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Carros | Usado do mês
Citroën Xantia
Maio 2006

Citroën Xantia

Que outra suspensão pode oferecer estabilidade de esportivo e conforto de limusine a menos de 10000 reais?

Por Alexandre Ule Ramos | Fotos: François Calil e Germano Lüders
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

A primeira coisa que vem à mente quando falam do Xantia é sua suspensão hidropneumática, que combina ótimo conforto com estabilidade exemplar. No caso de um usado, a segunda coisa é que ela é complicada e cara de se manter. Mas não é bem assim. Quando a manutenção é feita corretamente, o Xantia - e sua suspensão - raramente apresenta defeitos. Como a maioria dos mecânicos não sabe mexer nele, o modelo recebeu a marca de "problemático". Mas não tenha medo de conhecer um Xantia: seus donos em geral são só elogios. O segredo é a hora da compra. Aprenda que a tabela de preços é só uma referência, pois o valor de revenda está muito mais ligado ao estado e à manutenção em dia do que propriamente à versão. Verifique o manual de revisões e faça uma vistoria rigorosa, especialmente na suspensão (veja texto na pág. ao lado). Se estiver tudo em ordem, é um investimento que vale a pena. Por aqui o Xantia surgiu em 1994, na versão 16S (S de soupapes, "válvulas" em francês). Havia ainda a versão top VSX, também com motor 2.0 16V de 157 cavalos, porém com melhor acabamento. Mas seu destaque mesmo sempre foi a suspensão Hidractive, que trabalhava em conjunto com a direção e o servofreio. Baseada num conceito de esferas com fluido e nitrogênio em seu interior, o sistema - que tem ainda o eixo traseiro direcional - torna a dirigibilidade do Xantia prazerosa e segura. Na QUATRO RODAS de junho de 1995, sua aderência lateral atingiu a marca de 1,01 g. E em buracos comporta-se com maciez incrível, filtrando qualquer irregularidade do asfalto.

De série traz ar-condicionado automático, trio elétrico, check-control, faróis de neblina e controle de som no volante, além de sistema de segurança que obriga o motorista a digitar um código para liberar o motor. Em 1995 ganhou airbags e uma nova versão da suspensão, que recebeu mais quatro esferas, totalizando dez. O resultado foi um carro ainda mais estável e confortável.

Não se deixe enganar pela aparência. Pode não ter o estilo clássico de um sedã, mas seu espaço é generoso. Atrás três pessoas viajam com bastante conforto e o porta-malas é maior que o de um BMW 328i. Seus rivais são sedãs mais luxuosos, como o Renault Laguna e o Chevrolet Omega, mas sua versão V6 de 194 cavalos chegava a disputar compradores com o BMW Série 3 e o Audi A4.


Fuja da roubada

Dispense os carros com suspensão arriada ou levantada demais, ou os que não voltam à posição original com o motor em funcionamento. O conserto pode sair caro. Parta para outro.


A voz do dono

"Comprei meu Xantia 2.0 Turbo em 1999, quando estava com um ano de uso e 12000 quilômetros. Hoje tem 59000. O que gosto mesmo é da suspensão, que foi o que motivou a compra. É realmente diferente dos demais carros e transmite muita segurança, mesmo nas serras mais difíceis. O problema é a manutenção, pois nas autorizadas é estupidamente alta. Mas o carro mesmo é excelente."
Marcio Nahas, 42 anos, empresário, São Paulo (SP)

O que eu adoro

"Comprei-o novo, em 1995, e até hoje nunca me deu problema. Junto com meu mecânico, baixamos os manuais de manutenção da internet e vimos que tudo é simples."
Fernando Silva Luz, 33 anos, programador, Curitiba (PR)

O que eu odeio

"Minha única reclamação é com a rede de assistência técnica. Não gostei do atendimento, achei os orçamentos sempre caros e isso me motivou a vender o carro."
Carlos Henrique de Souza, 28 anos, comerciante, São Paulo (SP)


Nós dissemos

Junho de 1995

"A maior qualidade (...) se revelou na prova de aceleração lateral (que demostra a estabilidade do modelo). Nesta o Xantia conseguiu 1,01 g (...), o que significa que suporta uma força lateral de 1 g (equivalente a seu próprio peso) antes de desgarrar. Trata-se de um comportamento excepcional, acima de muitos esportivos natos, como o Mazda RX7, de quem tomou o terceiro lugar no ranking de importados. Mas ainda insuficiente para bater o 1,04 g dos campeões Honda NSX e Ford Escort RS Cosworth 4x4."


Preço dos usados (em média)*

SX 2.0
1996 - 12100
1997 - 14400
1998 - 17500
1999 - -
2000 - -

VSX 2.0
1996 - 12800
1997 - 15200
1998 - 18500
1999 - -
2000 - -

Exclusive 3.0 V6
1996 - -
1997 - -
1998 - 20800
1999 - 20600
2000 - 29800

*Valores em reais, coletados em abril de 2006

FONTE: MOLICAR


Preço das peças

Pára-choque dianteiro
ORIGINAL - 920

PARALELO - 340

Esfera de suspensão dianteira
ORIGINAL - 372
PARALELO - 180

Cilindro da suspensão dianteira
ORIGINAL - 1600
PARALELO - -

Espelho retrovisor esquerdo
ORIGINAL - 480
PARALELO - -

Farol dianteiros
ORIGINAL - 390
PARALELO - 280


Pense também em um...VW Passat

Não tem o mesmo espaço e a estabilidade de um Xantia, porém é mais fácil de encontrar, tem mecânica igualmente robusta e pode ser revendido mais rapidamente.


Onde o bicho pega

Esferas da suspensão
Têm vida útil de 50000 quilômetros, mas isso pode variar dependendo de como o carro é utilizado. Elas tendem a perder a flexibilidade, deixando o veículo com rodar mais duro. A boa notícia: custam cerca de 200 reais.

Bieletas
Essas hastes de metal são o ponto mais frágil da suspensão dianteira, mas não significa que dêem problema constantemente. Fique atento a ruídos nessa região e cheque as bieletas. Um mecânico pode ajudar na inspeção.

Fluido da suspensão
O fluido tipo LHM é o indicado para ser usado no sistema de suspensão. De cor verde, muitas vezes é substituído pelo fluido vermelho ATF, que tem diferentes propriedades e pode provocar desgaste prematuro das esferas e mangueiras. O fluido LHM deve ser trocado anualmente, numa operação muito simples.

Ventilação interna
Aqui são dois os pontos a serem checados: o aquecimento deixa de funcionar por problema nas tubulações e o cabo positivo do ventilador esquenta, impedindo a passagem da corrente.

Freio traseiro
Mesmo que as pastilhas traseiras estejam novas, é comum persistir um chiado. É algo simples de resolver. Retirar e dar uma lixada pode ajudar. Mesmo assim o ruído pode voltar.

* Reportagem publicada na edição demaio de 2006 da revista QUATRO RODAS





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