| |
Usado do Mês
Toyota Corolla*
O aspecto é conservador, mas oferece
conforto de primeira e excelente desempenho. E o melhor de
tudo: é um verdadeiro cheque visado na hora de revender
Por Ricardo Lopes
Fotos: Marcelo Spatafora
Se você
procura um carro usado e se preocupa principalmente com o
estilo, certamente o Toyota Corolla antigo não é
o seu carro. Mas, se na sua lista entram conforto, pouca manutenção
e facilidade na hora da revenda, então é melhor
conhecer mais sobre esse carro de ar comportado. Antes de
tudo, é bom saber o quanto foi difícil encontrar
pontos fracos no Corolla. Grandes reclamações,
mesmo, só dos mecânicos: Se fosse depender
desse tipo de carro para viver, estava frito. Não quebra,
disse um deles.
Se a manutenção é
uma das grandes virtudes do Corolla, ao mesmo tempo pode se
tornar um dos problemas. Nosso consultor técnico Fábio
Fukuda explica que, por ter boa durabilidade, as peças
são mais caras que a média da categoria. Por
isso, não descuide das revisões periódicas.
Para evitar esse tipo de encrenca, Fukuda dá a dica:
O mais comum é a falta das trocas de óleo.
Para saber se todas foram feitas da maneira correta, é
só verificar a tampa do óleo na parte
superior do motor e ver se não tem borra lá
dentro, explica. É fundamental, claro, conferir
no manual do proprietário se foram realizadas todas
as revisões obrigatórias.
Comparado aos seus concorrentes, o
Corolla se sai bem. Na edição de fevereiro de
1999, a QUATRO RODAS fez um comparativo com seu maior rival,
o Honda Civic. Apesar do empate técnico, a reportagem
ressaltava algumas qualidades do Toyota: Se você
busca performance, desempenho, força no motor, o Corolla
é campeão. Não é para menos.
O motor 1.8 16V da Toyota tem 116 cavalos, 10 a mais que o
1.6 16V do Honda. O modelo ainda se dá bem quando o
assunto é seguro, assim como o Civic. O preço
médio é de 1700 reais* para um modelo 2000
mais em conta que os 2300 reais* de um Vectra.
Outro detalhe importante são
os acabamentos. Um puxador da maçaneta, que costuma
quebrar com certa facilidade, custa cerca de 50 reais*. Porém
o problema não é o preço e sim a dificuldade
de encontrar esse tipo de peça nos estoques das concessionárias.
Aliás, é justamente a rede autorizada uma das
poucas reclamações dos consumidores. São
apenas 88 pontos de assistência técnica* espalhados
pelo Brasil, contra os mais de 500 da Volkswagen.
A versão mais procurada entre
os consumidores é a XEi, que vem com ar-condicionado,
duplo airbag, trio elétrico, roda de liga leve e CD
player, tudo isso a partir de 20000 reais*. Tome muito cuidado
com a versão XLi, na qual o ar-condicionado era um
acessório. Por incrível que pareça, existem
raros Corolla sem ar. Nem cogite a hipótese de levá-lo,
senão é casamento na certa.
A versão SE-G é mais
indicada para quem busca um sedã mais equipado, com
freios ABS e bancos de couro.
Para quem trabalha com carros usados,
o Corolla é um dos poucos modelos em que os avaliadores
não encontram dificuldades na inspeção.
É um modelo que passa na mão de poucos
donos, por isso não chega a ser malhado, afirma
o vendedor Carlos, da concessionária Collection, de
São Paulo.
Quem compra o Corolla costuma mesmo
ficar um bom tempo com o carro. É o caso do comerciante
Julio Sakoma, de Curitiba (PR). Ele possui um modelo 1999
desde zero-quilômetro. Comprei o carro por achar
durável. Ele está com 50000 quilômetros
e parece novo, diz. Nos planos de Sakoma, o Corolla
não sai da sua garagem por pelo menos mais dois anos.
Se a opção começou
a ficar mais interessante, é bom ficar atento. Se encontrar
um de que você goste, feche logo o negócio. Caso
contrário, vai ser difícil encontrar outro.
No mercado de usados, é um dos poucos modelos
que não encalham nos estoques. É como um cheque
visado, diz o analista do mercado automotivo Renato
Ferreira da Silva. Para a situação atual,
em que a venda de veículos não está fácil*,
possuir um carro com venda garantida por um preço justo
é o melhor negócio do mercado."
Não
compre mico por lebre - Ao comprar um Corolla usado,
prefira sempre o nacional, feito aqui a partir de 1998. O
modelo importado é bom do ponto de vista mecânico, mas não
faz sucesso no mercado. Não é raro uma loja empurrar um de
1998 como se fosse o brasileiro. Seja por má-fé ou ignorância,
encontramos alguns vendedores jurando que o importado era
o nacional. Identificá-lo é simples: tem faróis redondos,
grade tipo colméia e, geralmente, cores berrantes. Apesar
de barato (17700 reais, contra 20000 reais do nacional*),
tem um motor 1.6 16V de 107 cavalos. Se encontrar um desses,
é mico certo.
* Reportagem publicada na edição
de novembro de 2003
da revista QUATRO RODAS
|