Pano para manga
Nos comentários do post sobre os pitacos do GP da Alemanha, o Luiz Seiji falou sobre o recurso que a McLaren teria implementado nos seus carros e o Alex pede que eu fale a respeito. Bom, vamos lá...
O tal sistema seria comandado por duas alavancas posicionadas atrás do volante, junto às que efetuam as trocas de marcha, que reduziriam o torque do motor.
Com isso, criaria-se um efeito semelhante ao controle de tração, já que mesmo pisando além da conta, nem toda a força do motor seria transmitida às rodas motrizes. Isso explicaria, segundo o que se especula, o excepcional desempenho de Hamilton na pista molhada em Silverstone. Mas, poderia ser ilegal e dar pano para manga.
Bem, vamos por partes. Seiji coloca que o motor de Hamilton está em poder da FIA para análise. Bom, até onde eu sei, isso é um procedimento normal, que ocorre de tempos em tempos com todos os pilotos e equipes, sem relação com o desempenho de Hamilton em Silverstone.
Acho difícil, ainda que a McLaren tenha instalado um dispositivo dessa natureza, que é detectado apenas com uma olhada um pouco mais cuidadosa e mexe com a mudança na regra mais emblemática deste ano, o fim do controle de tração, sem antes consultar a FIA sobre sua legalidade.
Teoricamente, o que está proibido é um recurso eletrônico que interfira no carro para ajudar o piloto. No caso, ao que parece, o piloto é quem aciona um dispositivo que faz essa redução no torque, o que seria permitido. Caberia verificar, à risca no regulamento, se não há algum tipo de interpretação contrária a essa. E esse negócio de interpretar regulamento é complicado...
Por fim, temos ainda uma questão política. Se vocês se lembram, a McLaren Electronic Systems, uma empresa do grupo da equipe McLaren, ganhou a concorrência para fornecer a centralina eletrônica padrão que atualmente equipa todos os carros da Fórmula 1. As rivais podem chiar, relacionando uma coisa com a outra.
Novos capítulos dessa novela devem surgir em breve. Um grande abraço a todos.
(Outra) vaia para Raikkonen
Podem achar que é implicância da minha parte com o finlandês, mas sinceramente a falta de educação e de consideração pelos outros é uma coisa que me embrulha o estômago.
E volto a dizer, sempre fui um admirador de Kimi Raikkonen..
Depois de empurrar o fotógrafo Paul-Henri Cahier, de 56 anos, no grid de Silverstone porque ele teria esbarrado em sua mochila no chão (Cahier garante que nem mesmo isso aconteceu), Kimi pisou na bola de novo.
Ele caminhava no pit lane de Hockenheim e, quando uma mulher veio pedir-lhe um autógrafo, os dois acabaram derrubando uma criança no chão. Kimi simplesmente continuou caminhando como se nada tivesse acontecido.
Aparentemente, ele sequer tocou na menina. Mas eu acredito, e aí é uma opinião profundamente pessoal, que cabia voltar e ajudar a menina a se levantar, dar uma palavra de conforto, mesmo que ela nada tenha sofrido.
O vídeo está aqui, com mais uma bênção do You Tube. A dica foi do colega Fábio Seixas, da Folha de São Paulo.
Pitacos da Alemanha 2008
Pela vitória em Hockenheim, a McLaren deveria pagar a Lewis Hamilton o dobro do prêmio que eventualmente esteja descrito no seu contrato. Afinal, o time inglês quase comprometeu o que seria uma vitória fácil e tranqüila.
Hamilton saiu na pole e abria com extrema facilidade de Massa, tanto que fez sua parada com 11 segundos de vantagem, mais do que suficiente para reassumir a ponta na parada do brasileiro.
O que então seria apenas uma questão de levar o carro até o final da prova mudou completamente quando o Toyota de Timo Glock teve a suspensão quebrada e bateu forte no muro da reta dos boxes. Com o safety car na pista, todo mundo no box.
Todo mundo, menos Nelson Piquet, Nick Heidfeld e Lewis Hamilton.
Piquet contou com toda a sorte que não teve nas primeiras corridas do ano e, depois de largar em 17º, viu o Safety Car entrar no melhor momento possível, imediatamente depois de sua parada. Com todo mundo no box, ele subiu para terceiro e liderou quando Hamilton e Heidfeld pararam.
A BMW fez uma jogada de mestre com Heidfeld, que tinha uma boa quantidade de combustível e estava preso lá no bloco intermediário. Sem parar no safety car, ganhou muitas posições e, depois da relargada, tinha pista livre para abrir uma boa vantagem, suficiente para devolvê-lo na quarta posição. Tivesse entrado no pit com todo mundo, se muito brigaria por um oitavo lugar.
Já Hamilton... Simplificando, a McLaren cometeu uma grande bobagem estratégica. Acreditou que o Safety Car não ficaria na pista mais do que duas voltas e que Hamilton teria condições de abrir o suficiente para, na segunda parada, retornar ainda na liderança. Mas, como Ron Dennis reconheceu, não foi bem isso o que ocorreu, tanto que pediram desculpas pelo rádio, ao final da prova, com o canal aberto para a transmissão da televisão.
O carro de Hamilton, é verdade, estava voando. Mas ele mostrou grande competência ao recuperar a liderança ultrapassando quem estivesse na sua frente, de forma decidida e limpa. Afinal, de nada adiantaria ter o carro rápido e sair da pista ou se envolver em um acidente. Tanto Massa, como Piquet, disseram que não “engrossaram” muito a disputa, pois o inglês estava muito mais rápido.
A mesma competência teve Piquet, que desta vez suportou a pressão sem cometer erros. Alonso fez pouco caso do pódio do companheiro de equipe, creditando o resultado do brasileiro à sorte, mas... Convenhamos, é preciso saber aproveitar quando uma oportunidade aparece.
O espanhol, por sinal, fez uma prova horrível. Tentou ultrapassar no momento errado, perdeu posições seguidas e, no final, ainda rodou sozinho. Alonso, muitas vezes, fala demais. Essa era uma ocasião em que era melhor ter ficado quieto.
E Massa teve que se contentar com o terceiro lugar. Sua corrida, dentro das possibilidades, foi impecável, com um treino classificatório louvável. A preocupação fica por conta da evolução do carro da McLaren, que parece agora estar um passo à frente da Ferrari. O brasileiro, pelo menos, livrou uma pequena diferença para Raikkonen.
Para piorar o clima em Maranello, a próxima etapa será disputada em Hungaroring, circuito que, teoricamente, favorece o carro da McLaren.
E você, o que achou da corrida?
Apostas germânicas
Como manda a tradição, seguem os palpites para o Grande Prêmio da Alemanha. Há chance de a corrida ser disputada com chuva, o que pode aumentar a emoção... espero que assim seja.
Hamilton vence, com Raikkonen em segundo e Massa em terceiro.
E você? Aposta em quem?