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Pedro Boesel: “Cogito abandonar as corridas”

13.04.11 - Por Bruno Roberti

Por Natali Chiconi

“Quando eu bati, o meu braço veio no pé. Achei que tivesse decepado”, diz o piloto

Pedro Boesel foi um dos envolvidos no grave acidente que aconteceu em Interlagos no último dia 3 de abril - e que tirou a vida de Gustavo Sondermann. Dez dias depois, ainda se recuperando das fraturas na clavícula, cóccix e tornozelo, ele concedeu uma entrevista exclusiva para a QUATRO RODAS.

O piloto, que ainda se mostra bastante abalado com o acidente, contou detalhes sobre o seu resgate na pista, falou sobre a segurança dos carros da Copa Montana e disse que ainda não sabe se voltará às competições após o trauma.

“Ainda cogito a possibilidade de abandonar as corridas. Eu amo esse esporte, mas só eu sei o medo que vivi ali", diz, emocionado. "Não sei dizer se vale a pena ou não. Muito menos como vou reagir quando voltar a entrar no carro, se vou ficar com medo ou não”.

Boesel ainda mostra um pouco de seu lado religioso e elogia o HANS. "Minha fé aumentou 1000% após esse acidente. Apesar de tudo, apareceu uma força do nada. Fiquei com um ‘J’ marcado na bochecha (depois do acidente) não foi à toa", afirma. "O Hans [proteção para pescoço] protegeu minha coluna do impacto, que foi grande. Tanto que quebrei a clavícula, onde o equipamento fica apoiado.”

Confira a entrevista:

Como foram os minutos depois do acidente? Você se lembra de tudo?
Fiquei acordado o tempo inteiro. A batida foi muito forte, achei que fosse morrer. Quando eu bati, o meu braço veio no pé. Por isso, cheguei a pensar que meu braço tivesse sido decepado. Na hora do resgate, a equipe ficou com o rádio ligado e pude ouvi o doutor Dino [Altmann], que não estava comigo, falando: ‘o Pedro tem múltiplas fraturas expostas, mas está bem e não corre risco de morte.’ Foi aí que pensei: ‘estou sem braço, mas vou viver’. Depois, ouvi os médicos dizendo que o caso do Gustavo era muito mais grave, que estava com parada cardíaca e estavam tentando reanimá-lo. Depois desse momento o paramédico desligou o rádio.

Como ficou sabendo da morte do Gustavo? Você esperava que fosse tão grave?
Eu sabia que era grave, mas quando eu estava no ambulatório, vi o médico reanimando o Gustavo, o que me deixou muito feliz, otimista. Da hora que cheguei no hospital, a todo momento, eu perguntava dele. Todos diziam que ele estava estável. Fiquei sabendo que ele havia morrido só na segunda-feira à noite, o que me deixou muito abalado. Acreditava que ele pudesse se salvar.

Muito se fala a respeito da segurança dos carros da Copa Montana. Você acha que alguma medida de segurança poderia ter sido tomada para evitar essa fatalidade?
Acho que o carro é seguro em condições normais, mas ele se tornou extremamente inseguro em condições de chuva, porque não tem visibilidade alguma. Em todas as provas com chuva, a visibilidade é horrorosa. Acelerar um carro de corrida sem enxergar nada é muito perigoso.

Esse tipo de acidente poderia ter acontecido em Curitiba, na última etapa do ano passado, em que tínhamos condições idênticas.

Os pilotos já haviam reclamado dessas condições de visibilidade na chuva?
Reclamações nunca foram feitas de forma oficial e unificada mas, com certeza, todo mundo reclamou uma vez. Agora os pilotos se uniram para propor mudanças, mas antes não havia uma associação. Com certeza, se houvesse uma área de escape no Café esse acidente não teria acontecido.

Apesar de não ter culpa pelo acidente, você tem medo de ficar marcado se retornar às corridas?
Não tenho medo disso porque sou vítima tanto quanto os outros. O Gustavo teve quatro toques, no total. Foi um múltiplo acidente, eu fui vítima tanto quanto o Gustavo. Tenho minha consciência tranquila em relação a isso.

Você acha que a pouca experiência de alguns pilotos da Montana os leva a cometer alguns atos irresponsáveis na pista?
Sim. Acho que não é a maioria dos pilotos, mas deve ter uns cinco ou seis que não têm experiência e talvez capacidade de entrar em um carro que é porta de entrada para outras categorias. Por serem novos, têm atitudes inconsequentes e, talvez agora, passem a ter uma postura diferente.

O que você planeja para os próximos meses? Como pretende tentar um retorno às pistas?
Estou melhorando aos poucos. A cada dia que passa evoluo um pouco mais. Ainda estou com pontos da operação, cóccix fraturado, bota imobilizando o tornozelo...  Primeiro vou pensar em me recuperar bem, ficar bom em termos de saúde e ir evoluindo psicologicamente, mentalmente.

Quando estiver recuperado, vou pensar e tentar fazer uma prova, ver se vai ficar algum receio. Além disso, oro sempre pelo Gustavo, que era uma pessoa extraordinária.

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Comentários

Wallace - 13.04.11 @ 21:32

Que tal, colocar o Zé pintor e o Zé cola num carro desses debaixo d'água, assim vão entender a irresponsabilidade que tem ao mandar esses sem juizo pra guilhotina.... Todo irresponsável sempre será co-autor de uma desgraça, não importa onde. Piloto tem que abrir a boca pra falar coisas embasadas, e não blá,blá...... E se preciso boicotar corridas. Isso sim é ser Profissional e responsável, depois não adianta lamentar o que se deixou de fazer. Aí todos são culpados.
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