QUATRO RODAS - BMW 2002
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Clássicos | Grandes carros
BMW 2002
Junho 2007

BMW 2002

Para preencher a lacuna entre o carro popular e o de luxo, a geração Nova Classe criou o DNA da BMW de hoje

Por Fabiano Pereira | Fotos: Marco de Bari
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Certos carros são como divisores de águas para a história de seus fabricantes. Na trajetória da BMW, pode-se dizer que a chamada Nova Classe (em alemão, Neue Klasse) simbolizou a entrada da marca em sua fase de prestígio atual. Desde 1928, quando foi formada como divisão automotiva de um fabricante de aviões, até os anos 50, a linha da Bayerische Motoren Werke (Fábrica de Motores Bávara) apresentava um vácuo entre produtos simplórios e outros de grande sofisticação.

No início dos anos 60 ainda prevalecia essa disparidade, mas a BMW já sabia que precisava de um carro intermediário para ganhar o volume de vendas que os carros-bolha Isetta (primo da nossa Romi) e 600 não atingiram. Apresentada no Salão de Frankfurt de 1961, a Nova Classe materializou-se no sedã BMW 1500, um projeto 100% novo e que culminaria no celebrado BMW 2002. Era o carro que faltava para a marca passar da então época de apreensão para a atual fase de consagração. O motor 1.5 de 80 cv do 1500 era o primeiro quatro-cilindros da BMW desde os anos 30. Já em 1963 viria a versão 1800 (90 cv), que daria origem às versões de alto desempenho, que podiam chegar a 180 cv. Em 1964, o modelo 1600 - com motor 1.6 de 83 cv - aposentaria o 1500.

O sedã BMW 2000 só nasceu em 1966, trazendo, como indicava o nome, um motor de 2?000 cm3 de 100 cv e agora com faróis retangulares. No mesmo ano nasceu o cupê 1600-2 (a cilindrada e o número das portas, para distingui-lo do sedã 1600), com entreeixos reduzido de 2,55 para 2,50 metros, mas os mesmos 83 cv. Menor e mais leve, seu objetivo era resgatar a imagem esportiva da BMW, perdida nos anos 30. A frente não trazia os novos faróis retangulares do sedã, mantendo lentes simples e circulares. A dirigibilidade, aliada ao visual mais informal, atingira a meta em cheio. O comportamento foi comparado elogiosamente ao dos esportivos Alfa Romeo.

Dos Estados Unidos, veio o pedido do importador Max Hoffman (aquele mesmo que pediu à Mercedes para criar o Asa-de-Gaivota de rua), sugerindo à BMW um carro com a mesma proposta esportiva do 1600-2, porém mais potente. Assim nasceu o BMW 2002, cujo nome espremeu num único número a cilindrada e o total de portas. Uma versão tão bem acolhida que costuma identificar a Nova Classe como um todo. Esta seria enriquecida pelas versões Touring (hatch) e Targa, como o modelo 1973 das fotos.

E foi justamente o BMW 2002 de 100 cv que protagonizou a escalada de potência que passou pelos 120 cv do 2002 Ti até os 170 cv do cultuado 2002 Turbo de 1973, um dos primeiros europeus turbinados. Foi o ponto mais alto de uma carreira que - exceto pela econômica versão 1502, que durou mais dois anos - se encerraria em 1975 com a Série 3, deixando bem claro que seu legado permanece até hoje.





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