
Estilo nunca foi o forte do Nissan Tiida. Mas basta uma breve experiência ao volante para perceber que seu estranho jeitão de hatch com minivan tem méritos que encantam até o mais reticente dos críticos. A primeira virtude surge ao abrir a porta: um excelente aproveitamento do espaço graças aos bancos altos, ao teto elevado e às caixas de roda pouco intrusivas. Também chama atenção o capricho do acabamento, simples mas bem executado: plásticos de boa qualidade com encaixes bem feitos, no melhor estilo Honda e Toyota.
Apresentado em 2007 como modelo 2008, tinha duas versões. O Tiida S trazia direção elétrica (e com regulagem de altura), trio elétrico, ar-condicionado e airbag de motorista. O SL ganhava airbag duplo, ABS, ar digital, faróis de neblina, teto solar e bancos e volante de couro. O diferencial ficava por conta da regulagem de altura do banco do motorista e do banco traseiro corrediço e reclinável, que amplia o discreto porta-malas de 289 litros para bons 463 litros.
O desempenho também agrada: o 1.8 16V de alumínio com comando variável destaca-se pela grande elasticidade: tem 90% do torque máximo já a 2 400 rpm e gira com suavidade mesmo além da rotação de potência máxima (124 cv a 5 500 rpm). O motor flex surgiu no modelo 2009, mantendo a taxa de compressão - por isso não passava dos 125/126 cv. Outro destaque é o câmbio manual de seis marchas, de engates precisos e relações próximas, que lhe confere agilidade e ótimas marcas de ruído e consumo (9,8 e 14,6 km/l no teste QUATRO RODAS). O mesmo não ocorre com o automático, que só tem quatro marchas.
O Tiida mudou pouco desde o lançamento: as mais significativas se resumem à garantia (de dois para três anos na linha 2009) e a uma leve reformulação visual no modelo 2010, em grade e faróis. Outra vantagem está no seguro: pouco visado e bem colocado no índice de reparabilidade Cesvi, é o mais baixo do seu segmento, apesar de as peças de reposição serem caras.
Reflexo inegável da sua baixa aceitação no mercado é a alta desvalorização dos veículos mais novos, motivo pelo qual é possível encontrar exemplares em excelente estado a partir de 34 000 reais.

"O teto é alto e o entre-eixos, de 2,60 metros, é quase do mesmo tamanho dos de Focus e Vectra GT. O painel é de plástico sólido e tem desenho conservador, mas as peças têm encaixes precisos e os botões são claros e grandes. Mas o espaço que sobra na cabine escasseia no porta-malas. Com apenas 289 litros, o Tiida tira o Golf, com 330 litros, da lanterna. (…) O Tiida surpreendeu na pista de testes. São 124 cv vindos do motor 1.8 e cerca de 20 cv a menos que Focus e 307. (...) Foi melhor que Golf e Vectra - que têm motor de 2 litros. O segredo está no câmbio de seis marchas (...) que mantém o motor sempre cheio."

Ele nem de longe apresenta o mesmo espaço interno do Tiida, graças ao entre-eixos menor, mas agrada em cheio quem procura um carro de excelente dirigibilidade e ótima qualidade de construção. A versão mais interessante é a 1.6, que é bem mais econômica e não perde em prazer de dirigir para a 2.0. Outra vantagem é a boa liquidez, por ter sido um produto que pouco mudou em mais de 12 anos no mercado. O grande pênalti fica no valor da apólice de seguro, o maior da sua categoria.

Coluna de direção: Problema recorrente e que já foi abordado na seção Autodefesa de janeiro deste ano: uma falha na especificação do lubrificante cria folgas nas juntas, que fazem barulho. Só pode ser solucionado com a troca do conjunto de juntas da coluna, por 1 200 reais.
Acessórios: As concessionárias oferecem grande quantidade de acessórios, como faróis de neblina, central multimídia e sensor de ré, mas a qualidade da instalação varia bastante. Vale pedir a opinião de um autoelétrico, verificando especialmente se foi colocado um fusível para cada acessório.
Amortecedores: O Tiida tem um rodar bem firme, de tal forma que basta uma voltinha para identificar um amortecedor condenado. A troca do par dianteiro não sai por menos de 2000 reais e a peça não é encontrada no mercado paralelo.
Tambores de freio: Podem estar ovalizados, situação comum para quem força demais o acionamento do freio de mão. A retífica dos tambores é uma solução simples e barata, mas em casos extremos só a troca resolve. O reparo fica em torno de 750 reais na autorizada.
Forro do teto: Na versão S, o revestimento pré-moldado do teto é enorme e pode ceder com o tempo. O conserto em tapeçarias automotivas é simples e sai por uns 120 reais.

"Adoro meu Tiida: há espaço e conforto de sobra e a posição de dirigir é excelente. Ao volante, transmite muita segurança, o motor é vigoroso, o freio, suave e de fácil modulação e a direção, leve e precisa. A única ressalva fica para a ausência do travamento automático das portas, indispensável nos grandes centros urbanos."
Maria Fernanda De Marchi, 28 anos, advogada, São Paulo (SP)
O QUE EU ADORO
"É o carro urbano ideal: pequeno por fora e grande por dentro. O banco traseiro deslizante é bem útil, possibilitando sempre o melhor aproveitamento de espaço."
Leo Szterenzys, 46 anos, diretor executivo, São Paulo (SP)
O QUE EU ODEIO
"O motor poderia ser ainda mais elástico, pois é prejudicado pelo câmbio automático de apenas quatro marchas. O pós-venda é sofrível e as peças são caras."
Marcelo Oliveira, 40 anos, administrador de empresas, São Paulo (SP)




