QUATRO RODAS - Jeep Willys
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Clássicos | Grandes brasileiros
Jeep Willys
Junho 2003

Jeep Willys

Com a resistência herdada dos antepassados condecorados na Segunda Guerra Mundial, ele ajudou a construir o Brasil

Por Sérgio Berezovsky / fotos: Marcelo Spatafora
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Assim como as carroças ficaram como símbolos da colonização do Oeste americano, a linha Jeep da Willys ficou no imaginário dos brasileiros como um símbolo da era pré-asfáltica do país. Procure fotos das obras de Brasília e é bastante provável que eles (o próprio jipe, que ganhou o nome de Jeep Universal, a Rural ou a picape F-75) façam parte da cena, ao lado de engenheiros, topógrafos e operários.

O Jeep é a versão civil do veículo projetado e fabricado por encomenda das Forças Armadas americanas. Em plena Segunda Guerra, ele foi concebido a toque de caixa em oito dias por Karl Knight Probst, que levou apenas outros 35 para planejar as linhas de montagem. O carro seguia à risca o pedido feito pelos militares: um veículo pequeno, ágil e com capacidade para rebocar um canhão antitanque através de um lamaçal. Ainda que o nome Jeep traga a reboque a marca Willys, o utilitário foi fabricado também pela Ford. E não só aqui, quando a montadora americana assumiu o controle da Willys Overland do Brasil em 1968. Durante a guerra a Willys não dava conta dos pedidos das Forças Aliadas. E foi a Ford que deu origem ao nome Jeep, ao identificá-lo pelas iniciais GPW (General Purpose Willys - veículo de uso geral Willys). A incorporação da marca concorrente se deveu ao uso de vários componentes mecânicos, como o chassi.

As iniciais GP ("dji pi", como são pronunciadas em inglês) se tornaram a marca registrada Jeep.

Condecorado por bons trabalhos nos campos de batalha, o Jeep partiu para a vida civil. No Brasil, onde começou a ser fabricado em 1957, puxou arado, abriu estradas e até como carro de auto-escola foi usado. Já nos primeiros quilômetros ao volante deste modelo 1963 que aparece nas fotos, percebe-se sua disposição para o trabalho pesado, proporcionada pelo motor de seis cilindros com 90 cavalos e câmbio de três marchas. A primeira (que não é sincronizada) é bem curta. Pode ficar na reserva e ser convocada apenas nas saídas em aclive. Com a folga da direção se acostuma em pouco tempo, mas o enorme volante entra em atrito com quem tem alguns bons quilos a mais, como é o meu caso.

Durante nossa curta convivência, que durou uma manhã, ninguém ousou apressar sua marcha zen. Tampouco alguém cortou sua frente. Bom, pois os freios a tambor estão mais para o ritmo de valsa que de samba de breque e pouco podem fazer numa frenagem de emergência. Na chuva, os pneus cidade-campo deixam a operação de parar ainda mais delicada, de acordo com Antonio Peres, o proprietário do jipe verde Sumatra, restaurado de acordo com os padrões originais. É verdade que algumas melhorias foram feitas. Quando saiu da fábrica este jipe só tinha uma lanterna traseira. E não tinha luzes de direção e muito menos pisca-alerta. Retrovisor interno pra quê? Agora ele tem tudo isso. Mas ainda conserva o original limpador de pára-brisa a vácuo. E se durante um aguaceiro o passageiro quiser ver o que se passa à sua frente, vai ter de acionar a palheta por meio de uma manivela.

Em 1962 foi lançada uma segunda versão, com chassi estendido. O Jipão, ou "Bernardão" (provavelmente em homenagem à cidade de São Bernardo do Campo, onde ficava a fábrica da Willys), tinha 51 centímetros a mais e era oferecido com duas ou quatro portas, podendo transportar seis e oito passageiros, respectivamente. Com um comportamento no fora-de-estrada que o habilita a disputar provas até hoje, o Jeep sente o peso dos anos quando roda no asfalto. Experimente cruzar uma lombada. O jipe vai encará-la com tranqüilidade. Já os ocupantes terão a sensação de estarem sendo ejetados do banco. A suspensão com molas semi-elípticas parece amplificar as irregularidades do terreno.

Seu desempenho também está aquém dos limites de velocidade de nossas estradas. A velocidade de cruzeiro fica entre 70 e 80 km/h. No teste de QUATRO RODAS (janeiro de 1964), sua máxima foi de 118 km/h e a aceleração de 0 a 100 km/h foi feita em 26,8 segundos, transportando uma carga de 200 quilos. O consumo, classificado na época como razoável, hoje levaria à falência o fabricante - e provavelmente o proprietário que dele dependesse para uso diário. Na estrada fez 5,5 km/l durante o teste. E, na cidade, nada mais que 3,6 km/l. Foram poucas as modificações feitas ao longo da vida do Jeep fabricado no Brasil. A mais significativa ocorreu em 1976, quando trocou o velho seis cilindros pelo motor OHC do Maverick, de quatro cilindros, e câmbio de quatro marchas. O conjunto trouxe mais economia e melhor desempenho ao utilitário, que foi fabricado por aqui até 1982.





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