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Filme “Senna” registra altos e baixos do tricampeão

03.11.10 - Por Filipe Garrett
Senna virou sinônimo de vários adjetivos para as pessoas que, de alguma maneira, tomaram contato com a trajetória do tricampeão de Fórmula 1. De certa forma, é isso que o documentário “Senna”, que estreia no próximo dia 12, com direção de Asif Kapadia, se propõe a mostrar.

Com uma hora e meia de duração, o filme navega entre a exaltação do talento em estado puro, a carreira mitológica, os feitos, o lado heroico de quem era tido como redentor do Brasil. Enfim, a trajetória épica do rapaz que, apenas em seu quarto Grande Prêmio, levou a tímida Toleman, com um modesto carro, a sonhar com a vitória nas ruas encharcadas do Principado de Mônaco e que, quatro anos depois, peitou o então bicampeão Alan Prost para levantar o primeiro caneco na McLaren - carro que “vestiu” como ninguém.

Além disso, o filme desmonta Prost como o vilão eterno, sempre a conspirar contra Senna - imagem em muito construída pela cobertura televisiva da época. "Senna" apresenta as engrenagens políticas da Fórmula 1 como o grande adversário secreto, o grande vilão contra o mocinho Ayrton.

“Senna” é mais do que um filme para entusiastas da Fórmula 1. É um registro da sucessão de feitos impossíveis com que Senna marcou sua carreira, mas evita ser excessivamente laudatório e mostra todos os altos e baixos da carreira de 10 anos de Fórmula 1, da estreia ao acidente fatal, em 1º de maio de 1994.

O filme reforça as convicções de Ayrton enquanto piloto e esportista, sua busca por engrandecimento pessoal dentro e fora das pistas. Aborda também o lado mitológico de quem nunca negou sua fé e que jurou dar uma volta em outra dimensão pilotando um bólido nas ruas de Mônaco.

Outro destaque fica por conta da conturbada relação com Prost, que foi de um início harmonioso à briga aberta, com farpas trocadas à exaustão, e com Jean-Marie Balestre, então presidente da FISA (hoje FIA). O capítulo que fala do dirigente disseca o âmbito político em que as decisões são tomadas na Fórmula 1 vêm desde aquela época  - o que é muito interessante para quem reclama das trocas de posição da Ferrari, do episódio da espionagem da McLaren e tantos escândalos contemporâneos da categoria.

Por ser demasiado curto – 90 minutos de duração – o filme apenas passa em revista os fatos da carreira de Ayrton, abusando na nostalgia daquela época e amarrando a narrativa com cenas inéditas do piloto. Quem já conhece toda a história, pode sair um pouco frustrado da exibição, porque não há novidades impactantes nos depoimentos e nas versões mostradas. É, acima de tudo, um filme para registrar a carreira de Senna no ano em que faria 50 anos e manter vivo o mito do tricampeão mundial.

“Senna” é, mais do que tudo, um filme para apresentar às novas gerações, que nunca viram uma corrida de Ayrton, e para dimensionar os feitos daquele piloto que, como ninguém, levava consigo a vocação para ser protagonista da corrida, do campeonato e até da década.

O filme estará em cartaz em São Paulo e Rio de Janeiro, além de outras quatro capitais ainda a serem definidas.

Confira o trailer:


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