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Clássicos | Faixa Branca
Clássicos de competição em Interlagos
Fevereiro 2007

Clássicos de competição em Interlagos

Por Arnaldo Keller
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Fazendo parte das comemorações do aniversário da Cidade de São Paulo, o autódromo José Carlos Pace, esteve em festa, palco do evento Clássicos de Competição entre os dias 25 e 28 de janeiro. Quem esteve em Interlagos pôde apreciar carros clássicos expostos no espaço Túnel do Tempo, assistir corridas da categoria Super Classic, palestras com veteranos pilotos como Luiz Pereira Bueno e Pedro Victor De Lamare, cinema com filmes de antigas corridas e ainda participar de ralis de regularidade com seu próprio carro, além de visitar uma exposição de hot-rods.

Mas as estrelas da festa eram os 55 carros de corrida antigos - bólidos que marcaram época no automobilismo brasileiro e mundial e que preencheram 13 boxes do autódromo, cada um representando uma década. Ali o visitante podia chegar bem perto dos carros para fotografá-los e, se tivesse a sorte do proprietário estar por perto para uma conversa, ouvir histórias da máquina e ver maiores detalhes.

Que tal o Porsche 908 da Equipe Hollywood, com o qual Luiz Pereira Bueno derrotava a todos? Pois ele estava lá, e em perfeito estado. Motor de 3 litros, refrigerado a ar, 8 cilindros contrapostos, 330 cv. Segundo o Luiz, o 908 era um tanque de guerra: ao final de cada corrida bastava trocar o óleo, pneus, e reabastecer, que o carro já estava pronto pra outra.

Também compareceu o inglês Allard-Cadillac 1952, motor V8 de 200 cv, com o qual Ciro Cayres foi o primeiro a baixar dos 4 minutos a volta do antigo circuito de Interlagos. No box da década de 1960, a carretera DKW Mickey Mouse, do Flodoaldo Arouca, conhecido como Volante 13, era a grande estrela. Segundo Jorge Lettry, antigo chefe de competições da DKW, ele a construiu com entre-eixos curto para melhorar o desempenho em circuitos travados, especialmente os de rua. Já em circuitos de alta velocidade, como o antigo Interlagos, ela era muito arisca e só o Arouca tinha jeito com ela.

Estava lá, também, a carretera de Camillo Cristópharo, ostentando o número 18, que talvez seja o carro mais emblemático do evento, representando as bases do automobilismo brasileiro: construído "na raça", com motor V8 Corvette, com mais de 500 cv, câmbio e suspensão traseira do Ferrari Testarossa, exigia nervos e músculos de aço na hora da pilotagem. Com ela, Camillo venceu inúmeras corridas, dentre elas, as Mil Milhas de 1966, em dupla com Eduardo Celidônio, e estabeleceu o recorde do Quilômetro Lançado em 1970 com 236,73 km/h de média, na Marginal do Pinheiros, em frente à raia de remo da USP. Um legítimo furacão das pistas.

Outra bela e importante carretera foi trazida de Passo Fundo, RS, pelo Museu do Automobilismo Brasileiro: a carretera do Catharino Andreatta e Orlando Menegaz, perfeitamente restaurada e em funcionamento. Além dela, o museu trouxe mais 9 máquinas, dentre eles o Karmann-Ghia-Porsche da equipe Dacon, o Opala Hidroplás do Ingo Hoffmann, o Fúria BMW do Jaime Silva, o Fitti-Vê, e dois Fórmula-Vê - um deles campeão nas mãos do Chiquinho Lameirão. Trouxe também o Maverick Berta da Equipe Hollywood, um monstro que dominou a sua época e que Luiz Pereira Bueno dominava como a um poodle.

O primeiro Fórmula 1 brasileiro, o Copersucar/Fittipaldi FD01, foi trazido por Wilson Fittipaldi, que em todos os dias do evento deu algumas voltas de exibição na pista. Wilsinho fez questão de parabenizar seu mecânico-chefe, Paolo, já que o Fórmula está melhor que nunca. Quem esteve no circuito pôde constatar que o motor Ford-Cosworth DFV cantou afinado nas retas e arrepiou quem presenciou.

O Museu de Tecnologia Ville de France, de Itatiba, trouxe o Mercedes 300SL, um monoposto Alfa Romeo da década de 1950 e dois Ferrari, um 250 GTO de 1962 e um 250 Testarossa de 1958. Convidado, fiz o "sacrifício" de pilotar o Testarossa por umas voltas, acompanhando o GTO. Motor V12, 300 cv, carroceria de alumínio, 800 kg. Sabor a cada metro rodado. O som do V12 hipnotiza como o canto da sereia.

O Riley Treen de 1930, que já foi capa da Quatro Rodas Clássicos, estava aos meus cuidados, pois o dono viajara. Seu disco de embreagem estava colado por falta de uso e, limitado a ficar só em 3a marcha (ele tem 4), só pude dar poucas voltas numa das corridas dos clássicos de competição. Enquanto o pace-car segurava a turma, consegui, com a ajuda dos 50 cv do motor 1.100 cm³, "manter a liderança" sobre os Alfa GTA, Mustang Gurney, Carretera, Puma, JK, Porsche Dacon, Fitti-Vê, dentre outros. Porém, assim que o pace-car entrou nos boxes veio uma barulheira danada e numa nuvem de poeira meus concorrentes sumiram adiante, acelerando feito doidos pela reta afora, no bom e velho estilo clássico de competir...

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