Senna, o maior de todos os tempos
Eleger o melhor piloto tem sido uma preocupação que mídia esportiva repete de tempos em tempos. Na década de 40 o escolhido foi Rudolf Caracciona, um alemão espetacular tanto ao volante dos carros esportes como nos grand prix, nos quais foi tricampeão de Condutores Europeus, certame precursor do Campeonato de Fórmula 1.
Carinhosamente apelidado de Caratsch, Rudolf também era chamado de Regenmeister, o rei da chuva, pela habilidade de pilotar no molhado.
Caracciola pilotou para a Mercedes-Benz e Alfa Romeo, de 1931 a 1939 e em 1958, foi apontado como o nº1 do primeiro cinquentenário do século20.
Sempre foi difícil, e nunca unânime, eleger até o melhor piloto de um período ou temporada. Na década de 50, por exemplo, as preferências oscilaram entre Juan Manuel Fangio e Stirling Moss e nos anos 70 entre Jackie Stewart, Emerson Fittipaldi e Niki Lauda.
Foram essas dificuldades chegaram a mudar o critério de eleição. Em 1991, em vez, de apontar o melhor piloto, uma centena de experts, entre jornalistas e técnicos decanos da F-1, esculpiu o piloto ideal, com essas características:
- a coragem de Gilles Villeneuve, que competiu entre 1977 e 1982 e que ultrapassava os limites lógicos da audácia;
- a regularidade e Jim Clark (1960-1968) que não errava nunca;
- a sensibilidade para acertar o carro de Juan Manuel Fangio (1950-1957), de quem diziam sentir as reações do carro na ligação direta ânus-cérebro, através da coluna vertebral;
- a metodologia e tática de corrida de Jackie Stewart (1965-1973), considerado perfeito em toda a corrida; a paciência de Alain Prost (1970-1993), um mestre em saber a hora de atacar;
- a volúpia de vencer de Ayrton Senna (1984-1994).
Pois agora a revista inglesa Autosport organizou uma pesquisa com um grupo de votantes que, sem dúvida, é mais apto a eleger os dez mais da Fórmula 1 de todos os tempos. Um júri de 217 pilotos que apontou Ayrton Senna o maior de todos.
A enquete reuniu figuras de notório saber em matéria de F-1, entre elas o heptacampeão Michael Schumacher, segundo colocado do concurso. Também votaram ícones da velocidade, como argentino Jose Froilan Gonzalez, “El Cabezon”, por motivos óbvios, autor da primeira vitória da Ferrari na F-1, no GP da Inglaterra de 1951 e o alemão Paul Pietsch que, aos de 98 anos, é o mais idoso remanescente da F-1. Um longevo que iniciou a carreira em 1932 na Bugatti, passou pela Auto-Union, Maserati e fechou a carreira em 1953.
Só para relembrar, Ayrton Senna competiu em 162 GPs, em 11 temporadas, e não se classificou no GP de San Marino de 1984. Conquistou 41 vitórias marcou 65 pole positions e consagrou-se tricampeão mundial de 1988, 1990 e 1991. O brasileiro tem 50 vitórias e 3 pole positions a menos do que Schumacher, mas o alemão competiu 88 grandes prêmios a mais que o brasileiro.
Você pode discordar dos 217 pilotos que elegeram Ayrton Senna, mas a indicação, de acordo com Andrew van Burgt, o editor da Austosport, “teve uma base definitiva para indicar Ayrton como a grande estrela”.
Talvez ao usar a metáfora estrela, o jornalista não tenha lembrado que Senna está, literalmente, na galáxia. Ele se transformou na estrela nº 5 2942-1502, no catálogo internacional de astronomia. Um presente da International Star Registry que descobriu a estrela na Constelação de Auriga – cocheiro em grego – e batizou-a com o nome do piloto.
Um pódio perpetuado no firmamento, onde nenhum outro astro da constelação da Fórmula 1 conseguiu chegar.
Se você quiser visualizar a estrela Senna, o momento é oportuno.
Basta apontar um telescópio comum, de 10 centímetros de diâmetro, nas coordenadas de RA (ascensão reta) 6h53min55,43s, em D (declinação) de 37o 56’09.276 - coordenadas explicadas em qualquer observatório -, que ela está lá, fulgurante – entre as constelações de Andrômeda, Touro e Gêmeos. Visível de dezembro a março, meses em que a constelação boreal atinge o seu zênite e a Fórmula 1 descansa.

