Usado do Mês

Chevrolet Kadett*
Mesmo fora de linha desde 1998, o modelo ainda atrai interessados num carro 1.8 ou 2.0 barato, bem equipado e fácil de manter

Por Alexandre de Freitas
Fotos: Marcelo Spatafora

Lançado em 1989, o Kadett sempre teve seus fãs, o que explica ele ter ficado na ativa até 1998, apesar de manter nesses anos todos seu design quase intocado. No mercado de usados de hoje, é a mesma história. Apesar do estilo e projeto ultrapassados, ele tem lá seus adeptos. Seja para quem busca o segundo carro da casa, bem equipado, barato e com um motor mais potente, seja para o casal que não quer gastar demais apenas para comprar um automóvel com tudo a que tem direito.

A manutenção é o que mais seduz essa turma. As peças são fáceis de achar e custam pouco. Só não é recomendado para famílias, já que a falta da opção quatro portas dificulta o acesso.

Pelo mesmo preço de um Gol 1.0Mi básico 1999, que custa 11600 reais*, dá para encontrar um Kadett GLS 2.0 com um acabamento melhor, direção hidráulica, ar-condicionado e trio elétrico.

Para se dar bem, prefira as versões GL e GLS, fabricadas em 1997 e 1998. São de longe as melhores opções. Por terem injeção eletrônica multiponto – é basicamente o mesmo motor do Vectra – e design mais moderno que os demais – foi reestilizado em 1997 –, não exigem esforço na hora da revenda.

Mesmo que você seja do tipo halterofilista, não dispense a direção hidráulica. O sistema mecânico, pesado demais, fez muita gente instalar o equipamento depois de sair da revenda. É por isso que vender um Kadett sem assistência hidráulica exige tanta ginástica

A voz do dono - “Hoje tenho um GL 2.0 98 a gasolina completo, menos ar-condicionado, que adquiri há três anos. Este é meu segundo Kadett. O primeiro foi um SL/E 91. Gosto do carro. É confortável e apresenta baixo custo de manutenção, mas o 98 com direção hidráulica é bem melhor. Sem o equipamento ele é muito pesado. Aqui em Brasília, uma cidade plana, ele faz 10 a 11 km/l.”
Anderson Arantes Silvestrini, 30 anos, Brasília (DF)

Nós dissemos - “Somando tudo, o Kadett GL 2.0 MPFI venceu a disputa, com apenas um ponto de diferença em relação ao Corsa Sedan GL 1.6 e dois a mais que o Escort 1.8 16V de cinco portas. (...) O amplo bagageiro do Kadett acomoda quatro malas sem problemas. Até sobrou espaço. Entretanto o compartimento rouba conforto dos passageiros que viajam atrás.”
Quatro Rodas, Fevereiro de 1998

Conversível? Sem conversa - Até hoje o design do GSi seduz quem gosta de acelerar. No seu lançamento, em 1991, a QUATRO RODAS apontava a modelo, com 121 cavalos, como o melhor esportivo nacional da época. Para embarcar nessa, é bom saber que não é uma versão tão fácil de vender, mas está longe de ser um mau negócio. Quem compra não se arrepende, desde que esteja em ótimo estado. Prefira a cor branca, a mais procurada. Pára-choques precisam estar inteiros, especialmente o dianteiro, só encontrado em revendas ou desmanches. O motor tem de estar em ordem. Apesar de ter injeção MPFI, suas peças são importadas, diferente dos MPFI mais recentes. Se não for um colecionador, nem passe perto de um GSi conversível, um tremendo mico das lojas. A capota já apresentava infiltrações quando era zero-quilômetro. Imagine agora, com oito anos de uso*.

* Reportagem publicada na edição de fevereiro de 2004
da revista QUATRO RODAS


Onde o
bicho pega


PORTAS - Não estranhe se ouvir um rangido ao abrir as portas. É um problema crônico de praticamente todas as versões do Kadett. Lubrificação e reaperto de parafusos podem resolver o problema.

SUSPENSÃO - Os modelos produzidos entre 1989 e 1996 podem apresentar um incômodo barulho na dianteira. Se for o caso, é porque chegou a hora de trocar as bandejas, serviço que custa cerca de 250 reais*.


PAINEL DIGITAL - Se a versão escolhida for um GSi, cheque o painel digital. Caso esteja quebrado, desista. Em geral é necessário trocá-lo. É uma peça rara de achar na concessionária – onde custa cerca de 2000 reais. Outra opção são os similares do paralelo, ao valor de 260 reais, porém de qualidade bem inferior ao original.


INJEÇÃO ELETRÔNICA - Prefira os motores com injeção MPFI (multiponto), que são mais econômicos. Como era novidade na época, a injeção EFI (monoponto) dos modelos 1992 a 1996 necessita de manutenção mais constante. Uma revisão no sistema sai por 300 reais, em média.

PORTA-MALAS - Veja se a pesada tampa traseira pára aberta. Em modelos mais antigos, os amortecedores podem estar gastos. Cada um custa em média 90 reais.

 
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