| |
Usado do Mês
Fiat Tipo*
Ele tem jeitão de mico, mas
sabendo comprar é uma das melhores relações
custo/benefício do mercado
Por José Carlos Chaves
Fotos: Marcelo Spatafora
Você deve estar me chamando
de maluco. Onde já se viu falar que o Tipo é
uma boa compra? Se você estiver perguntando se não
é aquele que virou um mico porque pegava fogo, eu respondo:
era, mas não é mais. Antes que alguém
conte a piada que diz que o Tipo foi o primeiro Fiat com um
genuíno motor Fire, a gente explica. Vindo da Itália
em 1993, o modelo inundou o país graças a uma
reduzida alíquota de importação. Começou
com o 1.6 (82 cavalos) e no ano seguinte vieram o 2.0 SLX
(109 cavalos) e o 2.0 16V (137 cavalos). Ganhou até
uma versão nacional de 1996 a 1997.
O carro vendia mais que cerveja em
desfile de pentacampeão, até que uma série
de incêndios queimou sua imagem. Chegaram a criar a
Associação de Vítimas de Incêndio
em Tipo (Avitipo), que computou cerca de 100 casos de combustão
espontânea. A Fiat foi obrigada a fazer dois recalls
em 1996, para a troca da mangueira da direção
hidráulica e da tubulação de combustível.
O fluido de direção vazava e pingava no escapamento,
dando origem ao fogo.
Agora vem a parte boa. O problema
só afetava o 1.6 importado. As outras versões
estavam livres da sanha pirotécnica. Nem por isso deixaram
de se desvalorizar. E ainda bem, porque hoje você compra,
por exemplo, um 1.6 1996 pelo preço de um Palio EDX
1.0 de mesmo ano, levando de brinde mais motor, mais equipamentos
e mais espaço aliás, o grande destaque
do carro. De série, direção hidráulica,
vidros e travas elétricos, limpador traseiro e regulagem
de altura do volante.
O melhor negócio é o 1.6 nacional, o queridinho
dos compradores. Mas também pode apostar no importado,
tomando o cuidado de checar o número de chassi na Fiat
(08007071000) ou passar numa autorizada para conferir se o
reparo foi feito. Evite os SLX, que empacam nas lojas, pois
são mais beberrões e nem sempre estão
bem cuidados.
Quem gosta de acelerar vai se apaixonar
pelo 16V. É um raro caso de esportivo usado bem-visto
pelos lojistas. Custa quase o mesmo que o SLX, é mais
completo bancos Recaro, rodas de liga leve, volante
de couro, tudo de fábrica e tem um motor de
dar inveja. No teste da QUATRO RODAS de janeiro de 1995, cravou
100 km/h em 9,85 segundos e atingiu 206,7 km/h. Foi definido
como feroz e uma macchina, digna de admiração.
Onde mais você consegue isso a partir de 8400 reais?
Mas não ponha a mão
na carteira sem antes passar a lupa na tampa de trás.
Feita de plástico injetado, exige mão-de-obra
especializada. Muitas vezes, só trocando a peça
inteira.
Se estiver rachada ou quebrada, não
vale a pena arriscar. A manutenção está
na média dos concorrentes, lembrando o que foi publicado
no desmonte do Tipo 1.6 em março de 1996. Quanto
à parte mecânica deste Fiat, não há
de que reclamar (...). O motor, apesar dos problemas com carbonização,
jamais ameaçou deixar-nos na mão. O câmbio,
desmentindo a tradição negativa dos Fiat, saiu-se
bem. Os freios passaram apenas por desgastes naturais e a
suspensão (...) adaptou-se bem às difíceis
condições de nosso piso.
Na época, pesou contra o serviço
autorizado, que trocou peças fora de hora e reinstalou
as que eram necessárias, jogando o preço final
lá em cima.
Até que, por se tratar de um
usado mais antigo, encontrar peças não é
tarefa das mais árduas. Apesar de raras no mercado
paralelo, não faltam nas concessionárias. Para
quem não lembra, o Tipo compartilha com o Tempra vários
itens, como os de suspensão, freio e motor no
caso dos 2.0.
Caso a sorte sorria pra você
com um carro com airbag, não desperdice a chance. O
preço de tabela é o mesmo. Diferente do ar-condicionado,
que custa de 500 a 1000 reais a mais.
Para saber mais sobre a história
e outros cuidados na hora da compra desse carro, a dica é
o site do Clube do Tipo (www.clubedotipo.com.br),
que também serviu como consultor para esta reportagem.
* Reportagem publicada na edição
de agosto de 2002
da revista QUATRO RODAS
|