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Fernando Alonso: em busca do tricampeonato

12.11.10 - Por Marcio Ishikawa
Apaixonado por corridas, José Luid bem que tentou convencer sua filha mais velha, Lorena, a seguir sua paixão. Mas nem mesmo um kart construído pelo próprio pai demoveu a menina. Sorte de seu irmão mais novo, Fernando Alonso, que com apenas três anos herdou o kart que Lorena ganhou de presente. Começava ali uma relação bem especial, coroada com o título de um torneio regional espanhol, com vitórias em todas as oito etapas, em 1988. No ano seguinte, Fernando venceria o campeonato das Astúrias e da Galízia.

A brincadeira, no entanto, estava ficando cara e a família cogitava encerrar a participação do garoto em torneios de maior porte. Mas, diante do talento que via em Alonso, o importador de karts Genis Marco decidiu ajudá-lo em sua carreira – ajudando-o a encontrar patrocinadores e, também, ele mesmo financiando os gastos durante a temporada.

Em 1993 e 94, sagrou-se campeão Júnior de kart, graduando-se para o campeonato mundial em 1995. Ficou em terceiro lugar no torneio que teve como campeão o finlandês Kimi Raikkonen. Vários títulos se sucedem nos anos seguintes, até a sua entrada para o mundo dos monopostos.

Seu primeiro teste, a bordo de um carro da equipe Campos na Fórmula Nissan, foi em outubro de 1998. Apesar de bater duas vezes no mesmo dia, conseguiu o impressionante feito de igualar o tempo da pole de Marc Gene, o piloto titular da equipe naquele ano, na pista de Albacete. Foi o suficiente para ser confirmado como titular da equipe em 1999.

A primeira vitória viria logo na segunda rodada, na mesma Albacete. Brigou durante todo o campeonato com Manuel Giao e fechou o ano com uma impressionante vitória em Valencia, com direito à melhor volta, que lhe deu o ponto extra que necessitava para ser campeão. Dessa forma, já em sua primeira temporada nos carros, já chamava a atenção da F-1.

No final de 99 realizou o seu primeiro teste com um Fórmula 1. Foi a bordo de um Minardi, em uma sessão com vários outros jovens. O resultado impressionou o então chefe de equipe, Cesare Fiorio: a melhor volta de Alonso foi 1,5 segundo mais rápida que a do segundo colocado.

Para a temporada de 2000, assinou com a equipe Astromega da Fórmula 3000, precursora da atual GP2. Mas a dificuldade de comunicação atrapalhou a sua performance e Alonso teve que melhorar o seu inglês. Somente no final do ano, quando passou a entender os engenheiros e vice-versa, que os resultados apareceram: segundo na penúltima etapa, na Hungria, e vitória em Spa, na Bélgica.



Ainda nesse ano, o italiano Flavio Briatore assumiu a gerência de sua carreira. E a Minardi, que lhe havia proporcionado o primeiro teste e que tinha acabado de ser vendida para o australiano Paul Stoddart, era o seu destino em 2001. Logo na primeira corrida, impressionou ao deixar o brasileiro Tarso Marques para trás, além de outros dois carros, partindo na 19ª colocação. Várias performances parecidas ao longo da temporada lhe renderam o status de futura estrela. Briatore, então, planejava colocá-lo na Benetton – que acabava de ser comprada pela Renault -, mas não conseguiu. Button e Trulli formaram a dupla titular e Alonso foi destacado para o papel de piloto de testes.

Cumpriu o papel com mais de 1600 voltas completadas em vários circuitos, sem nenhum tipo de problema e com um bom feedback técnico para os engenheiros. Não foi surpresa, então, que no final do ano ele tenha sido confirmado como titular do time para a temporada 2003, substituindo Jenson Button.

E ele não decepcionou. Já na segunda corrida foi pole, na Malásia. Algumas provas depois venceu pela primeira vez, aproveitando-se do travado circuito da Hungria. Terminou o ano na sexta posição, com 55 pontos. Em 2004, ano totalmente dominado pela Ferrari, não venceu, mas subiu quatro vezes no pódio e fechou o ano com 59 pontos, na quarta posição do campeonato.



Na temporada de 2005 ele se viu diante de um novo companheiro de equipe – o italiano Giancarlo Fisichella – mas o roteiro seguiu o mesmo: com o espanhol dominando a temporada inteira e vencendo a disputa com a McLaren com a impressionante marca de sete vitórias. A então dominante Ferrari se viu diante de problemas com o novo regulamento de pneus e acabou tornando-se coadjuvante naquele ano.



Mas ao time italiano voltou ao topo no ano seguinte e, em 2006, Alonso duelou contra ninguém menos que o heptacampeão Michael Schumacher. O começo de temporada de Alonso foi arrasador – com 84 pontos conquistados em 90 possíveis nas primeiras nove corridas. Mas, várias decisões controversas da FIA (como a proibição do uso dos amortecedores de massa) e o trabalho de desenvolvimento realizado pela Ferrari e sua fornecedora de pneus, a Bridgestone, fizeram o campeonato ser decidido apenas nas últimas corrida. Alonso, sagrou-se, então, bicampeão do mundo.



A temporada seguinte tinha tudo para ser a consagração de Alonso. Contratado pela McLaren, teria como companheiro de equipe um piloto estreante, Lewis Hamilton, ele até que chegou perto do tricampeonato. Mas o ano foi marcado pela sua briga com a equipe, a qual deixou no final do ano.

O desempenho surpreendente de Hamilton, já nas primeiras corridas, incomodou o espanhol, que reivindicava tratamento preferencial da equipe em função de seu posto de bicampeão do mundo. Depois de muitas brigas, cujo ápice aconteceu no GP da Hungria, quando Hamilton não cumpriu a determinação de deixar Alonso sair na frente na parte final do treino classificatório – e este revidou, atrasando sua saída para a pista na útlima tentativa, impedindo que Hamilton fizesse sua última volta lançada. O resultado da briga: título da Ferrari de Kimi Raikkonen.



Em 2008 retornou para a Renault e, mesmo com um carro longe de ser vencedor, conquistou duas vitórias. Nessa conta entra a malfadada conquista em Cingapura, quando Nelsinho Piquet, seu companheiro de equipe, bateu propositadamente para provocar a entrada de um safety car e beneficiar Alonso. No ano seguinte, o desempenho piorou e Alonso subiu no pódio uma única vez – por uma coincidência do destino, justamente em Cingapura, uma prova depois de Flavio Briatore e Pat Symonds terem sidos afastados da Renault por conta do escândalo na mesma corrida do ano passado. Para Alonso, no entanto, isso pouco importava: ele já estava de malas prontas para a Ferrari. Com a qual, este ano, tenta retomar o posto de campeão do mundo.

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