
Produzida como 4x2 e 4x4, a picape tinha umagenerosa caçamba com capacidade para 798 quilos. Resistente e robusta, topava qualquer tarefa e era usada principalmente por agricultores e fazendeiros. Mas não fazia feio nos centros urbanos. Porém, a direção proporcionava certo cansaço nas balizas.
Quanto ao espaço interno, os mais altinhos não tinham do que reclamar. Confortável para até três passageiros, graças ao banco inteiriço, viajar a bordo da F-75 estava longe de ser desagradável. Essa configuração só era possível por conta da localização da alavanca de câmbio na coluna de direção. A simplicidade do painel de instrumentos se resumia a velocímetro, nível da gasolina e temperatura do motor. A ventilação era feita por uma abertura basculante próxima ao capô. Hoje utilizado em muitos monovolumes, a picape possuía um porta-objetos sob os bancos. Novas aplicações surgiram: de ambulância e carro de bombeiro a carro-forte e cabine dupla.
Já a versão bélica F-85, de 1962, era usada por Marinha e Exército: contava com pára-choque reforçado, guincho mecânico, pára-brisa rebatível e até canhões e metralhadoras. Logo após a união entre a Willys e a Ford Motors, em 1968, um novo motor foi oferecido opcionalmente, o 3000, de 140 cv. Com essa nova parceria, a Willys pretendia conquistar a confiança do trabalhador do campo até famílias que necessitavam de um transporte espaçoso e confiável. Tanto que naquele ano lançou a F-75 Luxo, que agregava botões cromados, calotas e pneus com faixa branca e pintura saia-e-blusa como opcional.
Em 1970, a empresa deixou de se chamar Ford-Willys e virou Ford do Brasil. Aos poucos a Ford substituiu os veículos da Willys, descartando a marca no Brasil. Dois anos depois, a Pick-up tirava a nova "cédula de identidade", batizada de Ford F-75.
Resistentes, as F-75 sempre foram sinônimo de elogios entre seus fiéis proprietários e admiradores, como é o caso dos restauradores de carros antigos Fábio e Ricardo Landroni, que possuem há 20 anos a F-75 4x4 1979 azul mostrada nesta reportagem. Quem a vê hoje nesse estado não imagina o que esta picapinha já enfrentou no sítio dos dois proprietários, em Indaiatuba (SP), quando pertencia ao avô deles. Hoje, a F-75 se encontra com 81 000 quilômetros originais e ainda possui o manual do proprietário.
Em 1983, a última picape deixava a linha de produção, em São Bernardo do Campo (SP), na versão 4x4 e com motor a álcool de quatro cilindros (2 300 cm3), o mesmo que equipava o Maverick.
Preço
Modelo 4x2 Standard:
Janeiro de 1971: CR$ 17 138
Atualizado: R$ 54 185
Motor: BF-161,4 cilindros em linha, 2300 cm3, longitudinal, refrigerado a água, comando de válvulas no cabeçote, alimentação por carburador
Diâmetro x curso: 79,4 x 88,9 mm
Potência: 90 cv a 4 400 rpm
Torque máximo: 18 mkgf a 2 000 rpm
Câmbio: manual de 4 marchas, tração 4x4
Carroceria: picape, 2 portas, 3 lugares, aço estampado sobre chassi de duas longarinas
Dimensões: comprimento, 486 cm; largura, 188 cm; altura, 184 cm; entreeixos, 299 cm
Peso: 1561 kg
Suspensão: Dianteira: eixo rígido com feixe de molas semi-elípticas e amortecedores de dupla ação. Traseira: feixe de molas semi-elípticas e amortecedores de dupla ação
Direção: setor com rosca sem-fim
Rodas e pneus: aço, aro 16; 215/70 R16




