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A primeira semana de treinos

05.02.10 - Por Márcio Ishikawa

Os carros da Fórmula 1 voltaram a acelerar esta semana no circuito de Valencia, matando a saudade dos fanáticos. Claro que vale a máxima de que treino é treino, mas com poucos treinos antes do início da temporada, a tática do blefe não deve ser utilizada, ao menos pelo pessoal do primeiro pelotão.

Outro ponto que precisa ser levado em consideração é que o circuito Ricarto Tormo não é dos melhores para fazer a avaliação do rendimento geral de um carro de F-1. Ele tem muitas curvas fechadas e apenas duas curvas que servem como algum parâmetro.

No entanto, a Ferrari mostrou-se constantemente mais rápida que a concorrência e, ao mesmo tempo, não teve problemas de confiabilidade. A quilometragem, por sinal, é o principal ponto desse primeiro treino e as três principais equipes - Ferrari, McLaren e Mercedes (que é a estrutura da campeã de 2009 Brawn GP) mostraram-se constantes e andaram um GP ou mais em cada um dos dias.

Isso faz prever um começo de ano equilibrado entre as três. Há ainda, a expectativa de que a Red Bull se junte a esse clube. Um projeto de Adrian Newey sempre traz boas perspectivas e é preciso lembrar que o carro desta temporada é uma evolução do Red Bull do ano passado, que na média geral foi o melhor bólido do grid. Vettel e Webber só não tiveram chances melhores em relação ao título por conta do polêmico difusor duplo, que não fazia parte do seu carro e foi incorporado após algumas corridas disputadas.

Fora isso, não vejo nenhuma outra equipe com chances de surpreender, como aconteceu com a Brawn em 2009. Talvez a Williams e a Toro Rosso possam beliscar alguma coisa.

Quatro equipes e oito pilotos com carros relativamente parelhos. Vamos torcer para que essa seja a  realidade da Fórmula 1 em 2009. Na próxima semana, nos treinos em Barcelona, poderemos ter um retrato mais apurado de como estará essa relação de forças no grid da primeira corrida no Bahrein.

Chega-prá-lá

27.01.10 - Por Márcio Ishikawa

Não sei se Nico Rosberg tinha algum apreço especial pelo número 3. Mas a verdade é que ele estava previamente inscrito com essa numeração e, com a chegada de Schumacher, acabou sendo relegado ao 4.

Se por um lado isso é uma uma mera bobagem (afinal, hoje em dia quem consegue ver a numeração dos carros?), por outro não deixa de ser uma demonstração de força do heptacampeão. Um sutil 'chega-prá-lá' no jovem compatriota.

Analisando friamente, Schumacher está na dele - com seu currículo, quem irá contestá-lo? Resta a Rosberg ter força mental para não se abalar com isso. Mas, uma coisa é certa: ele vai ser um dos pilotos mais pressionados deste grid.

Para finalizar, que acharam da pintura do carro da Mercedes? Para mim, candidata imediata a mais bela do ano, mesmo sem ver os demais... Um grande abraço a todos!

O alemão voltou

15.01.10 - Por Márcio Ishikawa

Caros amigos, fecho uma semana agitada com o primeiro post do ano aqui no blog. E evidentemente, preciso comentar a notícia que agitou os bastidores da F-1 nos dias antes do natal: o anúncio do retorno de Michael Schumacher. E, diante das circunstâncias, acho que os amantes da categoria só tem a comemorar esta notícia.

O alemão parece ainda muito motivado a correr. Sua aposentadoria teria sido decidida por uma grande pressão familiar. Mas a mulher do alemão, Corinna, talvez tenha percebido que, para Schumacher, seria mais seguro voltar a correr regularmente na F-1 do que ficar se arriscando em provas de moto...

Esta semana, ainda, o alemão estava realizando testes de desenvolvimento do novo carro da GP2. Qual campeão do mundo, sem ter motivação para correr, se dispõe a fazer isso? Quanto à competência, não vejo como alguém em sã consciência contestar isso em Schumacher.

Já disse isso antes. Na minha opinião, o que falta para Schumacher é vencer um campeonato sem as regalias que dispunha na Ferrari ou sem as suspeitas de trapaça que marcaram os campeonatos conquistados com a Benetton.

Se ele vencer um título agora, em uma justa igualdade de condições com o companheiro de equipe, contra adversários qualificados como é o grid desta temporada, será a sua definitiva consagração.

É claro que tudo depende dos carros... mas a princípio ele está na minha lista de favoritos. E na sua?

