
Os anos 80 trouxeram uma renovação desse segmento, com o conforto e a sofisticação migrando dos carrões V8 dos anos 70 para modelos menores e mais econômicos. O Ford Del Rey, o Chevrolet Monza e o VW Santana, este lançado em 1984, já eram modelos de prestígio com motores de quatro cilindros e versões de quatro portas. Dos três, só a linha Del Rey tinha uma perua, a Scala, com duas portas. Ao chegar, a Quantum elevou o padrão de jogo. Com sua trava elétrica central, os pais podiam levar suas crianças com o devido cuidado e mais conforto.
Pequenas soluções conferiam praticidade e discrição ao interior. O espaço do estepe tinha tampa metálica, assim como vinham fechados os vãos laterais do porta-malas, para guardar ferramentas e outros objetos. Junto ao banco traseiro bipartido ficava a cobertura sanfonada para esconder a bagagem. Com ela fechada, cabiam 394 litros. Até o teto, eram 796 litros. No teste de estréia, na edição de agosto de 1985, Cláudio Carsughi ressaltava a economia - 12,42 km/l na estrada e 8,18 km/l na cidade - do motor AP-800 de 1,8 litro e 94 cv, da versão CG a gasolina.
Com 457 centímetros de comprimento, 255 de entreeixos e 169 de largura, ela tinha porte para encarar a Caravan. O comparativo ocorreu na edição de novembro seguinte, entre a Quantum CG e a Caravan Diplomata de seis cilindros, ambas a álcool, automáticas, com direção hidráulica, vidros e trava elétricos. De cara a Quantum saía na frente pelo desenho atual, mais elegante que o da perua Opala, na época usando pesada maquiagem para disfarçar o estilo dos anos 60 e 70. Luiz Bartolomais Júnior confirmava o melhor consumo da Quantum. Carregada, ela era 49% e, vazia, 55% mais econômica que a Caravan. Para quem escolhesse esta última, a compensação vinha no desempenho: 0 a 100 km/h em 11,73 segundos (contra quase 15 segundos da Quantum) e máxima de 173,9, contra 162,2 km/h. A Quantum se destacou na estabilidade e a Caravan no silêncio e conforto.
A linha 1987 trouxe ajustes no escalonamento de marchas, 2 cv a mais de potência, pára-choques envolventes, a versão simples C e a de acabamento esportivo GL. A topo-de-linha era a GLS, com os faróis de neblina agrupados aos principais. A chave vinha com iluminação embutida e a luz do espelho do quebra-sol direito era automática, mas ar-condicionado, direção hidráulica e câmbio automático eram opcionais.
Quando QUATRO RODAS testou a nova Quantum 2000 GLS, com motor 2.0 de 112 cv, em julho de 1988, a diferença para a Caravan Diplomata diminuiu: 0 a 100 km/h em 11,88 segundos (contra 11,31) e até 164,6 km/h (contra 171,6) de máxima. É essa a versão da Quantum 1990 aqui mostrada, que pertence ao comerciante Anderson Luis dos Santos, de Belo Horizonte (MG), sócio do Santana Clube. O ex-dono a levou à auto-elétrica de Santos em 2003 para um reparo no vidro. "Eu me encantei com a originalidade, a conservação e com todas as revisões feitas em concessionárias", lembra o comerciante.
No início de 1992, veio a segunda geração, redesenhada no Brasil, e motor 2.0 com injeção eletrônica. Esta só chegaria ao 1.8 em 1993. Em 1998, uma reestilização leve integrou pára-choque e grade da cor do carro, aposentou os quebra-ventos e renovou o painel. Era o que sustentaria a Quantum até dezembro de 2001. As peruas importadas já dominavam o segmento que ela havia renovado 16 anos antes.
FICHA TÉCNICA
Motor: dianteiro, longitudinal, 4 cilindros em linha, refrigeração a água, 1 984 cm3, comando de válvulas no cabeçote, carburação de corpo duplo e fluxo descendente, a álcool
Diâmetro x curso: 82,5 x 92,8 mm
Taxa de compressão: 12:1
Potência: 110 cv a 5 200 rpm
Torque: 17,3 mkgf a 3 400 rpm
Câmbio: manual de 5 velocidades (automático de 3 velocidades opcional)
Carroceria: perua de 5 portas
Dimensões: comprimento, 453 cm; largura, 169 cm; altura, 140 cm; entreeixos, 255 cm
Peso estimado: 1 180 kg
Suspensão: Dianteira: independente, McPherson, braços inferiores triangulares, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos telescópicos e barra estabilizadora
Traseira: semi-independente, com eixo em V trabalhando em torção, braços longitudinais tubulares, molas helicoidais e amortecedores telescópicos
Freios: disco na dianteira, tambor na traseira, com servo
Direção: hidráulica, pinhão e cremalheira
Rodas e pneus: aro 13 e tala de 5,5 pol; pneus 185/70 SR 13





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