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Mundo da Fórmula 1

Alonso e a Ferrari

Um dos principais passatemos do diário espanhol Ás, nos últimos tempos, foi tentar adivinhar o destino de Fernando Alonso na Fórmula 1. Esta semana, de novo, o jornal afirma com todas as letras que o bicampeão do mundo estará vestindo o macacão vermelho já na próxima temporada.

Teoricamente, faz sentido. Alonso não está feliz na Renault e, se tiver uma proposta, pode sair. E a Ferrari igualmente não está satisfeita com o trabalho de Kimi Raikkonen. O finlandês, que desde os tempos de McLaren foi do tipo 'senta e acelera', sem maior comprometimento com longos debates em busca de soluções para o carro. Por isso, ao se deparar com um carro que necessita de desenvolvimento, a equipe estaria se ressentindo dessa característica.

Mas, da teoria à prática, há uma distância muito grande.

Raikkonen tem contrato assinado com Maranello e, para a Ferrari dispensá-lo, teria que pagar um caminhão de dinheiro ou encontrar alguma brecha jurídica no acordo que permita dispensá-lo sem maiores gastos. Como não creio que Kimi, na condição de campeão do mundo, tenha assinado um contrato com cláusulas de desempenho, restaria a outra opção.

As especulações dos bastidores dão conta que o banco Santander migraria da McLaren para a Ferrari e se encarregaria de desembolsar o valor necessário para a saída de Raikkonen. Mas, na situação econômica mundial atual, é uma atitude que ninguém em sã consciência tomaria.

Partindo dessa hipótese, outros boatos já chegam a colocar o emprego de Massa em risco - uma vez que seu salário, sempre no campo das especulações, seria mais de 50% menor, a multa também seria menor. Racionalmente, até faria sentido, se Montezemolo achar que Alonso é tão imprescindível nos planos da equipe.

No entanto, em condições normais eu acho difícil isso acontecer. A única possibiliade seria uma aposentadoria voluntária de Raikkonen. O finlandês nunca escondeu seu descontentamento com o nível de dedicação que a função de piloto de Fórmula 1 exige. Diante de uma temporada sem chances de vitória e com a conta bancária já garantida pelo resto da vida, pode ser que ele queira curtir a vida.

Mas isso é apenas uma divagação da minha parte. Um abraço a todos!

Coluna do Lemyr

Das duas para as quatro rodas

No calor da comemoração da 100ª vitória na MotoGP, no GP da Holanda, Valentino Rossi admitiu que a sua bússola está mesmo apontada para a Fórmula 1. Seu desejo seria mudar das duas para as quatro rodas em 2011.

Dono de títulos mundiais na 125, 250, 500cc  e pentacampeão na MotoGP, Rossi nunca escondeu o desejo migrar para a F-1 e correr pela Ferrari - escuderia pela qual já realizou testes nos circuitos de Fiorano e Mugello, com algum sucesso.
“Achei fantástico. Posso ser o  substituto ideal de Michael Schumacher”, declarou Rossi, entre a galhofa e o desejo.

Enquanto aguardamos para saber se esse será mesmo o destino de Rossi, é bom lembrar que um motociclista assumir o cockpit de um F-1 não será uma cena inédita na história.

John Surtees foi o maior dessas figuras. O inglês ganhou sete títulos mundiais nas motos, de 1956 a 1960, na 350 e 500 cilindradas, antes de ingressar na F-1, na Lotus-Climax, na  temporada de 1960. Ele  tornou-se o Big John, ao sagrar-se campeão pela Ferrari em 1964, reprisando o estilo de pilotagem agressiva consagrada nas motos.

Além do título mundial, o currículo de Surtees conta com 6 vitórias, 24 pódios e 180 pontos, competindo também pela Cooper, Honda e  BRM.

Em 1970 o Big John tornou-se  construtor, lançando os seus modelos TS, com os quais pilotou juntamente com o Derek Bell. Como construtor, Surtees participou de 118 GPs, com seus protótipos de frente baixa, os ”limpa-trilhos”  entre 1970 e 1978, somando 58 pontos. O melhor ano da Surtees Racing Organization foi 1972, temporada em que fechou o Campeonato de Construtores em 5º,conquistando 18 pontos, com  ele, Andrea de Adamich, Mike Hailwood e Tim Schenken acelerando.
Ao pedirem uma definição sobre o motoqueiro e o piloto de F-1, Big John foi lacônico: “É tudo é uma questão de equilíbrio”.

