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Senna, 50: a chegada à Williams e a tragédia em Ímola

21.03.10 - Por Vitor Matsubara

As expectativas para 1994 eram animadoras para Senna. Enfim na Williams, o brasileiro tinha em suas mãos o carro mais rápido da categoria e vencedor das duas temporadas anteriores. O tetracampeão Alain Prost deu adeus ao time inglês e abriu espaço para a chegada de Damon Hill, aparentemente fadado ao papel de figurante na equipe de Frank Williams.

Mas os problemas começaram ainda na pré-temporada. O FW-16 se mostrava um carro extremamente rápido, mas difícil de ser domado, especialmente após a proibição dos recursos eletrônicos sancionada pela FIA. Sem a suspensão ativa, o controle de tração e os freios ABS, o bólido não parecia ter a mesma superioridade sobre seus rivais.

A primeira corrida foi disputada no Brasil e Senna estava determinado a vencer em Interlagos pela terceira vez. Após largar na pole-position, o brasileiro foi ultrapassado por Michael Schumacher, da Benetton, nos boxes. Algumas voltas depois, Senna acabou errando e abandonou a prova na volta 55, para frustração geral das arquibancadas.

O GP do Pacífico também não foi bom para Senna, já que sua corrida acabou logo após a largada. Depois de sair novamente na pole-position, Senna foi tocado por Mika Hakkinen, o brasileiro foi atingido pela Ferrari de Nicola Larini e deixou a prova. De quebra, ainda viu a segunda vitória consecutiva de Schumacher, com seu companheiro de equipe, Damon Hill, em segundo lugar.

Depois de duas decepções, Senna via no GP de San Marino a chance para descontar a vantagem de vinte pontos conquistada por Schumacher. As atividades no circuito de Ímola, porém, começaram com o pé esquerdo ainda na sexta-feira.

Rubens Barrichello, que naquela época já era visto como uma jovem promessa e possível sucessor de Senna, sofreu um grave acidente com sua Jordan, que decolou após tocar na zebra e colidiu fortemente com a barreira de pneus. Felizmente, o piloto teve leves escoriações e o nariz quebrado, mas a cena foi suficiente para deixar Senna apreensivo.

No dia seguinte, Roland Ratzenberger chocou-se violentamente contra o muro da curva Villeneuve após ter perdido a asa dianteira de sua Simtek na fatídica curva Tamburello. Levado ao Hospital de Bolonha, o austríaco teve sua morte decretada pouco tempo após a batida, embora as imagens mostrem que Ratzenberger parece ter falecido logo após o impacto.

Visivelmente preocupado com os acontecimentos, Senna se reuniu com os demais pilotos e sugeriu a recriação da Comissão de Segurança dos Pilotos. Apesar de tudo, todos concordaram em disputar a prova de domingo.

Senna largou na pole-position pela terceira vez no ano, mas uma batida envolvendo J.J Lehto (que deixou o motor de sua Lotus morrer) e Pedro Lamy provocou a entrada do safety-car por cinco voltas. A corrida foi reiniciada na sétima volta, mas seria interrompida logo depois, quando Senna preparava-se para contornar a Tamburello. O brasileiro perdeu o controle de sua Williams e foi de encontro ao muro. O impacto fez com que um dos pneus de seu carro fosse arremessado violentamente de encontro ao capacete do piloto.

Senna recebeu os primeiros socorros da equipe de Sidney Watkins ainda na pista e foi removido de helicóptero para o Hospital Maggiore de Bolonha. Poucas horas depois, os médicos declararam Senna como morto, embora suspeita-se que o anúncio não tenha sido realizado anteriormente para evitar uma análise mais aprofundada sobre o acidente, já que a lei italiana determina que qualquer morte acontecida em um evento público deve ser investigada, acarretando ainda no cancelamento do evento. Especula-se que a decisão tenha sido tomada para defender os interesses comerciais de patrocinadores e organizadores da prova. A história permanece sem esclarecimentos até hoje.

O funeral de Senna paralisou São Paulo e o Brasil. No velório, que foi realizado na Assembléia Legislativa, estima-se que mais de 100 mil pessoas foram dar adeus ao tricampeão mundial. Muitos pilotos, como Emerson Fittipaldi, Alain Prost e Gerhard Berger, compareceram à cerimônia. O cortejo foi acompanhado por mais de 250 mil pessoas nas ruas paulistanas e o caixão de Senna foi enterrado no Cemitério do Morumby, em São Paulo (SP).

Mais tarde, a perícia concluiu que o acidente foi causado pela quebra da coluna de direção de sua Williams e sugeriu que houve negligência em um reparo realizado na peça por mecânicos da equipe. Em 1996, Frank Williams, Patrick Head, Adrian Newey e outros três responsáveis pela prova, além do mecânico que teria realizado o conserto, foram indiciados por homicídio culposo – quando não há intenção de matar -, negligência e imprudência. Todos foram absolvidos um ano depois.

Após a morte de Senna, o Brasil começou a busca por um novo ídolo na Fórmula 1. Muitos nomes passaram pelas pistas desde então, mas nenhum deles conseguiu se aproximar dos feitos conquistados pelo paulistano que teve sua carreira encerrada precocemente, aos 34 anos de idade e com três títulos mundiais na bagagem.

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