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Mitsubishi L200
Abril 2007

Mitsubishi L200

Resistência e aptidão off-road são os pontos altos da picape. Cuidado apenas para não tropeçar na grande variedade de versões

Por Erick Boccia | Fotos: Ricardo Rollo e Marco de Bari
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Desde que começou a ser montada no país, em 1998, a L200 construiu uma imagem de veículo robusto. Com cerca de 800 unidades vendidas por mês, a picape ainda é a menina dos olhos da Mitsubishi. A receita do sucesso tem como ingrediente uma acertada estratégia de marketing, que estimula os donos de L200 a usarem-na em provas off-road organizadas pela própria fábrica. Por tudo isso, ela é, sem dúvida, uma boa opção especialmente para quem quer colocá-la na terra.

O problema é acertar qual comprar. De 1998 para cá, foram mais de 15 versões da picape e cinco variações de motor. A boa notícia é que mesmo a mais simples (GL 1998 com motor 2.5 de 87 cv) vem com ar-condicionado, direção hidráulica e bloqueio do diferencial. A dica é começar a procurar a partir da GLS ano 1999, que tem 118 cv e acabamento um pouco mais caprichado. Se você tem mais dinheiro, invista numa Sport GLS HPE a partir de 2003. São 141 cv, além de um visual um pouco mais moderno, bancos de couro, airbag e ABS - algumas têm até câmbio automático. "Os equipamentos ajudam a valorizar a Sport, porém o mais importante nela é o estado de conservação", diz Vítor Meizikas, diretor da Molicar, empresa especializada em cotações de usados.

Suas peças não estão entre as mais caras, mas as revisões nas concessionárias - cobradas em média a 1 500 reais e recomendáveis a cada 10 000 quilômetros - fazem os donos caírem para trás. Mas isso não é problema, já que há por todo o Brasil uma série de oficinas especializadas em Mitsubishi e, além disso, a manutenção da L200 é relativamente simples.

O modelo também tem revenda rápida - nas concessionárias, às vezes há fila de espera para uma usada - e ainda premia o dono com uma das menores desvalorizações do mercado: 7% ao ano, contra 12% das concorrentes. Só a Hilux perde tão pouco.


Fuja da roubada

Cuidado com as personalizações de motor que alguns proprietários fazem na L200. Modelos assim podem dar dor de cabeça na hora da revenda.


A VOZ DO DONO

"Comprei a L200 Sport pela necessidade que tenho de encarar trechos de off-road pesado e estradas esburacadas pelo interior do Pará. O que mais me agrada na picape é a robustez do conjunto e a dirigibilidade. Mas não gosto do atendimento da concessionária de Belém. Na revisão de 20 000 quilômetros, nem nota fiscal quiseram me dar."
Fábio Póvoa, 30 anos, juiz, Novo Repartimento (PA)

O QUE EU ADORO

"É uma das picapes mais resistentes que já tive. Dá pouca manutenção. Também admiro a estabilidade, principalmente em estradas sinuosas."
Erley Ayala, 34 anos, empresário, São Caetano do Sul (SP)

O QUE EU ODEIO

"Estou com um problema sério de superaquecimento do motor. A Mitsubishi não encontra o defeito. Também acho que falta força, mesmo na versão com 141 cv."
Rafael Cerqueira, 29 anos, publicitário, Curitiba (PR)


Nós dissemos
Julho de 2000
"A picape da Mitsubishi mostrou muito fôlego e construção esmerada. Apesar de seu motor ter apenas 87 cv, na aceleração de 0 a 100 km/h só perdeu para a S10. Carregada, ela superou todas as concorrentes no quesito dirigibilidade. Devido à regulagem de suspensão, foi a que menos sentiu os 800 quilos de carga. É também a mais barata, embora traga equipamentos que nenhuma das concorrentes tem, como bússola, altímetro e inclinômetro (para medir a inclinação do terreno). (...) Ela é robusta e, a exemplo da Hilux, tem seu uso voltado mais para o trabalho. Dirigi-la na cidade, apesar dessa vocação, porém, é bastante simples. A direção hidráulica da Mitsubishi é macia e o carro oferece boa visibilidade."


Preço dos usados (em média)*

2001
GLS 2.5- 47 300
Sport HPE Mec. - -
Sport HPE Aut. - -

2002
GLS 2.547 300- 52 200
Sport HPE Mec. - -
Sport HPE Aut. - -

2003
GLS 2.547 300- 52 200
Sport HPE Mec. - 66 100
Sport HPE Aut. - 69 160

2004
GLS 2.547 300 - 54 600
Sport HPE Mec. - 68 100
Sport HPE Aut. - 71 300

2005
GLS 2.547 300 - 58 200
Sport HPE Mec. - 71 500
Sport HPE Aut. - 75 800

* Valores em reais, coletado em março

Preço das peças*

ORIGINAL
Amortecedor dianteiro (par) - 220
Pastilhas de freio dianteiras - 188
Kit de embreagem - 683
Bandeja superior direita - 821
Filtro de óleo - 39

PARALELO
Amortecedor dianteiro (par) - 160
Pastilhas de freio dianteiras - 170
Kit de embreagem - 520
Bandeja superior direita - -
Filtro de óleo - 32

* Valores referentes á versão Sport manual 2003


Pense também em um...
Toyota Hilux

Nem a chegada da nova versão, em 2005, abalou a Hilux antiga. Sua resistência e durabilidade, mais o impressionante torque de 32,2 mkgf, são sinônimo de satisfação. Falta conforto, graças à suspensão dura. O acabamento interno e a lista de equipamentos também são espartanos. Procure pelas versões SRV, com motor 3.0. Têm melhor desempenho e são mais fáceis de revender depois.


Onde o bicho pega

Ruídos
O pula-pula do off-road provoca surgimento de rangido excessivo nas peças do painel e até mesmo nos bancos.

Motor
Não são poucos os proprietários que reclamam de superaquecimento. Quando isso acontece, basta procurar por rachaduras no cabeçote do motor.

Piloto automático
Em algumas unidades o equipamento pode apresentar defeito de fabricação e deixar de funcionar.

Travas
É comum o sistema de travamento elétrico das portas quebrar. Nesse caso, não se consegue travar por dentro. Só com a chave.

Recall
Porcas e arruelas da bandeja superior da versão Sport foram trocadas pela fábrica em um recall em 2004. Veja se o serviço foi efetuado.

Off-road
Cheque a parte inferior em busca de marcas de uso intenso em trilhas ou competições. No assoalho interno, procure sob o carpete furos que possam denunciar a instalação de santantônios para corridas.

* Reportagem publicada na edição de abril de 2007da revista QUATRO RODAS





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