Mike Hailwood, conhecido como Mike the Bike, pelo sucesso no motociclismo, também saiu das duas rodas para a F-1. Dominou as motos  de 1958 a 1967, competindo pela Honda e MV Agusta. Foi campeão acumulando os títulos da 250, 350 e 500 cc. Emplacou 76 vitórias e 112 pódios

O inglês ingressou na F-1 na Lotus. Competiu em 12 corridas, entre 1963 e 1965. Ai fez uma parada de seis anos e retornou em 1971, a bordo de um Surtees e encerrou a carreira num McLaren semi-oficial em 1974. Mike marcou 29 pontos, subiu duas vezes ao pódio, bateu um recorde de volta nos exatos 50 grandes prêmios que competiu sem sofrer acidentes. 

Ironicamente, depois de percorrer 10 400 quilômetros a 300 km/h a bordo de um bólido de F-1, ele foi perecer num estúpido acidente de trânsito. Mike the Bike morreu juntamente com seus dois filhos menores, Michelle e David, em março de 1981, numa estrada da Inglaterra, perto do condado de Slough, depois que seu carro foi colhido por um caminhão.

Johnny Cecotto foi outro ex-piloto que entrou na Fórmula 1 após eletrizar o motociclismo de 1975 a 1980.Venezuelano de Caracas, ele iniciou sua carreira de forma espetacular, vencendo o GP da França nas 250 e 350 cc e fechou o ano de estréia como campeão da 350.

Cecotto venceu cinco vezes o campeonato mundial de motos, mas não teve vida longa na Fórmula 1. Participou de 18 GPs, entre 1983 e 1984, pela Theodore e Toleman, o melhor resultado foi um 6º lugar no GP dos Estados Unidos-Oeste de 1983, realizado em Long Beach.

Johnny era talentoso, porém o infortúnio encerrou a sua carreira na  classificação da sexta-feira do GP da Inglaterra de 1984. O Toleman que ele pilotava teve uma falha mecânica saiu da pista para um choque violento contra um muro de pedra e o piloto fraturou as duas pernas.

O acidente de Cecotto traumatizou Ayrton Senna, seu companheiro de escuderia. A Toleman chegou a dispensar o brasileiro de competir naquela corrida, mas ele resolveu participar da prova como forma de homenagear Cecotto. Senna fechou em terceiro e dedicou o resultado ao companheiro de time: “Corri pensando no Johnny, a quem dedico esse pódio”.

Assim sendo, ao Super Valentino, só temos de dar as boas vindas ao clube.

Coluna do Burti

O mestre da obra

Quem viu a dobradinha da RBR no GP da Inglaterra, com Vettel em primeiro e Webber em segundo, pode acompanhar um passeio dos carros da equipe austríaca (austríaca de identidade, mas com sede e integrantes da Inglaterra). E o principal responsável por colocar esses carros nos lugares mais altos do pódio é Adrian Newey, o chefe da parte técnica do time (Chief Techinical Officer).

Obviamente os pilotos também tem muito mérito, principalmente Vettel. Ele conquistou a pole-position, volta mais rápida e vitória, ou seja, não deu chance para ninguém. Sem duvida um futuro campeão.

Mas isso só é possível quando se tem um ótimo carro nas mãos. E por onde passou nos últimos anos Newey conseguiu prover tais maquinas. Na Williams Adrian levou a equipe a vencer quatro campeonatos de pilotos, com Mansell, Prost, Hill e Villeneuve e cinco campeonatos de construtores. Depois passou para a McLaren onde venceu dois campeonatos com Mika Hakkinen e um título de construtores.

E devemos lembrar que até o inicio dessa temporada a equipe RBR nunca vencera um GP. Newey entrou na equipe em 2006 e disse que levaria algum tempo para conseguir chegar às vitórias. Muitos inclusive duvidaram, achando que aquela não era uma equipe com tal potencial e que Adrian apenas aceitara o convite por questões financeiras. Bom, agora com duas vitórias esse ano, sendo duas dobradinhas (a outra no GP da China) ficou comprovado que essa equipe é uma das favoritas ao titulo. No momento a única com real capacidade de derrotar a Brawn GP.

Quanto o restante da corrida destaque para os brasileiros. Rubinho foi muito bem e levou a Brawn GP ao terceiro lugar do pódio (a equipe sofreu com desempenho abaixo da média nesse final de semana e o companheiro Button chegou apenas em sexto lugar) e Felipe Massa fez uma ótima corrida de recuperação conseguindo o quarto lugar ao final da prova. Seu desempenho foi muito superior ao de Raikkonen.

A próxima prova é o GP da Alemanha e veremos se a RBR consegue manter essa vantagem apresentada em Silverstone, ou não. A Brawn GP que se cuide.

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