No calor da comemoração da 100ª vitória na MotoGP, no GP da Holanda, Valentino Rossi admitiu que a sua bússola está mesmo apontada para a Fórmula 1. Seu desejo seria mudar das duas para as quatro rodas em 2011.
Dono de títulos mundiais na 125, 250, 500cc e pentacampeão na MotoGP, Rossi nunca escondeu o desejo migrar para a F-1 e correr pela Ferrari - escuderia pela qual já realizou testes nos circuitos de Fiorano e Mugello, com algum sucesso.
“Achei fantástico. Posso ser o substituto ideal de Michael Schumacher”, declarou Rossi, entre a galhofa e o desejo.
Enquanto aguardamos para saber se esse será mesmo o destino de Rossi, é bom lembrar que um motociclista assumir o cockpit de um F-1 não será uma cena inédita na história.
John Surtees foi o maior dessas figuras. O inglês ganhou sete títulos mundiais nas motos, de 1956 a 1960, na 350 e 500 cilindradas, antes de ingressar na F-1, na Lotus-Climax, na temporada de 1960. Ele tornou-se o Big John, ao sagrar-se campeão pela Ferrari em 1964, reprisando o estilo de pilotagem agressiva consagrada nas motos.
Além do título mundial, o currículo de Surtees conta com 6 vitórias, 24 pódios e 180 pontos, competindo também pela Cooper, Honda e BRM.
Em 1970 o Big John tornou-se construtor, lançando os seus modelos TS, com os quais pilotou juntamente com o Derek Bell. Como construtor, Surtees participou de 118 GPs, com seus protótipos de frente baixa, os ”limpa-trilhos” entre 1970 e 1978, somando 58 pontos. O melhor ano da Surtees Racing Organization foi 1972, temporada em que fechou o Campeonato de Construtores em 5º,conquistando 18 pontos, com ele, Andrea de Adamich, Mike Hailwood e Tim Schenken acelerando.
Ao pedirem uma definição sobre o motoqueiro e o piloto de F-1, Big John foi lacônico: “É tudo é uma questão de equilíbrio”.
Mike Hailwood, conhecido como Mike the Bike, pelo sucesso no motociclismo, também saiu das duas rodas para a F-1. Dominou as motos de 1958 a 1967, competindo pela Honda e MV Agusta. Foi campeão acumulando os títulos da 250, 350 e 500 cc. Emplacou 76 vitórias e 112 pódios
O inglês ingressou na F-1 na Lotus. Competiu em 12 corridas, entre 1963 e 1965. Ai fez uma parada de seis anos e retornou em 1971, a bordo de um Surtees e encerrou a carreira num McLaren semi-oficial em 1974. Mike marcou 29 pontos, subiu duas vezes ao pódio, bateu um recorde de volta nos exatos 50 grandes prêmios que competiu sem sofrer acidentes.
Ironicamente, depois de percorrer 10 400 quilômetros a 300 km/h a bordo de um bólido de F-1, ele foi perecer num estúpido acidente de trânsito. Mike the Bike morreu juntamente com seus dois filhos menores, Michelle e David, em março de 1981, numa estrada da Inglaterra, perto do condado de Slough, depois que seu carro foi colhido por um caminhão.
Johnny Cecotto foi outro ex-piloto que entrou na Fórmula 1 após eletrizar o motociclismo de 1975 a 1980.Venezuelano de Caracas, ele iniciou sua carreira de forma espetacular, vencendo o GP da França nas 250 e 350 cc e fechou o ano de estréia como campeão da 350.
Cecotto venceu cinco vezes o campeonato mundial de motos, mas não teve vida longa na Fórmula 1. Participou de 18 GPs, entre 1983 e 1984, pela Theodore e Toleman, o melhor resultado foi um 6º lugar no GP dos Estados Unidos-Oeste de 1983, realizado em Long Beach.
Johnny era talentoso, porém o infortúnio encerrou a sua carreira na classificação da sexta-feira do GP da Inglaterra de 1984. O Toleman que ele pilotava teve uma falha mecânica saiu da pista para um choque violento contra um muro de pedra e o piloto fraturou as duas pernas.
O acidente de Cecotto traumatizou Ayrton Senna, seu companheiro de escuderia. A Toleman chegou a dispensar o brasileiro de competir naquela corrida, mas ele resolveu participar da prova como forma de homenagear Cecotto. Senna fechou em terceiro e dedicou o resultado ao companheiro de time: “Corri pensando no Johnny, a quem dedico esse pódio”.
Assim sendo, ao Super Valentino, só temos de dar as boas vindas ao clube.