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Voando baixo

31.03.09 - Por Vitor Matsubara
Horas após a abertura da temporada de F-1, Stock Car começa o ano com “capôs voadores”

Fotos: Divulgação/ Duda Bairros e Fernanda Fleixosa

Enquanto muitos ainda recuperavam suas horas de sono na manhã de domingo, fruto da madrugada de F-1, a Stock Car dava o pontapé inicial na temporada 2009.

Para este ano, a maior atração da principal categoria do automobilismo brasileiro – que também é a que conta com o maior número de pilotos com passagens pela Fórmula 1 – são os novos carros, projetados para serem mais rápidos e, principalmente, seguros.

Mas é justamente a segurança dos bólidos que passa a ser colocada em xeque após a prova inaugural, realizada no Autódromo de Interlagos, em São Paulo (SP). A série de equívocos começou com o tempo escasso para a realização dos testes.

A bordo de um protótipo completamente novo – e pouco conhecido pela grande maioria até então -, os pilotos tiveram menos de uma semana para conhecerem e se adaptarem aos seus carros.

Não foram poucos os que apontaram deficiências no projeto desenvolvido pela JL Competições. Rodrigo Sperafico, por exemplo, já havia alertado para o calor intenso dentro do cockpit, resultado do mau posicionamento do escapamento.

Segundo o paranaense, a temperatura da peça pode chegar a até 1000 graus. Para piorar, logo no primeiro dia de treinos, o carro do bicampeão Cacá Bueno pegou fogo momentos após deixar os boxes. Bueno saiu ileso, mas o susto foi grande.

No dia seguinte, dois mecânicos sofreram ferimentos leves durante um treinamento de pit-stop. Ao terminarem o processo de reabastecimento – prática que é obrigatória nesta temporada -, a bomba injetora respingou algumas gotas de combustível.

Instantaneamente, o fogo começou, atingindo os dois mecânicos que participavam da simulação. O princípio de incêndio foi controlado rapidamente, mas o novo incidente assustou novamente os presentes no autódromo.

Mas o ponto mais crítico se deu no domingo, justamente o dia da primeira etapa de 2009. Assim que a televisão iniciou a transmissão da parte final da corrida – o evento começou sem a cobertura da emissora detentora dos direitos da categoria -, o que se viu foi uma sucessão de capôs se desprendendo dos carros.

Allan Khodair já havia perdido o seu, logo após a largada. Algumas voltas depois, Chico Serra, Pedro Gomes e Antônio Jorge Neto também corriam sem a peça. Enquanto Paulo Salustiano e Ricardo Zonta duelavam pela liderança, o retardatário Alceu Feldmann – que andava no pelotão da frente, atrapalhando os outros pilotos – também viu seu capô ir pelos ares.

O problema é que a peça foi parar justamente no para-brisa de Ricardo Maurício, atual campeão da Stock e então terceiro colocado na prova. Após alguns segundos de escuridão, o capô seguiu seu caminho, deixando o paulista mais aliviado.

Quando Zonta se preparava para a ultrapassagem, o ex-piloto de testes da Renault ficou sem o capô. Mesmo assim, o piloto assumiu a ponta e começou a abrir boa vantagem para Salustiano. Quase que imediatamente, a organização da prova alertou para que Zonta entrasse nos boxes para recolocar a peça, sob pena de desclassificação.


A poucas voltas do final, Zonta escolheu por permanecer na pista e cruzou a linha de chegada em primeiro lugar. Mas o paranaense não levou o troféu para casa, causando revolta na equipe RZ. A vitória ficou com o pole-position Salustiano, mas Zonta não se deu por vencido, entrando com um recurso pela “punição injusta” aplicada pelos comissários. Pelo mesmo motivo, Marcos Gomes, William Starostik e Daniel Landi também foram penalizados.

Até o momento, pouco se sabe sobre o motivo de tantos capôs terem se desprendido em Interlagos. A justificativa mais plausível é a de falha no projeto, fazendo com que a peça se solte após pequenos impactos – como os toques de corrida, tão comuns em provas de turismo – ou mesmo pelo efeito da aerodinâmica, o que indicaria uma má fixação do capô.

Seja como for, os acontecimentos de Interlagos indicam que o projeto do novo carro da Stock Car ainda precisa de muitas melhorias para oferecer a segurança necessária para pilotos e equipes. Caso contrário, o ano deverá ser muito conturbado para a maior categoria do automobilismo nacional.

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