposentado pelo Argo, o Punto reestilizado em 2012 corrigiu os erros e manteve as qualidades do modelo anterior

Design feito por Giugiaro manteve a beleza ao longo dos anos

Design feito por Giugiaro manteve a beleza ao longo dos anos (arquivo/Quatro Rodas)

O Fiat Punto chegou ao Brasil em 2007 alinhado com o modelo vendido na Europa – que mudaria levemente dois anos depois. Por aqui, o hatch permaneceu o mesmo até 2012, ano em que o modelo europeu receberia sua segunda alteração.

Por fim, em 2016, ele teve sua produção brasileira encerrada com a chegada do Argo, tornando-se uma  opção no mercado de usados por ocupar uma extensa faixa entre R$ 30.000 e R$ 60.000.

Apesar dos longos 10 anos de mercado, falaremos sobre os últimos quatro anos de vida do Punto no Brasil – ou seja, após a reestilização de 2012, apresentada em agosto daquele ano como linha 2013.

As mudanças visuais foram importantes para a sobrevida do modelo, e mantiveram o design (obra de Giugiaro) atraente até hoje . Na dianteira, os faróis ficaram menos pontiagudos e o para-choque adotou o “bigodinho” cromado herdado do 500, além da grade com a porção central em plástico sem pintura que passou a abrigar as luzes de seta e os faróis de neblina.

Fiat Punto Essence e T-Jet

Oferta de motores inclui 1.4, 1.6, 1.8 e 1.4 Turbo (arquivo/Quatro Rodas)

Atrás, o para-choque repete as partes plásticas e mantém as luzes de ré e neblina na porção inferior. O destaque fica para as lanternas com leds, de série em todas as versões.

A grande evolução do Punto reestilizado, porém, veio no interior. O painel pouco inspirado, de linhas desatualizadas e acabamento com materiais de baixa qualidade que gerava incômodos ruídos, deu lugar a um conjunto mais sofisticado, com elementos arredondados, apliques cromados e iluminação indireta por leds. A cor da porção central, que pode ser acolchoada, varia de acordo com as versões.

Posição de dirigir sempre foi destaque, com bancos envolventes e volante de boa pegada

Posição de dirigir sempre foi destaque, com bancos envolventes e volante de boa pegada (arquivo/Quatro Rodas)

Da linha 2013 até a 2016, o Punto permaneceu com seis configurações diferentes: Attractive 1.4, Essence 1.6, Essence 1.6 Dualogic, Sporting 1.8, Sporting 1.8 Dualogic e T-Jet 1.4 turbo. Todas elas eram equipadas de série com ajustes de profundidade e altura do volante, direção hidráulica, sinalizador de frenagem de emergência, além de freios ABS e airbags frontais antes mesmo da obrigatoriedade dos itens.

Dependendo da versão, eram disponíveis como opcionais sensor de estacionamento, ar-condicionado digital, airbags laterais, retrovisores elétricos e diversas opções de cores.

A Attractive era equipada com o motor 1.4 8V de 88/85 cv e 12,5/12/4 mkgf com etanol/gasolina e câmbio manual de cinco marchas, enquanto a Essence tinha o 1.6 16V 117/115 cv e 16,8/16,2 mkgf com câmbio manual ou automatizado Dualogic, ambos de cinco marchas.

As versões Sporting (que deixou de ser oferecida na linha 2017) e Blackmotion usam o mesmo 1.8 16V de 132/130 cv e 18,9/18,4 mkgf com etanol/gasolina, também com as opções de câmbio manual e automatizado.

No conjunto mecânico, o Punto foi o segundo Fiat a trazer a segunda geração do câmbio automatizado Dualogic, que prometia uma redução nos conhecidos trancos durante as trocas de marchas. A transmissão também passou a oferecer o creeping, acoplamento da embreagem ao soltar o liberar o freio com o câmbio engatado em D ou R, que faz o carro se mover lentamente.

