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Clssicos | Grandes brasileiros
Fiat 147
Outubro 2002

Fiat 147

Pequeno por fora e bem resolvido por dentro, ele virou smbolo de racionalidade com seu econmico e eficiente motor 1050

Por Srgio Berezovsky / fotos: Marco de Bari
Lista de matrias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

O X Salão do Automóvel só se pensava naquilo. Era a tal da crise do petróleo. Naquele fim de 1976, era a economia de combustível que pautava as atrações. Até a Chrysler, em seu Charger R/T, na época o mais caro automóvel nacional, fez modificações mecânicas que possibilitavam o uso de gasolina comum em lugar da azul (de maior octanagem e, portanto, mais cara). No estande da Volkswagen ocupavam lugar de destaque os protótipos movidos a álcool, alternativa ao petróleo, em grande parte importado.

 

Foi nesse Salão que a Fiat fez sua estréia brasileira. E a recém-inaugurada fábrica de Betim (MG) não poderia estar mais afinada com o momento ao apresentar o seu 147. Ele era uma completa novidade, mas não um segredo. Afinal, o carrinho já tinha sido visto em anúncios de TV enfrentando provas curiosas. Em uma delas, o carrinho desceu os 365 degraus da escadaria da Igreja da Penha, no Rio de Janeiro, para demonstrar a robustez da suspensão.

Derivado do 127 italiano, nosso Fiat concentrava as expectativas em torno do motor de 55 cavalos. Com 1049 cm3 de capacidade cúbica, seu anunciado apetite comedido magnetizava as atenções. Além do baixo metabolismo, o motor transversal, solução inédita até então entre os nacionais, possibilitava melhor aproveitamento do espaço da cabine. Graças à boa altura, ninguém ficava cabisbaixo no seu interior. Quatro pessoas viajavam com certo conforto.

Dois anos depois da apresentação do 147L e do modelo standard, esse mais voltado para os frotistas, chegaram o GL - com o interior mais bem acabado - e o topo de linha, o GLS, com motor 1300. No mesmo ano foi lançada a picape, que inaugurou a moda dos pequenos utilitários derivados dos carros. Em 1979 saiu uma versão "brava", batizada de Rallye: seu motor era o mesmo do GLS, mas vinha com carburador de corpo duplo. Seguindo a trajetória inovadora, a Fiat lançou no mesmo ano o primeiro carro a álcool feito em série. Novidade mesmo era a posição de dirigir do 147. Com o volante quase na horizontal, o motorista senta-se ereto, já que banco reclinável era opcional. Mas a "amplidão" da cabine compensava.

No interior monocromático do modelo GL 1979, cor marfim Copacabana, que você vê nas fotos, o conforto é ainda maior que nos modelos mais simples. Ele veio equipado com bancos reclináveis de encosto alto, revestidos de veludo, tudo de série. Passado o estranhamento com a posição, dirigi-lo é uma brincadeira. Os pedais, pequenos e próximos, são de acionamento suave, assim como a direção, leve porém sem assistência. Entretanto, é preciso "esgrimar" com a alavanca até vencer a resistência do câmbio de quatro marchas em aceitar a primeira. Mas vale uma atenuante no caso do "nosso" GL: com apenas 7000 quilômetros rodados, o acionamento do câmbio apresentava o típico engate justo dos carros novos.

O motor 1050 é valente. Num comparativo feito pela QUATRO
RODAS entre o 147 e a Brasilia, sua rival (edição de janeiro de 1977), houve praticamente um empate, apesar de o concorrente da Volks contar com motor 1600 (mais precisamente 1584 cm3). Fez de 0 a 100 km/h em 20,5 segundos, contra 21. Perdeu por pouco na máxima: bateu nos 132 km/h, enquanto a Brasilia chegou aos 136 km/h. Na média do consumo o 147 levou fácil: fez 13,04 km/l, enquanto a rival ficou nos 11,25 km/l.

>> Veja os testes do carro na edição

Andando pelas ruas de São Paulo com o 147, percebe-se que a suspensão encara o piso acidentado sem acusar os golpes. Absorve bem as irregularidades e não treme nas curvas. Aliás, no teste de lançamento (edição de novembro de 1976), o Fiat foi considerado o mais estável carro nacional produzido em série. Sua boa distribuição de peso e a grande distância entre-eixos em relação ao comprimento, mais os pneus radiais de aro 13, respondem pelo feito. No preço, Brasilia e 147 andavam juntos, por volta dos 44 500 cruzeiros, valor equivalente hoje a cerca de 20 000 reais.

O Fiat 147 logo ganhou status inversamente proporcional a seu tamanho. Fazia o gênero despojado-chique, que se contrapunha aos carros grandes e beberrões, vilanizados naquela fase de humor instável dos sheiks do petróleo. Econômico, moderno e com a esbelteza dos seus 3,62 metros e 780 quilos, o carrinho virou logo figurinha fácil na paisagem brasileira.





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