Lucias di Grassi e o último post do ano

22.12.09 - Por Márcio Ishikawa

Lucas di Grassi foi finalmente confirmado como piloto titular da equipe Virgin em 2010, iniciando um novo ciclo em sua carreira de forma mais do que merecida. O paulistano, atualmente com 25 anos, cresceu na profissão apoiado basicamente no seu talento.

Tive a oportunidade de conversar com ele em duas oportunidades e me chamou a atenção a sua inteligência e a forma consciente com que ele é capaz de analisar uma corrida como um todo. Creio que, diante da proibição do reabastecimento, isso vai contar muito a seu favor, já que os carros devem mudar bastante de comportamento durante a prova.

É evidente que vai depender bastante do carro que a Virgin irá construir, além das próprias condições que o time irá lhe oferecer ao longo da temporada. No entanto, vale dizer que a Manor tem tradição no automobilismo e que a Virgin é extrememente bem sucedida em todos os ramos em que se aventurou, que incluem desde a famosa gravadora à uma empresa dedicada a viagens espaciais.

Um dos grandes momentos da carreira de Grassi foi a conquista do GP de Macau (uma espécie de 'campeonato mundial' que reúne as melhores equipes dos diversos campeonatos de Fórmula 3 pelo mundo) - quem me lembrou disso foi o amigo e jornalista Luis Fernando Ramos.

Confiram, no vídeo abaixo, os melhores momentos desta corrida, que ele disputou correndo pela própria Manor, e vejam com quem ele dividiu o pódio na ocasião. Um bom indicativo, não acham?

Um grande abraço a todos e meus votos de Boas Festas a todos vocês e que a gente tenha um emocionante campeonato na Fórmula 1 em 2010!

O novo sistema de pontuação

11.12.09 - Por Márcio Ishikawa

O Conselho Mundial da FIA anunciou, nesta sexta-feira, a aprovação de um novo sistema de pontuação para a Fórmula 1 em 2010. A nova regra, implementada devido ao acréscimo de equipes no grid, reza que passam a pontuar, em cada corrida, os dz primeiros colocados, no sistema 25-20-15-10-8-6-5-3-2-1.

Devo dizer que minha primeira reação foi de estranheza, já que esse sistema promove uma espécie de americanização da categoria. Algumas considerações:

- Será um bom incentivo para as equipes novatas, que passam a ter mais chance de marcar um pontinho do que em relação ao sistema anterior;

- Mas, como bem lembrou o blogueiro Guilherme Sada, não houve a tão esperada valorização da vitória. Proporcionalmente, a diferença entre o vencedor e o segundo foi mantida;

- Outro ponto estranho é o 'buraco' de dois pontos entre o sétimo e o oitavo, enquanto a diferença do sétimo para o sexto é de apenas um ponto;

- É uma bobagem, mas as estatísticas de "pontos conquistados, pontos por corrida, pontos por temporada" vão todas por água abaixo. Antes, apesar das mudanças na pontuação, elas jamais tinham sido tão radicais;

- Se era para premiar os dez primeiros, eu ficaria com um sistema assim: 20-13-9-7-6-5-4-3-2-1

E você, que pensa dessa mudança? Qual sistema de pontuação você adotaria?

PS: no próximo post, comento a boa notícia da confirmação de Lucas di Grassi no grid da próxima temporada. Mas, adianto: ele merece.

O fim do reabastecimento

04.12.09 - Por Márcio Ishikawa

O grande desafio de equipes e pilotos para a próxima temporada será o fim do reabastecimento durante a corrida. Essa mudança no regulamento, embora à primeira vista possa parecer sem maior impacto, vai trazer grandes modificações na forma como os engenheiros deverão conceber os carros e, para os pilotos, na forma de pilotar durante uma corrida.

Os carros vão ter que ter um tanque que comporte o combustível necessário para toda a quilometragem da prova. Isso implica em mudar a disposição de muita coisa no projeto e, principalmente, na forma como um carro vinha sendo concebido há muitos e muitos anos. Principalmente na questão da distribuição de peso mas, também, em relação às reações do carro durante a corrida, que irá de um extremo (muito pesado) à outro (leve, quase sem combustível).

Quem senta no cockpit também vai ter mais trabalho. O primeiro ponto é que as reações do carro vão variar muito durante a prova. Conversei com Lucas di Grassi, no último final de semana do GP Brasil, e ele diz que, com certeza, vão se dar bem quem tiver uma grande capacidade de adaptação em sua pilotagem.

