
O professor responsável pelo projeto, Rigoberto Soler, foi o autor da proeza. Ele dirigiu 30 quilômetros, entre a FEI, que fica em São Bernardo do Campo, e o Salão, naquele tempo realizado no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Escoltado pela polícia, Soler chegou são e salvo. Um fato curioso marcou o périplo. Na saída, o cabo do acelerador se rompeu. Ao ver o protótipo, um morador da região, sem apear do cavalo, perguntou assustado se Soler não tinha se machucado "com a queda do avião". A cena está no livro Mecânica Automobilística, que conta a história da FEI.
O modelo que aparece nas fotos é uma réplica do original, que acabou destruído. Daquele tempo só restou a hélice, guardada pelo atual coordenador do curso de mecânica, o professor Ricardo Bock. "A hélice forneceu o DNA para que ele fosse reconstruído", diz o professor, em alusão ao filme Jurassic Park, que conta a história de dinossauros recriados por cientistas.
Equipado com motor de 40 cv, original do Gordini (modelo fabricado nos anos 60 pela Willys Overland), o X-1 nunca teve a pretensão de voar. Deveria navegar, é verdade. Para isso, vinha com hélice e carroceria de madeira. Mas tampouco chegou a entrar na água.
A transmissão também era do Gordini (assim como as rodas traseiras). Mas, no atual, é do Fusca. Na dianteira, há duas rodas de kart, instaladas bem próximas, como as de um trem de pouso. No clone, o motor é igual ao original. E a carroceria é de fibra de vidro.
Dirigir o X-1 é uma experiência diferente de qualquer outra sobre quatro rodas. O protótipo tem pedais e alavanca de câmbio, nos locais tradicionais. Mas, em vez de volante, ele traz um tipo de manche na direção. Não tive problemas para manobrar. Para virar à esquerda, basta deslocar o manche para a esquerda (e ao contrário, para ir à direita). O mais difícil foi me adaptar à relação manche/roda, que é bastante direta. Para cada centímetro de deslocamento do manche, tinha a impressão de que as rodas varriam algumas dezenas de graus. Ou seja, no início, o carro fazia as curvas mais fechadas do que eu havia planejado.
A posição de dirigir é confortável. Os bancos são de curvim e o console, de carpete. O painel conta com velocímetro, conta-giros, marcadores de temperatura, pressão do óleo, combustível e amperímetro. Mas a estabilidade precária e a ausência de portas e cintos de segurança não inspiram manobras mais radicais. Segundo dados do projeto original, o X-1 poderia atingir 150 km/h de velocidade máxima, no asfalto, e 20 km/h, na água, graças à hélice com "empuxo de 180 quilos". A hélice fica o tempo todo conectada ao motor (ao contrário de outros anfíbios, como os alemães Amphicar e Schwimmwagen). Na água, o câmbio deve ser deixado em neutro.
Hoje ele pode ser visto como uma excentricidade. Mas, nos anos 60, deixou gente sonhado. Num Impressões ao Dirigir publicado por QUATRO RODAS, em julho de 1969, o texto acabava com a seguinte frase: "No futuro, talvez os automóveis sejam assim".
Funciona!
O X-1 foi o primeiro de muitos protótipos que são feitos todos os anos pelos estudantes de engenharia automobilística da FEI. Estima-se que em 44 anos de existência do curso os alunos já tenham produzido mais de 40 projetos. Detalhe: assim como o X-1, todos andavam.





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