
Um dos maiores ‘templos’ do automobilismo nacional completa 70 anos nesta quarta-feira, 12 de maio.
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O Autódromo de Interlagos foi inaugurado em 1940 após um ano de trabalho. Não há uma versão oficial sobre a origem do nome do autódromo, mas a versão mais aceita dá conta que o local foi batizado por conta da localização geográfica do circuito, que fica entre dois lagos artificiais (Guarapiranga e Billings), construídos no início do século XX para suprir a cidade com água e energia elétrica. Outra história diz que o engenheiro responsável pelo projeto do autódromo viu semelhanças na região com Interlaken, na Suíça, e resolveu passar o nome do local para o Português.
A construção do autódromo, no entanto, começou a ser planejada em 1926. A empresa Auto-Estradas S.A tinha um projeto ambicioso que previa a construção de um autódromo e várias instalações esportivas, que incluíam um ginásio e uma pista de atletismo.
A falta de recursos financeiros acabou prejudicando parte do projeto, mas os planos de erguer um autódromo permaneceram. O projeto ganhou ainda mais força em 1936, quando uma corrida de rua em São Paulo acabou em tragédia, com quatro vítimas fatais e 37 pessoas feridas. Foi decidido aí que as provas de automobilismo deveriam ser realizadas apenas em locais seguros e que oferecessem estrutura para tal.
Com a ajuda do Automóvel Clube do Brasil, o engenheiro Louis Sanson começou a construção de Interlagos. Em 1940, o autódromo foi inaugurado com um traçado desenhado para oferecer duas opções de circuitos (incluindo um anel externo), totalizando aproximadamente 8 mil metros de extensão.
Era um circuito que oferecia visão privilegiada para os espectadores e muitos desafios para os pilotos. Eram subidas, descidas e curvas travadas que testavam a habilidade de quem se aventurava a correr em Interlagos. No entanto, as condições de segurança eram precárias, com a falta de áreas de escape nas curvas e barrancos que facilitavam a ocorrência de acidente mais graves. Até o público se acomodava nos arredores da pista, ficando muito próximos aos carros que passavam em alta velocidade.

No final de 1967, Interlagos foi fechado para reformas e reabriu três anos depois. A pista foi totalmente recapeada, novos boxes foram erguidos e uma arquibancada foi construída, mas o autódromo ainda sofria com alguns problemas. Por isso, uma nova reforma foi feita em 1971, que instalou alambrados nos boxes, zebras na pista, um túnel para acesso ao interior do circuito, um edifício de quatro andares para as transmissões de rádio e televisão.
As mudanças, enfim, fizeram com que Interlagos fosse aprovado pelos dirigentes da FIA, dando sinal verde para a realização do GP do Brasil de Fórmula 1. A primeira corrida da categoria foi realizada no dia 30 de março de 1972, mas não contou pontos para o campeonato daquele ano. O vencedor da prova foi o argentino Carlos Reutemann, seguido por Ronnie Peterson e Emerson Fittipaldi.
Em 1973, a etapa brasileira foi integrada ao calendário oficial da F-1. A euforia foi grande com a vitória de Fittipaldi, feito este que seria repetido por José Carlos Pace dois anos depois. O piloto, aliás, recebeu uma homenagem póstuma em 1985, com seu nome rebatizando o autódromo.
Em 1978, o Autódromo de Jacarepaguá voltava a sediar o GP do Brasil, mas a prova retornaria à Interlagos nos anos de 1979 e 1980. A falta de dinheiro das autoridades paulistas fez com que a corrida migrasse novamente para o Rio em 1981, mas Interlagos voltaria a sediar a prova de forma definitiva em 1989.
Naquele ano, a prefeitura de São Paulo e a CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo) uniram forças e promoveram uma extensa reforma no autódromo. Entre as mudanças realizadas, o circuito foi redesenhado e teve sua extensão encurtada para 4.325 metros, o que desagradou muitos pilotos e amantes do automobilismo. O projeto, inclusive, contou com a orientação de Ayrton Senna, que foi um dos idealizadores da curva no fim da reta dos boxes, batizada como “S” do Senna.
A reinauguração ocorreu em 1990 e Alain Prost se sagrou vencedor daquele GP. Um ano depois, a torcida foi ao delírio com a primeira vitória de Ayrton Senna em Interlagos, feito que era uma das obsessões na vida do piloto brasileiro. O tricampeão mundial voltou a vencer no circuito em 1993 e, desde então, apenas Felipe Massa – em 2006 e 2008 – repetiu as façanhas de Fittipaldi, Pace e Senna.
Além das corridas de Fórmula 1, Interlagos recebe provas de várias categorias do automobilismo nacional, como a Stock Car e a Fórmula Truck, e ainda serve como “sala de aula” para várias escolas de pilotagem. O autódromo também sedia diversos eventos sem ligação direta com o automobilismo, como corridas de bicicletas, shows e eventos religiosos.
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