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Carros | Usado do mês
Renault Mégane Grand Tour
Outubro 2011

Renault Mégane Grand Tour

A perua média agarda quem quer espaço, segurança e estilo, mas panes e pós-venda deficiente afetaram sua imagem

Por Felipe Bitu | foto: Marco de Bari
Lista de matÉrias por data:

TAMANHO DA LETRA  

As peruas médias nunca foram tão esquecidas como agora. Houve época em que elas faziam a alegria das famílias brasileiras, mas a concorrência das minivans, SUVs e crossovers sufocou esse nicho de mercado, dominado hoje quase que exclusivamente pela Mégane Grand Tour. A perua surgiu no fim de 2006, seduzindo o público com sua capacidade de 520 litros do porta-malas. O estilo era próprio, mais elogiado que o do sedã, mas dele vieram o cartão eletrônico (para abrir portas e ligar o motor) e a dirigibilidade, favorecida pelo bom acerto de suspensão e pela direção elétrica, leve e precisa.

Havia duas motorizações: 1.6 16V Hi-Flex (115/110 cv, álcool/gasolina) ou 2.0 16V (138 cv, a gasolina) - esta com câmbio manual de seis marchas ou automático sequencial de quatro, capaz de interpretar o modo de dirigir do motorista.

A versão Dynamique era a única, trazendo arcondicionado, computador de bordo, freios a disco nas quatro rodas (com ABS e EBD) e airbag duplo. A top Privilège só veio em 2008, com sensores de chuva, farol e ré, retrovisores retráteis, ar digital e som com MP3 e disqueteira. Muito segura, a Grand Tour obteve na época a pontuação máxima de cinco estrelas nos testes de impacto EuroNCAP.

Mas nem tudo eram flores: o padrão de qualidade deixava a desejar quando comparado às rivais, e as primeiras unidades sofreram com uma série de problemas, como para-brisa trincado e panes elétricas. O pós-venda também maculou sua imagem, com reclamações de peças caras e dificuldade de fazer reparos que resolvessem seus problemas. Para reverter as vendas baixas, em 2008 ganhou a versão de entrada Expression, apenas com motor 1.6 16V e menos itens de série - perdeu as rodas de liga leve e o bagageiro no teto.

A Grand Tour só começou a vender bem no fim de 2010, quando passou a ser oferecida em versão única (Dynamique 1.6), em um pacote fechado de equipamentos. O preço promocional abaixo dos 50000 reais aumentou a demanda, mas fez com que o preço das seminovas despencasse.

 



FUJA DA ROUBADA

Cuidado com as primeiras Grand Tour, fabricadas até 2007. Houve uma série de panes elétricas e problemas diversos, como para-brisa trincado, fechaduras inoperantes e portas desalinhadas. Algumas não tiveram todos os problemas solucionados durante a garantia, fazendo delas verdadeiras bombas-relógio.

 



NÓS DISSEMOS
Julho de 2006


"Seu interior repete a receita encontrada no sedã. No painel, feito de plástico agradável ao olhos e aos dedos, são círculos para todos os lados, incluindo os marcadores, os botões do arcondicionado, a base da alavanca de câmbio (...). O espaço interno é bom e a cabine é ampla graças ao entre-eixos de 2,69 metros. (...) O porta-malas tem bom acesso e comporta, com a cobertura plástica puxada, 520 litros (...). Na pista de interlagos, a perua mostrou que tem conjunto motriz acertado. (...) A suspensão é complacente demais em curvas e permite que a carroceria incline além do desejável. A contrapartida é um rodar mais suave em pisos acidentados."

 



PREÇO DOS USADOS (EM MÉDIA)


Dynamique 1.6 16V
2007: 33 539
2008: 35 281
2009: 39 318
2010: 41 842

Privilège 2.0 16V
2007: -
2008: 37 990
2009: 45 117
2010: 54 802

 



PREÇO DAS PEÇAS

Para-choque dianteiro
Original: 918
Paralelo: 350

Farol completo (cada um)
Original: 860
Paralelo: 800

Disco de freio (cada um)
Original: 226
Paralelo: 250

Retrovisor (cada um)
Original: 469
Paralelo: 513

Amortecedor diant./tras. (cada um)
Original: 280/278
Paralelo: 390/363

 



PENSE TAMBÉM EM UM...

Peugeto 307 SW



Você não sabe se fica com a Grand Tour ou se parte para uma minivan? Que tal uma Peugeot 307 SW? O formato da carroceria (assim como a altura interna) lembra o de um de monovolume, mas sua posição de dirigir é baixa e a tocada é mais esportiva, como numa perua. Para quem tem filhos pequenos, o teto de vidro panorâmico é uma atração à parte e o pacote de segurança é superior ao da Renault, com seis airbags (frontais, laterais e de teto) e controles de estabilidade e tração. A desvantagem fica por conta da baixa altura do solo e das peças de reposição, mais caras que as da Renault.

 




ONDE O BiCHO PEGA


Cartão eletrônico: Verifique se o cartão-chave se encontra em bom estado: uma unidade nova não sai por menos de 600 reais.

Embreagem: A trepidação no sistema é comum e só pode ser eliminada com a substituição do conjunto e retífica do volante do motor. Nos 1.6 Hi-Flex, o reparo fica em torno de 800 reais, mas nos 2.0 pode chegar a 1300 reais.

Portas desalinhadas: Nesse caso, elas são difíceis de abrir ou fechar e podem apresentar ruídos nas borrachas de vedação com o carro em movimento. A maior dificuldade é diferenciar uma porta desalinhada de fábrica da trocada após um acidente. Na dúvida, peça a opinião de um funileiro.

Direção: Falhas na assistência elétrica da direção indicam mau contato no chicote elétrico ou problema na fixação do módulo do sistema. Em casos graves, é preciso substituir todo o conjunto, que custa mais de 4000 reais.

Vedação: Consequência do alinhamento imperfeito das portas (incluindo tampa do porta-malas), procure por vestígios de poeira em cantos no interior. Cheiro de mofo é sinal claro de infiltração de água.

Acabamento: Verifique o estado das laterais de porta (não devem estar descascadas), maçanetas internas (podem estar soltas) e difusores de ar (devem estar íntegros). São peças difíceis de encontrar.



A VOZ DO DONO



"O custo-benefício da Grand Tour é imbatível: ela é bem espaçosa e confortável e tem motor 1.6 16V que combina desempenho e economia, além da segurança dos freios ABS e do airbag duplo. O único defeito do carro fica por conta da desvalorização acentuada. O preço dela no mercado de seminovos é muito baixo."

Adriano Andreotti, 46 anos, analista de sistemas, Curitiba (PR)

O QUE EU ADORO

"O espaço interno merece destaque, pois é o principal responsável pelo conforto da Grand Tour. O porta-malas de 520 litros é muito bom, cabe tudo e mais um pouco."

Rafael Merlo, 39 anos, engenheiro, Porto Alegre (RS)

O QUE EU ODEIO
"O assoalho vive raspando com facilidade em qualquer desnível. Por isso, acho a altura livre do solo inadequada para as condições brasileiras."

Adriana Carvalho, 42 anos, servidora pública, Rio de Janeiro (RJ)





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