Guia de Usados: Chevrolet Captiva

Espaçoso, repleto de equipamentos e com bom desempenho - mas alto consumo

Lançamento do Captiva, em 2008, causou barulho no mercado por reunir diversos atributos (Marco de Bari/Quatro Rodas)

No longínquo ano de 2008, a Chevrolet mexeu com o mercado brasileiro ao lançar o Captiva. Dono de um visual robusto, bom nível de acabamento e conjunto mecânico atraente, o SUV médio tinha ainda a isenção do Imposto de Importação para veículos vindos do México a seu favor para obter preços atraentes na época: R$ 92.990 iniciais com tração dianteira e R$ 99.990 com tração integral.

O Captiva chegou em duas configurações diferentes (com tração 4×2 dianteira ou 4×4), mas sempre acompanhado do sobrenome “Sport”. O motor – de alumínio e com comando de válvulas variável – era um V6 3.6 de 261 cv que, com câmbio automático de seis marchas, faz com que o modelo de 1.850 kg vá de 0 a 100 km/h em respeitáveis 8,6 segundos.

No entanto, o desempenho cobrava um preço alto: nos testes feitos por QUATRO RODAS, as médias de consumo ficaram em 6,5 km/l em ciclo urbano e 9,2 km/l no rodoviário.

Por fora, o porte avantajado, as falsas saídas de ar laterais, as rodas cromadas de 17 polegadas e a saída dupla de escape (no caso das versões V6) marcaram o visual do Captiva.

Nas versões com motor V6, há duas saídas de escape – uma de cada lado (Marco de Bari/Quatro Rodas)

Acabamento e equipamentos também se destacaram no SUV. No interior, ele chegou ao país exibindo plásticos de boa qualidade, couro, cromados e alumínio, tudo com um alto nível de precisão nos encaixes.

Piloto automático, volante multifuncional, faróis automáticos, sensor crepuscular, controles de estabilidade e tração, freios ABS, ar-condicionado (digital a partir de 2012), sistema de som com MP3, monitoramento da pressãos dos pneus, bancos dianteiros com aquecimento e ajuste elétrico e seis airbags estavam entre os itens de série.

Interior tem aparência refinada e materiais de boa qualidade; (Marco de Bari/Quatro Rodas)

Espaço é mais um trunfo do modelo. Cinco ocupantes viajam com conforto e muita bagagem, afinal, são 2,70 metros de entre-eixos e 821 litros de capacidade no porta-malas. As medidas (4,57 metros de comprimento, 2,08 de largura e 1,70 de altura) são bem maiores que a de um Jeep Compass atual, aproximando-se dos SUVs de sete lugares.

Espaço para os ocupantes traseiros é bom, mas quem vai no meio pode se incomodar com os porta-trecos (Marco de Bari/Quatro Rodas)

Porta-malas grande comporta até 821 litros de bagagem (Marco de Bari/Quatro Rodas)

Em 2009, a Chevrolet apresentou uma versão mais acessível do modelo, com menos refinamento e sem motorização V6. Por fora, ela se diferencia pela saída única de escape (e sem ponteira cromada), pelas rodas mais simples e pelos para-choques e maçanetas de plástico sem pintura.

Mas a principal mudança estava debaixo do capô: um motor 2.4 16V de quatro cilindros com 171 cv – também com câmbio automático de seis marchas. Em comparação com o V6, ele é mais lento e leva 12,3 segundos para ir de 0 a 100 km/h. Mas a recompensa vem no consumo menor. Nos testes de QUATRO RODAS, ele fez médias de 8,2 km/l em percurso urbano e 10,8 km/l no rodoviário.

Em 2011, mais uma novidade. O gastão motor V6 3.6 saiu de cena para dar lugar a uma unidade menor, 3.0, mas ainda de seis cilindros dispostos em V e com potência maior: 268 contra 261 cv. O 2.4 também passou por atualizações e subiu de 171 para 185 cv. Além da mecânica, o SUV ganhou novidades na paleta de cores e no acabamento.

Versão com motor 2.4 se diferenciava pelos para-choques sem pintura e pelas rodas mais simples (Marco de Bari/Quatro Rodas)

Foi em 2014 que o declínio do Captiva começou. O modelo passou a ser oferecido em versão única, com motor 2.4, deixando assim de ser equipado com o V6 3.0. A falta de novidades (a única mudança foi em 2013, quando ele ganhou novas lanternas e rodas) e a chegada do Tracker fizeram com que o SUV perdesse o fôlego nas vendas.

