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Abaixo, o número que fez fama nas estradas de terra do Sul


O motor V8 que equipa o Chevrolet veio de um Corvette, mas ganhou três carburadores Rochester, também usados nos Opala mais brabos

foi em uma prova pelotas-guaíba, realizada nos anos 60, que o carro desta reportagem bateu todos os recordes de velocidade em uma Carretera: 240 km/h.

 

Carretera Chevrolet Coupé 1939


O V8 aliado ao câmbio de quatro marchas bem escalonado, também herdado do Corvette, convida a andar forte. O curso das marchas é longo e nem sempre preciso, mesmo assim é fácil manter o motor cheio. Quando encaixo a quarta, sinto a tentação do cheiro de gasolina. Esforço-me para apagar da mente as palavras do dono da carretera, o colecionador gaúcho Paulo Trevisan: “Esse carro é recordista de velocidade numa carretera. Numa prova Pelotas–Guaíba nos anos 60, Catharino Andreatta chegou a 240 km/h”.

Como não gosto de bater carro dos outros, penso em outra coisa que não seja acelerar aquele demônio verde e amarelo. Lembro da sua história desafortunada, já que se tornou mais famosa pelas quebras do que pelas conquistas, como a polêmica vitória na Mil Milhas de 1957, nas mãos de Chico Landi e José Gimenez Lopes. Vitória cassada dias depois, porque as luzes traseiras se apagaram durante a corrida, o que era proibido pelo regulamento.

A adrenalina já tinha baixado um pouco, o que me fazia experimentar pela primeira vez os péssimos freios – se é que se pode chamar de freio um equipamento que não consegue parar completamente um veículo. Mesmo com dois discos na frente substituindo o par de tambores originais, a carretera se mostrou indiferente ao pé no pedal. Foi por isso que, na volta aos boxes, tive que passar reto sob o risco de não conseguir passar pela entrada à esquerda. Depois da ré, manobrei e entreguei de volta o Chevrolet nas mãos do dono, sem nenhum arranhão. Saí de lá suado, cansado, mas realizado. Sei que pouca gente nesta vida já viu uma carretera ao vivo. Menos gente ainda dirigiu uma. E pouquíssimos chegaram a pilotá-la. Esse prazer, eu tive.

>>A era das Carreteras
Na década de 30, tornaram-se célebres, no Uruguai e na Argentina, as empolgantes corridas em estradas de terra. A proximidade com os dois países acabou por contagiar o Rio Grande do Sul, que importou o gosto pelas carreteras (estradas, em espanhol). Antigos Ford ou Chevrolet, por exemplo, podiam receber, de transplante, modernos motores de Thunderbird ou Corvette. Estava montado um Frankenstein de corrida. Até nas Mil Milhas Brasileiras, em Interlagos, as carreteras estabeleceram sua hegemonia, entre 1956 e 1959. Ao fim dos anos 60, elas foram perdendo espaço para os carros de série mais modernos, porém continuavam combativas em provas de arrancadas nos anos 70. Atualmente, no Brasil, só existem 18 carreteras genuínas. Seis estão na coleção de Paulo Trevisan, que podem ser visitada no Museu do Automobilismo Brasileiro, em Passo Fundo, RS.




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Se você tem alguma dúvida sobre carros antigos, escreva para a redação! Ela pode ser publicada no próximo especial Clássicos

 

 

 
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