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O retorno de Schumacher

18.12.09 - Por Lemyr Martins

A notícia do retorno de Michael Schumacher à F-1 ainda é a mais veiculada nas manchetes esportivas do mundo. Não existe um grande jornal do planeta que não tenha se curvado à especulação. Mas, pelo menos agora, a possibilidade já tem local, data e cifras.

O jornal alemão Bild Zeitung, que até desculpou-se por voltar ao assunto com tanta freqüência, garantiu que Michael Schumacher vai se reunir com emissários das Mercedes-Benz, em Stuttgart, na sede da montadora, antes do Natal, num encontro costurado por Willi Weber, o empresário do piloto.

O Bild ainda é mais específico e revela que a proposta está feita: Schumi receberá 7 milhões de euros, R$ 18 milhões, por um ano de contrato, e que Norbert Haug, diretor esportivo da Mercedes-Benz, será o portador  da oferta. A assinatura do contrato só dependerá dos exames médicos do piloto.

É impressionante como esse badalado retorno da Michael Schumacher mexe com a F-1, com seus prós e contra, dependendo dos vários  interesses. Para a Alemanha seria a realização do sonho ter um conterrâneo campeão – no caso octo – com carro e motor germânico.

Bernie Ecclestone, dono das finanças da F-1, acredita em Papai Noel e admite que a volta do heptacampeão à ativa será mágica -- naturalmente pensando em aumento de receita. O dirigente, sempre muito bem informado, faz um jogo de palavras ao afirmar que a especulação virou possibilidade e agora os rumores já são fatos.

Nicky Fry (ex-Brawn), diretor principal da Mercedes-Benz  F-1, não abre o jogo sobre a contratação de Schumi, mas tampouco desmente. Dá alguns sinais da possibilidade ao admitir que mais um campeão mundial – alem de Alonso, Hamilton e Button – promoveria a temporada de 2010. No entanto, garante que antes do Natal a Mercedes anunciará o companheiro de Nico Rosberg nos futuros Flechas de Prata.

Já Nico Rosberg, diplomaticamente, aplaude a vinda de Schumacher: "Eu acho espetacular a possibilidade de formar dupla com o Michel”, enfatizou o alemão ao "Motorsport Aktuell", recusando-se a maiores comentários sobre os demais pilotos que tiveram Schumi na trincheira. Porém, Nico vê como positiva a vinda de um veterano para a equipe pelo fato de que, com a limitação dos testes, a prioridade seria a experiência.

Dos antigos ex-parceiros de Schumacher as opiniões são evasivas. Johnny Herbert, companheiro na Benetton, não discute o retorno, mas acha que tudo será questão de vontade e recuperação de reflexo.  Eddie Irvine, seu primeiro companheiro de Ferrari, não se rende ao oba-oba da volta de Schumi: “Ele é quem sabe o que isso representa” disse o irlandês, referindo-se a volta de Schumacher em 1999, após o terrível acidente em Silverstone, no GP da Inglaterra, quando sofreu fraturas nas pernas, ficou sete corridas  de fora e voltou no GP da Malásia, cravando pole position, volta mais rápida e propiciou a vitória a Irvine.

O tricampeão Niki Lauda não acredita na volta de Schumi baseado em duas interrogações: “Primeiro, será que ele têm disposição para enfrentar outra maratona de F-1? Segundo, vocês já perguntaram se não existe mais compromissos dele com a Ferrari?”

Bem, Luca di Montezemolo diz que o libera sem problemas.

Rubinho Barrichello, que conhece muito bem Schumacher, se mantêm tão misterioso como quando foi anunciada a desistência do piloto em substituir Felipe Massa, após o acidente do brasileiro na corrida da Hungria, com a desculpa de ainda sentia dores em consequência  de um acidente de moto. “Eu acho que tinha outras coisas além da sequela do acidente”, ironizou Rubinho, sugerindo que a causa da desistência do alemão foi a pouca competitividade da Ferrari.

Lewis Hamilton e Jenson Button acham estupenda  a chance de competir contra o grande Schumacher. Fernando Alonso, agora ocupando o trono que foi de Schumi na Ferrari, vê com ansiedade a possibilidade de reprisar novos duelos com o alemão, lembrando os travados em 2005 e 2006, anos em que ele derrotou o heptacampeão.

Schumacher assiste tudo de férias nos Estados Unidos e, já circulam boatos  de que ele se diverte com os rumos da novela, não desmentindo e nem confirmado nada.

"Precisamos de algum tempo, mas o presente será desembrulhado antes do Natal", prometeu Norbert Haug, em recente declaração à  agencia alemã Deutsche Presse Agentur. Se Michael Schumacher estiver no pacote de Natal da Mercedes-Benz, mais do que para a F-1, será um presente para o mundo.

Há que se ressaltar, além do mais, que será uma atitude corajosa do grande piloto. Afinal, é ele  quem vai correr o maior risco. Se ganhar o oitavo título não fará mais do que se espera dele, ou seja, será quase uma obrigação. Mas, se fracassar, irá arranhar a aura de vencedor. 

Bem, enquanto o pacote não é aberto, é bom acreditar em Papai Noel.

Comentários

Luiz Sergio - 18.12.09 @ 06:46

No começo da carreira do alemão na Formula Um, tudo foi pago pela Mercedes Benz, penso que essa divida do Shumi com a Fabrica ainda não foi paga. Shumi tem provado nas pistas que está em plena forma. Penso que nem o Fernando Alonso consegue tirar da equipe o máximo, essa é outra qualidade insuperável do alemão, os títulos na F1 que o Shumi perdeu, depois da saída da Beneton para a Ferrari, o alemão só perdeu por que o seu carro estava inferior, assim mesmo ele conseguia levar a disputa até a ultima prova. Eu já tinha descartado a Mercedes GP da disputa do título de 2010, se o Shumi voltar ela automaticamente vai entrar na briga, com grandes chances de vencer, ainda mais sabendo que o chefe da equipe sr Brawn sabe como ninguém eliminar a disputa interna entre seus dois pilotos, com panes colocadas, táticas erradas, demora nas trocas no box, etc..., etc..., etc... Nico Rosberg, vai ter que ter paciência para esperar novamente a aposentadoria do Shumi, penso que no máximo ele fica uns três anos na ativa.
Quem Escreve

Lemyr Martins

Jornalista especializado em automobilismo, já cobriu mais de 280 Grandes Prêmios in loco.
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