Câmbio Dualogic Plus trouxe algumas evoluções sobre o anterior

Câmbio Dualogic Plus trouxe algumas evoluções sobre o anterior (arquivo/Quatro Rodas)

Mesmo não tendo foco no espaço, o Punto permite levar uma família de quatro pessoas – cinco, se apertar um pouco – com conforto, inclusive na altura. O problema fica para o porta-malas de 275 litros, menor até do que o do Palio, que tem 280. O Argo, seu sucessor, oferece 300 litros de capacidade. O conforto a bordo, porém, é uma virtude do modelo, com suspensão de acerto longo e macio.

De 2012 a 2017, o hatch ganhou duas importantes séries especiais. A primeira foi a Blackmotion, que chegou em 2013 (como linha 2014), e veio a tornar-se versão padrão. Com a mesma mecânica da Sporting, ela tem como diferencial o visual ainda mais agressivo, com para-choques esportivos e rodas com desenho exclusivo.

Série Blackmotion virou versão, e agrada pelo pacote de equipamentos

Série Blackmotion virou versão, e agrada pelo pacote de equipamentos (divulgação/Quatro Rodas)

Já a segunda, Itália, chegou em 2014 baseada na Attractive, com uma lista de equipamentos mais recheada (retrovisores elétricos, volante multifunciona, rádio com USB, faróis de neblina e rodas de liga leve aro 15).

No mercado de usados, as séries especiais revelam ser ótimas oportunidades por ofereceram visual diferenciado e mais equipamentos em relação às configurações de base. No caso da Itália, apenas R$ 31 a separa da versão Attractive, considerando um modelo 2015 na tabela Fipe. No caso do 2016, são R$ 75. As diferenças também são pequenas entre Sporting e Blackmotion (veja a tabela completa mais abaixo).

Depois de aproximadas 285 mil unidades vendidas desde 2007, o Punto se despede do mercado brasileiro com a chegada do Argo. O modelo já teve sua produção encerrada por aqui, mas ainda aparece no configurador da Fiat por ter exemplares remanescentes em estoque, partindo de R$ 53.310 na versão de entrada Attractive e de R$ 69.680 na Blackmotion Dualogic.

A configuração turbinada T-Jet deixou o mercado mais cedo, com a chegada da linha 2017 – sobre ela, temos um Guia de Usados específico que você pode ler clicando aqui.

Na Europa e na Índia, porém, o modelo permanece vivo. Para o Velho Continente, uma geração completamente nova está prevista para estrear em 2018 com base no Argo.

 

A VOZ DO DONO

“Um carro muito gostoso de dirigir, com respostas imediatas do motor. Silencioso e estável, transmite segurança e oferece consumo de combustível compatível com o desempenho. Nunca apresentou nenhum problema em três anos de uso. A única ressalva fica para o espaço do banco traseiro, um pouco limitado.” – Luis Roberto Silva, 52 anos, representante comercial, São Paulo (SP).

“É um carro confortável, tem bom sistema de suspensão e um espaço interno bacana para os passageiros. Gosto também do design interno (painel e bancos) dele; além disso, não é gastão em termos de consumo de combustível. O que não gosto muito é a péssima relação peso, potência e torque (sofro muito em subidas e retomadas) e a rede de assistência da Fiat deixa bastante a desejar – só usei a concessionária durante a garantia, pois achei o serviço bem ruim.” – Tatiana Lopes, 30 anos, engenheira química, Jundiaí (SP)

O que eu adoro: “O que mais me agrada é o acabamento interno (o melhor entre todos os Fiat) e a relação entre conforto e estabilidade: o rodar é suave sem ser molenga, firme nas curvas.” – Felipe de Lima Lara, 32 anos, policial civil, Piracicaba (SP).

O que eu odeio: “O banco e a tampa do porta-luvas fazem barulho em lombadas. E a tampa do bocal do tanque às vezes emperra, defeito que meu Punto anterior também tinha.” – Juliana Sinkiti Gastaldello, 25 anos, analista de sistemas, São Paulo (SP).

 

ONDE O BICHO PEGA

Lanternas – O principal defeito crônico do Punto reestilizado está nas lanternas, suscetíveis a infiltração e acúmulo de água no interior das peças. Com isso, os leds dedicados à luz de posição ficam mais fracos – ou, em alguns casos, se apagam por completo. Em 2013, o Procon notificou a Fiat a respeito dos inúmeros casos envolvendo o conjunto de iluminação traseiro. No entanto, o esperado recall nunca aconteceu.