Seu ápice foi em 2009 quando, segundo a Fenabrave, emplacou 13.584 unidades. Em 2011, foram 12.728. Em 2013, 2.512 e, em 2016, apenas 1.110. Defasado e simplificado (apesar do pacote de equipamentos e do espaço ainda serem interessantes), ele já teve seu fim anunciado pela própria Chevrolet, que anuncia a chegada do Equinox para o segundo semestre deste ano.

A VOZ DO DONO

“É uma das melhores opções para quem busca um SUV. O desenho tem personalidade própria e o conjunto mecânico da versão V6 é imbatível, pois tem reserva de potência em qualquer rotação. A transmissão automática permite trocas manuais para uma condução mais esportiva. Só não gosto do consumo urbano e do diâmetro de giro.” – Merkison Barbosa, 47 anos, gerente de TI, Oswaldo Cruz (SP)

“Já é o segundo Captiva que eu tenho. Ele é imbatível no custo-benefício, oferece um visual distinto e tanto o desempenho quanto a dirigibilidade são fantásticos.” – Marcelo Magnani, 27 anos, empresário, Piracicaba (SP)

“O atendimento nas concessionárias é bom, mas o barulhos na suspensão sempre voltam. E o consumo é muito alto em relação ao desempenho, mesmo na versão 2.4.” – Anderson Munhoz, 42 anos, diretor comercial, São Paulo (SP)

 

ONDE O BICHO PEGA

Automático de seis marchas, câmbio é um dos principais alvos de problemas do modelo (Marco de Bari/Quatro Rodas)

Câmbio – São inúmeros os casos de problemas no câmbio dos primeiros Captiva V6: rompimento do disco mola, avaria do sistema planetário e falhas no módulo eletrônico. Em alguns casos, houve a quebra total da transmissão. Portanto, fique atento a possíveis trancos e dificuldades nas trocas de marchas, além de travamentos na alavanca do câmbio.

Direção hidráulica – O reservatório da direção hidráulica pode acumular uma quantidade anormal de borra, gerando a possibilidade de danificar a bomba.

Discos de freio – Por ser pesado e potente, o Captiva pode ser afetado por avarias precoces nos discos de freio. Dê atenção a possíveis trepidações em frenagens.

Módulo eletrônico do chassi – Em 2015, a fabricante convocou 16 unidades de modelos 2011, 2012 e 2014 para um recall. A campanha foi instaurada por uma possível falha no módulo eletrônico do chassi que, devido a um curto-circuito, poderia fazer com que o motor seja desligado de forma involuntária.

Suspensão – Uma das principais reclamações dos proprietários, ao lado dos problemas de transmissão, diz respeito ao nível de ruído da suspensão. Alguns relatos dão conta de que, mesmo após diversas visitas às concessionárias, os barulhos voltam a atormentar os ocupantes. Vale uma revisão em buchas, batentes, bieletas e terminais de direção.

Lado a lado, o Captiva V6 e o 2.4 Ecotec (Marco de Bari/Quatro Rodas)

PREÇO MÉDIO DOS USADOS (FIPE – abril/2017)

Modelo 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016
2.4 R$ 38.579 R$ 41.161 R$ 44.060 R$ 48.621 R$ 59.154 R$ 63.770 R$ 80.165 R$ 89.595
V6 3.6 4×2 R$ 36.536 R$ 38.670 R$ 41.395
V6 3.6 4×4 R$ 37.260 R$ 39.499 R$ 41.544
V6 3.0 4×2 R$ 43.483 R$ 53.610
V6 3.0 4×4 R$ 47.023 R$ 55.877 R$ 66.858

NÓS DISSEMOS

Setembro de 2008 – “O Captiva é a opção mais interessante do segmento. Ele é confortável e espaçoso, tem preço atraente, conteúdo superior – passando pelos equipamentos, pelo motor V6 e pelo câmbio seqüencial de seis marchas – e estilo moderno. Além disso, tem o suporte da rede Chevrolet.”

Fevereiro de 2009 –O 2.4 tem tudo para agradar. Com a estrada pavimentada pelo V6, ele chega com imagem de carro cobiçado e preço (ainda) mais acessível (em relação a seus pares), o que lhe garante um custo-benefício mais interessante. Pelo conjunto, o 2.4 é hoje a melhor compra da linha.”

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  1. Waslon T. A. Lopes

    Igual ao casamento!

  2. Luís Guilhermino

    Tive uma 2.4 2010 e era com câmbio de 4 marchas. Quem dera se fossem 6…

  3. eduardo Pinheiro

    Eu sei que gosto é gosto, mas penso que o 3008 é mais refinado e tem melhor relação motor/cambio, /consumo sem se falar nos vários mimos que ele oferece!!!