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Usado do Mês
Renault Scénic*
Dá pouco problema e todo mundo
quer comprar. Mas o desgaste da suspensão e dos bancos
traseiros exige atenção na hora da compra
Por José Carlos Chaves
Fotos: Marcelo Spatafora
A minivan é um fenômeno
recente no Brasil. Começou para valer em março
de 1999, com a Scénic, que só foi sofrer resistência
em maio de 2001, com a Zafira e a Picasso. Até então
reinou sozinha e arregimentou adeptos, que não poupam
elogios ao conforto, ao espaço interno e à confiabilidade
mecânica. Prova disso é o primeiro lugar obtido
no índice de satisfação do proprietário,
na primeira edição da pesquisa OS ELEITOS da
revista QUATRO RODAS. Na edição seguinte, em
2002, a Scénic ficou em terceiro no geral, mas levou
o primeiro lugar na categoria.
Mas antes de sair visitando lojas,
uma rápida biografia do modelo antigo, com faróis
mais estreitos. Há basicamente carros 1999 e 2000 (até
existem os 2001, porém ainda são raros), divididos
em RT 1.6 16V (110 cavalos), RT 2.0 (115 cavalos) e RXE 2.0.
De série, direção hidráulica e
vidros elétricos em todas. A RXE traz duplo airbag
e ar-condicionado, opcionais nas outras duas.
Não estranhe que a RT 1.6 16V
seja mais cara que a RT 2.0 (compare os preços abaixo).
A razão é a potência semelhante, a maior
fartura de 2.0 no mercado de usados e o fato de o motor 1.6
16V ser mais moderno. Então aqui vai a primeira dica:
a RT 2.0 é uma excelente compra, pois é mais
barata e seu motor se dá melhor na cidade, sem a preguiça
inicial característica dos 16V.
A grande regra na compra da Scénic
cara velha é o ar-condicionado. Nas RT,
sua ausência reduz o preço (pode cair em até
2500 reais) e dificulta e muito a revenda. Se
não quiser ganhar mais um integrante na família
para o resto da vida, só compre com ar. Parece exagero?
Olha como não é: uma loja particular de São
Paulo tenta há mais de um ano vender uma RT 1.6 2000
por 26900 reais.
Já uma Scénic em bom
estado (e com ar) não dura muito tempo na revenda.
Para encontrar o carro da foto ao lado, por exemplo, tivemos
que procurar em cinco autorizadas de São Paulo. Então
não bobeie. Quando achar o que procura, feche rápido
o negócio, senão outro leva.
Antes de colocar qualquer minivan na sua garagem, abra o olho
para dois problemas mecânicos. O primeiro é a
suspensão, que não suporta maus tratos. Com
excesso de carga, costuma jogar a toalha antes do tempo. Se
possível, peça para um mecânico verificar
amortecedores, molas e buchas.
Para a direção hidráulica,
um teste prático. Vire o volante até o fim do
batente e segure. Sem ruído, está aprovada.
Se fizer um clec-clec-clec, a caixa de direção
precisa de reparos.
Os bancos traseiros exigem um olhar
com lupa. Você sabe, Scénic leva muita criança,
que fica pulando pra cá e pra lá. Logo, não
é raro encontrar manchas ou pequenos rasgos. No test
drive, não estranhe se eles fizerem barulho como se
trepidassem. É uma doença crônica da antiga
Scénic. Com o tempo, os três assentos batem um
no outro. Às vezes, um reaperto de parafusos resolve.
Na versão reestilizada, o problema foi solucionado
com estofamentos mais gordinhos e revestimento
de feltro nas laterais.
Na opinião de consumidores
e lojistas, a Scénic é um carro de baixa manutenção.
No entanto, quando resolve fazer uma visitinha à oficina,
é só reclamação, devido ao preço
das peças*. O amortecedor traseiro custa 131,05 reais
e as pastilhas de freio ficam em 150,75. Caro se comparado
a um Palio, com respectivamente 47,16 e 73,73 reais. A rede
autorizada de 180 revendas, muito pouco perto dos 604 pontos
de uma Volkswagen, também não ajuda.
* Reportagem publicada na edição
de fevereiro de 2002
da revista QUATRO RODAS
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