Recall de câmbio – Em 2014, os Punto Essence, Essence Dualogic e T-Jet passaram por um recall por um possível desgaste prematuro da transmissão. A solução era a troca do óleo do câmbio. Vale atentar-se para a realização do reparo em unidades fabricadas entre 2012 e 2014 das versões citadas.

Câmbio Dualogic – Mesmo as versões mais atualizadas da transmissão, como é o caso do Punto a partir de 2012, podem sofrer com falhas no engate das marchas. Em alguns casos, proprietários relatam que a transmissão passa para a posição N (Neutro) de forma involuntária. Mais do que isso, o câmbio automatizado demanda prática para ser usado sem trancos – para quem está acostumado com automáticos convencionais, a experiência pode não ser muito agradável.

NÓS DISSEMOS

Agosto de 2012 – “O Punto é mais divertido de dirigir do que os irmãos. Isso porque ele é mais bem assentado que o Palio (por causa das maiores bitolas dianteira e traseira e dos pneus aro 15) e tem centro de gravidade mais baixo. No trânsito, sua suspensão é macia como a de um Siena.”

PREÇO MÉDIO DE USADOS (FIPE – Junho/2017)

Modelo  2013 2014 2015 2016 2017
Attractive 1.4 R$ 31.598 R$ 33.837 R$ 37.289 R$ 40.245 R$ 42.791
Itália 1.4 R$ 37.320 R$ 40.320 R$ 43.012
Essence 1.6 R$ 32.401 R$ 34.212 R$ 39.076 R$ 43.246 R$ 46.736
Essence 1.6 Dualogic R$ 32.419 R$ 35.612 R$ 38.995 R$ 45.358 R$ 49.330
Sporting 1.8 R$ 35.269 R$ 37.643 R$ 41.121 R$ 49.348
Sporting 1.8 Dualogic R$ 36.612 R$ 39.310 R$ 45.411 R$ 49.809
Blackmotion 1.8 R$ 40.995 R$ 42.455 R$ 50.733 R$ 54.243
Blackmotion 1.8 Dualogic R$ 41.461 R$ 43.338 R$ 52.019 R$ 57.806
T-Jet 1.4 Turbo R$ 43.616 R$ 47.849 R$ 49.811 R$ 62.374
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  1. Bom carro com moteres ultrapassados. Punto me parece ser um carro melhor que o Arrrgh

  2. Punto ainda é muito mais bonito que o Argo. Engenharia e Design italiano, já o Argo engenharia brasileira e design brasileiro. Não ficou legal. Será um fiasco principalmente pelo preço elevado.

  3. Alexandre Paim

    Olha, na minha opinião, foi um dos maiores erros cometidos, pela fiat no Brasil. Alem de matar um dos carros com o designer mais bonitos entre os compactos, estreou no lugar um carro, que nada tem a ver com as tradições da fiat. O Argo nasceu morto.

  4. Milton Tavares da Silva

    Vou discordar um pouco dos colegas.
    Punto por ter um design muito bem acertado para o carro era bonito, mas as vendas eram pífias, design apesar de bonito já estava cansado, falta de atualização total do modelo, muitos crítica a última atualização recebida pelo modelo, alegando que fez foi piorar ao invés de melhorar.
    Por outro lado o Argo chega como novidade e é sim muito bonito, alguns vão dizer que não é tão bonito como o Punto, aí é uma questão de gosto pessoal, mas vejo o Argo como uma evolução do Punto, motores novos na linha de entrada, interior impecável, design agradável e equipamentos que o Punto não possui, faltou só um preço competitivo para o modelo.

  5. Steeve Steeve Emerson

    Porque não vejo mídia em cima do consumo do Duologic 1.6? Carro é excelente mas esse cambio com esse motor é uma tragédia, nosso 2014 -2015 não passa de 5 km/l. Não é ágil e não tem o tesão de quando se precisa acelerar. Triste.