
Testado por QUATRO RODAS ainda em fase experimental, em 1973, o jipe tinha o motor 1300 do Fusca. Mais tarde viria uma opção mais potente, o 1600, versão álcool e gasolina. Em relação ao antigo bugue, o conjunto ganhou resistência com a adoção de uma estrutura tubular revestida de fibra de vidro. O sistema, patenteado como "Plasteel", garantia o monobloco por 100000 quilômetros contra corrosão e torções. As mudanças na suspensão traseira, que recebeu amortecedores e molas helicoidais, contribuíram para melhorar o condicionamento físico do utilitário e o conforto dos passageiros. Mas a grande novidade era o sistema Selectraction, uma quase prosaica solução. Nas palavras da fábrica, "bloqueio seletivo nas rodas traseiras". O efeito dos freios independentes é praticamente o de um diferencial autoblocante, com custo bem mais baixo.
Do visual quase militar faziam parte um guincho manual na frente com 25 metros de cabo e pás embutidas nas laterais. O XT, abreviação de Xavante, passou por testes feitos pelo Exército e pela Marinha e teve desempenho comparado com o de veículos com tração nas quatro rodas. Segundo o projetista Ari Rocha, amigo e colaborador informal de Gurgel, por motivos de segurança as Forças Armadas questionavam o uso da fibra de vidro nos equipamento militares. Em caso de acidente ou explosão, eventuais fragmentos não poderiam ser detectados por raio X. Gurgel passou a desenvolver um pigmento que fosse "visível", mas não prejudicasse a resistência do material.
Em 1975, o jipinho recebeu modificações, ganhou aspecto mais "civilizado". E a fábrica mudou-se da Zona Sul de São Paulo para o interior, mais precisamente, a cidade de Rio Claro. Desapareceram os implementos laterais, e o estepe, antes aparente sobre o capô, ficou encoberto por ele - no futuro, iria para a traseira. No ano seguinte, o X-12, ganhou a opção de teto rígido, chamada TR. Logo depois, de olho no mercado jovem, ele vestiu jeans: bancos, portas e teto eram de tecido azul desbotado. Grandes pneus traseiros tipo dune buggy reforçavam o jeito descontraído.
Ao mesmo tempo em que vinha conquistando usuários por todo o país - os Xavante podiam ser vistos nas praias transportando turistas, trabalhando na roça, fazendo serviço militar ou patrulhando cidades. O jipe também atravessou fronteiras e chegou a fazer boa figura entre nossas exportações. Poucos carros mereceram tantos elogios ao longo de anos de testes na revista QUATRO RODAS. Os textos exaltavam a robustez e o conforto oferecido aos passageiros. Na edição de junho de 1978, o modelo agradou pela "extraordinária resistência" e pelo baixo consumo: média de 11 km/l.
Na hora de atravessar maus caminhos, ele mostrava a determinação de um bandeirante, graças ao vão em relação ao solo de 33 centímetros e a ângulos de entrada e saída de 63 e 41 graus, respectivamente. Mas, no asfalto, seus feitos eram mais modestos. Os freios não primavam pela eficiência e sua rodas traseiras tinham ímpetos de varrer a pista. Ainda assim, posso testemunhar a seu favor: sem capota e com velocidade estabilizada em torno de 90 km/h, apsear do ruído, o nível de satisfação é o de um conversível. O carro que você vê é 1988 - daí para a frente o jipe ganharia o nome de Tocantins. Pertence aos comerciantes de automóveis Bruno e Fábio Gianinni, pai e filho. Vale o aviso: os dois nem pensam em fazer negócio com ele.
Teste QUATRO RODAS (agosto de 1978)
ACELERAÇÃO: 0 a 100 km/h......33,4s
VELOCIDADE MÁXIMA: 109 km/h
FRENAGEM: 80 km/h a 0......36,1m
CONSUMO (média): 11km/l
Ficha técnica (modelo 1978)
Motor: Traseiro, 4 cil., ref. a ar, 1584 cm3
Potência: 60 cv (4600 rpm)
Torque máximo: 12 mkgf (2600 rpm)
Câmbio: 4 marchas, tração traseira
Carroceria: Conversível, fibra de vidro
Dimensões: Compr., 344 cm; larg., 170 cm; alt., 173 cm
Peso: 750 kg
Suspensão: Diant.: barras de torção em feixes; Tras.: semi-eixos articulados, molas helicoidais
Freios: Tambor nas quatro rodas
Direção: Setor e rosca sem-fim
Preço (nov/1977): 97917 cruzeiros
Preço atualizado: 44300 reais




