CARROS
> Testes
> Impressões
ao dirigir
> Comparativos
> Usado do Mês
> Longa Duração
> Resumo dos testes
> Metodologia

É aqui que o bicho pega

Apesar do visual mais agradável, o estofamento com cores claras suja-se com mais facilidade. Fique atento a manchas nos bancos, ainda mais nos traseiros. Nos modelos 2001 em diante, o revestimento ganhou cores mais escuras.


Um problema comum são as dobradiças que rangem com o acúmulo de poeira nessa área. Pode ser um sinal de que era muito usada em estradas de terra ou na praia. Veja todas as portas antes de comprar


Evite adquirir uma Parati que não tenha o suporte para bagageiro. Segundo a maioria dos lojistas consultados, além de “prejudicar” a estética do carro, você ainda vai ter mais trabalho na hora de vender a perua

 

 


Usado do Mês

Volkswagen Parati*
Uma minivan é muito cara e você precisa de espaço para levar a família à praia? Pense então em uma perua robusta e boa de revenda

Por Adriano Griecco
Fotos: Marco de Bari

Como unir baixo orçamento e espaço suficiente para viajar com a família levando um monte de bagagem? Se pensou numa minivan usada, esqueça, pois uma Scénic 1.6 1999 – a mais barata – não sai por menos de 23000 reais*. Quer uma boa sugestão? Parati na cabeça. Além de custar menos, tem duas grandes virtudes: robustez e facilidade de revenda.

A primeira é conseqüência de uma mecânica simples e aperfeiçoada há três gerações. A segunda deve-se à boa procura no mercado de usados. Por isso os vendedores aceitam o modelo em qualquer negócio e até reduzem suas margens de lucro em troca de um capital de giro rápido.

Dê preferência aos modelos de cinco portas. São indiscutivelmente mais práticos para a família e mais fáceis de revender. Agora vamos às motorizações. As mais procuradas são a 1.0 16V e a 1.6 Mi. Se estiver querendo trocar de carro, mas a grana está curta, prefira a 1.0 16V. Além do preço mais camarada – em média 2000 reais a menos que a 1.6 –, o consumo é quase 15% menor. Mesmo com menor cilindrada, ela não decepciona na cidade, ainda que não empolgue tanto nas retomadas e acelerações mais fortes. Outro detalhe: a versão 1.6 deixou de ser fabricada em 2001, logo após o lançamento da versão 1.0 16V Turbo. Em seu lugar ficou a 1.6 a álcool.

As demais versões perdem em procura e oferta. Porém, se a velocidade vive no seu sangue, a melhor relação custo/benefício está na 2.0 e na 1.0 Turbo. Nesse caso o comprador deve prestar atenção no estado da suspensão e do motor, itens que são mais exigidos em um veículo com vocação esportiva.

A Parati tem três gerações distintas (1984, 1994 e 1998). Se o bolso permitir, vale a aposta na geração 3. Assim você leva um carro mais novo (leia-se com menor custo de manutenção) e com menor desvalorização. De janeiro a agosto deste ano, a geração 3 desvalorizou em média 3,7% ao mês, contra 6,3% da geração 2. E ainda perde menos valor que suas concorrentes, Fiat Palio Weekend (5,5%), Chevrolet Corsa Wagon (4,2%) e Ford Escort SW (3,9%). Por falar em concorrência, um ponto negativo da Parati é sua capacidade de carga. Com 360 litros, seu porta-malas perde para o da Palio Weekend (384) e para o da Escort SW (385).

Descarte uma Parati sem ar-condicionado e direção hidráulica. Você vai passar calor nos passeios e na hora da revenda, tudo por uma diferença de uns 1000 reais*. Vale a pena gastar mais algum tempo procurando um modelo mais equipado.

Quando for batalhar pela sua Parati, cuidado com os antecedentes. Se o antigo dono for um pai de família que usa o carro principalmente na cidade, assine o cheque. Mas há um tradicional perfil de dono de Parati que assusta os lojistas: jovem na casa dos 25 anos, jeitão de surfista e que recheou o carro com adesivos de artigos ligados a surfe.

Os surfistas adoram fazer bate-volta – ir à praia e voltar no mesmo dia. Isso pode significar areia nos cantinhos escondidos, carroceria atacada pela maresia – o que pode trazer alguns pontos de ferrugem –, bancos molhados com água salgada e suspensão muito exigida nas serras. O acionamento dos vidros pode denunciar esse tendência praiana. Depois de muita poeira, as borrachas podem ficar ressecadas, gerando ruído ao levantar ou abaixar os vidros.

Mesmo com a fama de robusta, é comum surgir algum problema na caixa de direção. Lombadas e buracos desgastam as buchas e causam folga entre as peças e, conseqüentemente, no movimento da direção. Para tirar a dúvida, faça um test drive. Se virar o volante e o carro demorar a responder, pode ter o defeito. Na dúvida, recorra a um mecânico. Mas não se assuste com o conserto: não custa mais do que 100 reais.

* Reportagem publicada na edição de outubro de 2002
da revista QUATRO RODAS



 
Veja outros "Usados do Mês"