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Lewis Hamilton: velocidade até no nome

12.11.10 - Por Marcio Ishikawa
Seu nome é uma homenagem a Carl Lewis, velocista americano que ganhou nove medalhas olímpicas. E velocidade é uma das coisas com que Lewis Hamilton Davidson Hamilton, nascido em 7 de janeiro de 1985, lida desde muito cedo. Aos seis anos, já impressionava o pai Anthony ao vencer vários torneios de carros rádio-controlados, competindo contra adultos.

Aos oito anos, o pulo dos controles remotos para o volante e pedais dos karts era o passo lógico para o garoto. Competindo na classe cadete, dois anos depois sagrou-se campeão britânico de torneios como o Sky TV KartMasters Champion e o Five Nations Champion.

Os títulos o levaram a participar, no final do ano, do evento de entrega do Autosport Awards, prêmio dado pela revista inglesa aos melhores pilotos nas mais diversas categorias. Foi nesse evento que encontrou Ron Dennis pela primeira vez e, para surpresa de todos, ao apertar a mão do decano da F-1, soltou um “Oi. Sou Lewis Hamilton, campeão britânico de kart. Um dia eu irei pilotar para você”.

Dennis, teria dito para ele voltar a procurá-lo uns nove anos depois. Mas o dirigente, que nada tem de bobo, já estava de olho no menino e acompanhou de perto o seu desenvolvimento. Nos dois anos seguintes, venceu mais quatro torneios nacionais na Inglaterra – o suficiente para, em 1998, pouco depois de completar 13 anos, entrar no programa de desenvolvimento de pilotos da McLaren.



A partir daí, contando com suporte oficial da equipe inglesa, se graduou para o Campeonato de Kart Intercontinental A, em que competiu entre 98 e 2000, quando se sagrou campeão mundial aos quinze anos. Até hoje, é o mais jovem a atingir o status de número 1 do kart mundial.

Em 2001 começava a carreira de Hamilton nos monopostos. O início, no entanto, não foi dos mais animadores: no teste com um Fórmula Renault da equipe Manor, no circuito de Mallory Park, ele bateu depois de três voltas. Hamilton, até então, não havia sequer pilotado um carro de rua... No entanto, os mecânicos arrumaram o carro, ele voltou para a pista e fechou o dia com tempos convincentes.

Disputou a Fórmula Renault de maneira relativamente discreta em 2001 e 2002, com três vitórias no torneio inglês e uma no campeonato europeu. Em 2003, venceu pela primeira vez na quinta etapa – e dali em diante dominou a temporada, com nove vitórias nas próximas dez provas, levando o título com duas provas de antecedência – provas que acabou deixando de lado para fazer sua estreia na Fórmula 3.

A estreia na F-3 inglesa também aconteceu pela Manor. E, a exemplo do que ocorrera na F-Renault, também foi conturbada. Ele correu a última rodada do campeonato de 2003 – na primeira corrida abandonou depois de sair sozinho da pista e, na segunda, bateu no companheiro de equipe, e deixou o carro inconsciente.

Em 2004, com uma vitória, foi o quinto no campeonato europeu de F3, vencendo ainda a prestigiada corrida de Macau, reunindo os melhores das várias versões dos campeonatos de F3 do mundo. No fim do ano realiza o seu primeiro teste na Fórmula 1, obviamente a bordo de um carro da McLaren. No ano seguinte, um domínio arrasador a bordo do carro da equipe ASM – título fácil, com quinze vitórias em 20 corridas.

A GP2 era o próximo passo e a equipe ART, do mesmo grupo de controla a ASM, acolheu o inglês. Hamilton correspondeu e venceu a disputa com Nelsinho Piquet, que estava em sua segunda temporada na categoria, pelo título do ano. Mais do que o título, Hamilton fez algumas provas memoráveis, como em Nurburgring, quando venceu da pole e, praticamente em todas as voltas, conseguia ser um segundo mais rápido que qualquer outro rival.



O dia 30 de setembro de 2006 certamente está vivo na memória de Hamilton. Foi nessa data que Ron Dennis lhe comunicou a decisão de lhe confiar a segunda vaga na equipe McLaren. Ele dividiria a atenção da equipe com Fernando Alonso, que poucas semanas depois viria a se sagrar campeão do mundo, ainda correndo pela equipe Renault.



O que ninguém esperava – talvez nem ele mesmo – era que o jovem de 22 anos andasse em um ritmo praticamente igual ao de Alonso. Logo em sua primeira corrida, subiu ao pódio, com um terceiro lugar. Na segunda também, terminando em segundo...

O fato de ser o primeiro negro a chegar à Fórmula 1 já não chamava mais a atenção da mídia. Pódio após pódio, o inglês surpreendia o mundo com seu talento natural para conduzir um bólido de corrida e, depois de cinco pódios seguidos, ele vencia pela primeira vez na sua sexta participação na F-1, no Canadá. Foram nove pódios seguidos, com outra vitória em Indianápolis, nos EUA.



Hamilton estava, logo em sua primeira temporada na categoria, na disputa pelo título. O inesperado desempenho, no entanto, acabou resultando em uma grande insatisfação de Fernando Alonso, que reclamava da preferência da equipe por Hamilton. No final do ano, chegou à penúltima prova na liderança do campeonato, mas deixou escapar o título (que ficou nas mãos de Kimi Raikkonen) com erros primários que, até então, não tinha cometido.



Em 2008, veio a redenção e o título – já sem Alonso na equipe, que tinha no outro carro o finlandês Heikki Kovalainen -, mas não sem sofrimento. Hamilton precisava apenas de um quinto lugar no GP do Brasil na briga contra Massa. Depois de uma prova agitada, Massa venceu e Hamilton levantou a taça com uma ultrapassagem na última curva, terminando em quinto, com um ponto de vantagem sobre o brasileiro.



Em 2009, diante da superioridade dos carros da Brawn e da Red Bull, não pôde defender seu título. Agora, em 2010, chega a Abu Dhabi com chances remotas de vitória – mas ele afirma que, relembrando o que aconteceu em 2007, manterá o foco em fazer o mehor trabalho possível para colher os frutos se o azar encontrar seus rivais durante a corrida.

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