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Especial GP Brasil de 2009

29.10.10 - Por Vitor Matsubara

Quatro Rodas

O azarado e o azarão

Em 2009, o Autódromo de Interlagos tinha a chance de definir o campeão da temporada pelo terceiro ano consecutivo. Desta vez, porém, Ferrari e McLaren não estavam brigando pelo campeonato na penúltima etapa do ano. A disputa se concentrava entre Rubens Barrichello e Jenson Button, nomes que sequer figuravam entre os postulantes à taça no início de 2009.

A inusitada luta pelo Mundial de Pilotos foi o retrato da Brawn GP, uma equipe que surpreendeu do começo ao fim. Sua história parecia saída de um filme de Hollywood. Tudo começou no fim de 2008, quando a Honda anunciou sua retirada da Fórmula 1 após três anos sem resultados expressivos. Em março de 2009, Brawn comprou o espólio do time japonês e fundou a Brawn GP.

A equipe que parecia desacreditada pegou o mundo do automobilismo de surpresa com uma dobradinha logo na primeira etapa, disputada na Austrália. O que parecia ser sorte de principiante se transformou em uma demonstração de competência com cinco vitórias nas sete primeiras provas.

Mas foi a partir do GP da Inglaterra que a temporada ganhou em emoção. A Brawn GP não  conseguia manter o mesmo ritmo de outrora e começava a ver a rival Red Bulln no retrovisor. Mark Webber e Sebastian Vettel se aproximavam perigosamente na tabela de classificação.

Por sorte, a superioridade da Button fez o inglês chegar a São Paulo em vantagem. Com 14 pontos à frente de Barrichello e 16 a mais que Vettel, o britânico precisava conquistar apenas um terceiro lugar. A missão do brasileiro era mais dura, já que tinha de vencer em Interlagos e torcer para seu companheiro de equipe não chegar além da quarta posição. Dos três, Vettel era o único que não tinha chances de ser campeão no Brasil, precisando de uma combinação improvável de resultados nas duas últimas provas para levar o troféu para casa.

Nos treinos oficiais, a chuva castigou o autódromo paulista. A qualificação começou pontualmente às 14h, mas a rodada de Giancarlo Fisichella – então na Ferrari, substituindo o acidentado Felipe Massa – paralisou as atividades quatro minutos depois. A bandeira verde foi sinalizada apenas 14 minutos depois, com a pista bem menos molhada.

A água, no entanto, não parava de cair e alternava entre fortes pancadas e garoas. Andando no limite para não ser eliminado logo de cara, Vettel não conseguiu passar para o Q2. O alemão deixou a pista visivelmente irritado com seu desempenho. A briga pela ponta ficou entre Button e Barrichello, mas o inglês também sofreu com o aguaceiro e teve de se contentar com a 14ª posição.

O caminho para Barrichello estava livre e tudo parecia conspirar para a pole-position do brasileiro. Nos instantes finais do treino, Mark Webber fez 1’19”668 e cravou a melhor volta do dia, deixando os torcedores de Rubens bastante apreensivos. O nervosismo se transformou em euforia pouco tempo depois, quando Barrichello cruzou a linha de chegada com 1’19”576, marcando sua primeira pole-position na temporada e a primeira desde que havia deixado a Ferrari, em 2005.

O domingo amanheceu ensolarado e a torcida aguardava ansiosa pela corrida que poderia consagrar Barrichello, piloto que sempre carregou o fardo de ser o “sucessor de Ayrton Senna” no coração dos brasileiros. A prova começou em ritmo alucinante: logo na primeira volta, um incidente entre Jarno Trulli, da Toyota, e Adrian Sutil, da Force India, quase acabou em briga quando o italiano decidiu tirar satisfações com o alemão.

Pouco tempo depois, Heikki Kovalainen (McLaren) deixou os boxes antes da hora e levou consigo a mangueira de combustível. O compatriota Kimi Raikkonen vinha logo atrás e levou um banho de gasolina, que transformou sua Ferrari em uma bola de fogo por alguns segundos. Depois de tanta confusão, o safety-car entrou na pista e beneficiou Vettel e Button, que ganharam várias posições após terem largado atrás. O inglês passou a guiar de maneira agressiva, superando Romain Grosjean (Renault) e Kazuki Nakajima (Williams) para chegar ao sétimo lugar.

Barrichello se manteve na ponta até a primeira parada nos boxes, na volta 21. A sorte que sorriu para o brasileiro no sábado parecia deixá-lo assim que o piloto voltou para a pista. Com os pneus frios, Rubens foi superado por Vettel e Hamilton.

Enquanto isso, Button seguia em um bom ritmo até parar na volta 29. O britânico voltou em 10º lugar e viu seu companheiro de equipe quatro posições à frente. O título que parecia muito próximo começava a ficar mais longe após a segunda rodada de pit-stops. Button aparecia em sétimo e Barrichello estava em terceiro, condição limite para dar o campeonato ao inglês. Se o brasileiro ganhasse posições ou o britânico fosse ultrapassado, a decisão ficaria para Abu Dhabi.

Mas a sorte sorriu para Button quando Heikki Kovalainen foi para os boxes, levando Jenson à sétima posição. A situação melhorou ainda mais depois que Lewis Hamilton ultrapassou Barrichello.

O sonho brasileiro acabou quando Rubinho precisou entrar nos boxes por conta de um pneu furado. Mark Webber venceu, mas quem fez a festa foi Button, que celebrou euforicamente seu primeiro título mundial ao som de “We Are The Champions”, da banda Queen. A euforia foi ainda maior com a conquista do título do Mundial de Construtores. O final perfeito para uma temporada dos sonhos.

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