
Ana Beatriz Caselato Gomes de Figueiredo é uma mulher bonita, bem articulada e de fala mansa. Mas basta vestir seu macacão amarelo e colocar o capacete para que Bia Figueiredo se transforme completamente.
Em 2011, Bia vai disputar a primeira temporada completa na Fórmula Indy, depois de ter participado de quatro corridas no ano passado. A paulistana de 26 anos – completados no dia em que gentilmente atendeu nossa reportagem – vai defender a Dreyer & Reinbold e será a primeira mulher brasileira a disputar uma temporada inteira na Indy. Nada surpreendente para quem foi a primeira (e até agora única) pilota a vencer uma corrida de Fórmula Renault no mundo e a primeira mulher a vencer uma etapa da Indy Lights.
Como você se sente sendo a primeira mulher brasileira a participar de uma temporada completa da Fórmula Indy?
Minha expectativa é boa, será meu primeiro campeonato completo, mas já tenho uma bagagem de quatro corridas que disputei no ano passado, o que acaba sendo muito importante. É difícil ter expectativas para o primeiro ano, mas vou trabalhar para conquistar o melhor resultado possível. Meu primeiro objetivo será vencer o campeonato de estreantes (a Indy premia o melhor novato ao fim da temporada), mas sei que não será fácil, já que todos os outros estreantes estão em equipes fortes.

Depois de correr a etapa de São Paulo e disputar as 500 Milhas de Indianápolis, duas das corridas mais desafiadoras da Indy, você acha que está preparada para encarar uma temporada inteira?
Acho que sim, pois o fato de ter participado de algumas corridas em 2010 pode me ajudar a acostumar com a categoria. A prova de SP (disputada em um circuito de rua montado nos arredores do Sambódromo) foi minha primeira corrida e, apesar de várias dificuldades, consegui minha melhor colocação na Fórmula Indy até hoje. As 500 Milhas de Indianápolis também é uma prova muito importante e tradicional. Acredito que, durante a temporada, vou pegar o ritmo e me acostumar às outras provas.

O Brasil é um país acostumado com a Fórmula 1, principalmente pelos feitos de nomes como Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna. Você acha que o interesse do público brasileiro pela Indy pode crescer nos próximos anos?
Com certeza. A Fórmula Indy era muito conhecida por aqui nos anos 90, quando corria no Rio de Janeiro (o Autódromo de Jacarepaguá recebeu a categoria entre 1996 e 2000), e a categoria se popularizou bastante. O André Ribeiro, que hoje é meu empresário, até venceu a prova de 1996. Acredito que se a Indy continuasse correndo no Rio, como a Fórmula 1 faz todo ano em São Paulo, a categoria poderia ter continuado em alta no país. Mesmo assim, acho que, pelo Brasil estar crescendo, os investimentos na corrida brasileira da Indy também devem aumentar.

Em sua opinião, quais serão as principais dificuldades que você enfrentará neste ano?
Quando começa a temporada, não sobra tempo para quase nada. São muitas viagens e o ritmo é muito forte, mas eu gosto dessa correria mesmo assim. Pelo menos temos algumas semanas de intervalo entre as provas, que servem para melhorar tudo que precisamos.
Como você vai fazer para conciliar a rotina de treinos e corridas nos Estados Unidos com sua vida no Brasil?
Bom, eu moro sozinha nos Estados Unidos (em Indianápolis, lar da prova mais tradicional da Indy), então não preciso ter responsabilidades com casa e filhos. Por isso, consigo me deslocar com facilidade para todos os estados durante o ano e ter foco total na Indy.

Já imaginou como seria subir no pódio ou, quem sabe, até vencer na corrida do Brasil?
Ah, eu sempre sonho com isso. Sei que, realisticamente, é meio difícil, já que, mesmo trabalhando bastante, este será meu primeiro ano e estou numa equipe pequena. Mas nunca se sabe...