Outro ponto que Grassi explicou é que, além de se adaptar ao estilo de pilotagem, será favorecido o piloto com mais sensibilidade ao volante, que tenha capacidade de fazer funcionar o que foi acordado com a equipe em relação às paradas para trocas de pneus. Em resumo, o piloto terá que saber economizar pneus quando necessário.

Pilotos como Alonso, Massa e Button podem se dar bem diante desse quadro. Já quem tem um estilo mais agressivo, como Hamilton, pode, por exempol, terminar a corrida sem pneus e perder posições nas últimas voltas - como bem disse o Alex no post passado.

Bem, em primeiro lugar, isso é uma impressão pessoal superficial e, segundo, isso também vai, evidentemente, depender das características dos carros, consumo dos motores e das estratégias de pneus.

E para você, quem pode ser dar bem com essa nova regra?

BlogBlogs.Com.Br

De volta ao front

02.12.09 - Por Márcio Ishikawa

Meus amigos, como expliquei anteriormente, uma série de fatores acabou me afastando deste espaço. A partir de agora pretendo retomar a sua atualização com a mesma frequência de sempre.

Desde o encerramento da temporada, muita coisa aconteceu nos bastidores da categoria, que ainda tem uma série de incertezas. Depois da derrocada de Toyota e BMW, ainda podemos ver a Renault sair de fininho e, para piorar, duas das novas equipes, Lotus e USF1, ainda não mostraram nenhum motivo concreto para crermos que elas estarão alinhadas no grid do Bahrein em março do ano que vem.

Mas hoje eu quero falar é das duplas de pilotos das equipes Ferrari e McLaren.

No lado italiano, o espanhol Fernando Alonso vai finalmente vestir o macacão vermelho e dividir o box com Felipe Massa. Não há dúvidas que se trata de uma dupla forte e que, apesar dos sorrisos e discurso amigável do momento, pode se tornar uma rivalidade intensa dentro de Maranello.

Se Alonso traz com ele o respeito pelo fato de ser bicampeão do mundo e considerado o melhor piloto em atividade na atualidade por muita gente, Massa por sua vez está totalmente ambientado e à vontade, tendo se tornado o centro gravitacional da equipe - papel que, teoricamente, caberia a Raikkonen após o seu título em 2007.

Como essa briga vai se desenrolar vai ser uma das boas atrações da próxima temporada. As forças, a meu ver, estão bem equilibradas. O elo fraco da relação, a meu ver, está no comando da equipe, que pode acabar se perdendo se a temperatura subir demais.

Já nos lados da McLaren, outro campeão - o atual, Jenson Button - desembarca para fazer dupla com Lewis Hamilton. Uma interessante reunião dos dois últimos detentores do título, formando uma dupla dos sonhos para os ingleses, um "all british team".

Button deixou a Brawn - agora já Mercedes - por achar que seu trabalho não tinha sido devidamente valorizado. Certamente vai ver sua conta bancária bem mais gorda que veria na Mercedes, mas tenho certeza que ele fez um movimento mal calculado - a não ser que ele pretenda embolsar o dinheiro para, ao fim do contrato, encerrar a carreira.

Hamilton já provou seu valor e, pelo fato de ainda ser jovem, tem ainda potencial para crescer. Mais do que qualquer outro piloto hoje em dia, ele se sente em casa na McLaren - e ainda por cima vai ter de volta o comando, no dia a dia, de Ron Dennis, simplesmente aquele que bancou sua carreira.

Basta lembrar que Hamilton surpreendeu até a própria equipe em sua primeira temporada, quando acabou brigando de igual para igual com ninguém menos que Fernando Alonso. Conseguirá, então, Button, recém-chegado na equipe, fazer frente ao compatriota?

Para mim, é improvável. Button deve estar com a autoconfiança nas nuvens - talvez o título possa ter lhe feito muito bem nesse sentido - ou então ele colocou realmente o lado financeiro em primeiro lugar.

De qualquer forma, Button também não é nenhum zé ninguém e, talvez, possa provar que estou errado. E, se ele fizer isso, vai se consagrar no hall dos melhores do mundo. Seria uma disputa tão interessante quanto a de Maranello.

E você, que acha das duas duplas? Um grande abraço!

Quem Escreve

Márcio Ishikawa

O editor do site QR escreve aqui antes e depois das corridas da F-1 e dá pitacos sobre a categoria, analisa os bastidores e conta um pouco.
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