Dieter Mateschitz chegou de mansinho, em 1997, como se fosse apenas mais um patrocinador a entrar no circo da Fórmula 1 com o desejo de promover a imagem do seu drinque energético. Patrocinou a Escuderia Sauber ao mesmo tempo em que estudava os bastidores da categoria. Gostou do que viu e foi mais fundo ao comprar a Jaguar, depois que a Ford decidiu deixar a categoria, em 2004.
Bateu o martelo e assumiu a equipe em crise, mergulhada num complexo sistema burocrático. Logo promoveu uma mudança radical e, ao contrário do histórico da Jaguar, que teve estrelas como Bobby Rahal, vindo da Indy, e o tricampeão Niki Lauda no comando, entregou p bastão da equipe para Christian Horner, um técnico sem vocação para vedete, mas com experiência em gestão de equipe, com bons antecedentes nas Fórmulas GP2, F-3 e F3000. Um jovem discreto, que completou 37 anos em 16 deste novembro, mas que não titubeou em saltar numa piscina vestindo apenas uma capa do Super-homem para comemorar o primeiro pódio da equipe, conquistado por David Coulthard, com o 3º lugar no GP de Mônaco 2006.
No fim de 2005, Mateschitz surpreendeu novamente ao adquirir a Minardi, escuderia italiana de Parma que amargava o seu vigésimo ano em déficit, já disposta a sumir da Fórmula 1. Assim, em 2006 surgia a Toro Rosso – simplesmente a tradução de "Red Bull" para o italiano - uma espécie de escuderia júnior, que basicamente serviria para ajudar a descobrir e preparar jovens talentos para o time principal. Mais do que isso, a manobra impediu que o grid da F-1 minguasse para 18 carros.
Mas o austríaco sexagenário, com uma fortuna calculada em 1,5 bilhão de euros (3,7 bilhões de reais) acumulada com a fabricação e comercialização de bebidas energéticas, não foi à luta como mero diletante. Segundo sua mentalidade, se o propósito era o de usar a F-1 como veículo para vender seu tônico, a sua escuderia teria que ser vencedora a médio prazo, o que poucos acreditavam.
A prova de que a Red Bull vinha com filosofia competitiva foi contratação de Adrian Newey, o mais badalado projetista do circo, autor dos Williams e McLaren, campeões de Construtores na década de 90, pagando-lhe 10 milhões de dólares anuais.
Para pilotar os RD1-Cosworth contratou o experiente David Coulthard e o novato Christian Klein. A partida para a conquista da F-1 no grid do GP da Austrália de 2005, emplacando o 4º lugar com Coulthard e o 7º com Klein, estreando com 7 pontos no campeonato de Construtores.
Mas Mateschitz não parou aí. O lance seguinte foi juntar suas equipes no paddock, lançando o Energy Station, um suntuoso edifício de cristal que passou a ser referência nos bastidores dos grandes prêmios. Uma redoma espantosa de 40 por 31 metros na base e 12 metros na altura, construída de aço alumínio e vidro, em três andares – incluindo o solário. A estrutura é versátil, podendo variar seus 16 ambientes de acordo com o local e situação de luz.
O serviço no Energy Station é cinco estrelas e gratuito ao pessoal credenciado do padock – jornalistas, técnicos, celebridades e convidados -- atendidos por belas recepcionistas, que servem bebidas, acompanhadas de exóticos canapés, saladas e até o trivial prato de massa, com um cardápio varia nos três dias de grandes prêmios, supervisionado por dois chefes de cozinha e quatro cozinheiros.
O transporte desse colosso de cristal ocupa nada menos que 24 caminhões e no circuito de Mônaco, onde não existe terreno para o paddock, o edifício móvel da Red Bull vai ao requinte de ser montado sobre uma sofisticada estrutura flutuante. Tudo isso está calculado em um investimento de perto de 450 milhões de dólares, mas
se enganou quem supôs que hMateschitz entrou no circo para concorrer ao prêmio de luxo e originalidade, porque também estipulou a cronologia do sucesso dos seus times.
Ele marcou a temporada de 2008 para chegar às vitórias, 2009 para a afirmação da equipe e 2010 para conquistar o título. Confirmou a primeira etapa com o triunfo de Sebastien Vettel no GP da Itália, com o STR3-Ferrari. Sem dúvidas que 2009 foi o ano da afirmação da escuderia, com a conquista do vice-campeonato de Construtores, (153,5 pontos), à frente de McLaren, Ferrari e Renault. Um título valorizado pelas quatro vitórias de Vettel (vice-campeão de pilotos) e duas de Webber, fechando a temporada com a dobradinha de pilotos em Abu Dhabi.
Agora é esperar pela terceira profecia de Herr Mateschitz: a conquista do título em 2010.
Para quem se tornou bilionário vendendo energia e já assumiu a aura de vencedor na F-1, merece crédito. É esperar para conferir.
Paulo Ribeiro - 27.11.09 @ 11:49
Lemyr, Bom Dia! Como sempre, seus textos são de uma clareza e objetividade impar. Já te acompanho a anos e pelo jeito, vou renovar para as próximas temporadas. Um forte abraço!!!Raphael - 26.11.09 @ 10:26
Boa materia. Já a algum tempo espera alguém falar um pouco da Red Bull que vem se destacadonão só na F1, mas em vários esportes. O "Cara" tem visão!