
Reduto tradicional dos coreanos e japoneses, há bem pouco tempo o segmento dos utilitários esportivos passou a ser disputado por um produto bem competitivo: o Chevrolet Captiva. Apresentado em 2008, logo se destacou pelo custo-benefício. A isenção do Imposto de Importação para veículos mexicanos fez dele um sucesso de vendas, por agregar bom acabamento a equipamentos antes vistos somente em rivais mais caros: ABS, controle de tração e de estabilidade e monitoramento da pressão dos pneus, além de seis airbags e cintos de três pontos para todos os ocupantes. Não faltam ainda ar-condicionado digital e sistema de som com MP3.
O comportamento dinâmico também merece destaque. Sua estrutura monobloco (mais leve e rígida) e a suspensão independente nas quatro rodas resultam em uma dirigibilidade superior. Essa configuração também ajuda no aproveitamento do espaço, muito bom para cinco adultos.
A versão Sport traz o motor V6 Alloytec (261 cv), todo de alumínio e com coletor de admissão e comandos de válvulas variáveis, que acompanhava um câmbio automático de seis marchas. Em 2009, veio a Ecotec, com um 2.4 de quatro cilindros (171 cv), disponível só com tração 4x2, câmbio de quatro marchas, para-choques com grandes apliques de cor cinza e ar-condicionado analógico.
Comum a ambas as versões é o bom padrão de acabamento interno, com peças de alumínio e plásticos de alta qualidade. Mas só a Sport oferece como opcional a tração 4x4, de acionamento automático, que entra em ação sempre que as rodas dianteiras começam a perder tração.
Mas nem tudo são flores para quem adquire o Captiva: a principal reclamação dos proprietários é o consumo alto de combustível e a falta de estoque de peças da rede autorizada, além de uma série barulhos na suspensão, que foi alvo de uma reportagem da seção Autodefesa em dezembro de 2009 e segue aparentemente sem solução.
Como o Captiva já chegou ao mercado com preços competitivos, ele também é encontrado a preços atraentes entre os usados: os primeiros V6 de tração dianteira custam menos de 70 000 reais, pouco para tudo que o carro oferece. Como no momento sua oferta é grande, não se esqueça de pechinchar, pois é possível pagar preços bem mais baixos que os de tabela.
FUJA DA ROUBADA
Boa parte dos barulhos da suspensão vem do batente dos amortecedores, peça relativamente barata (300 reais), mas difícil de ser achada na rede. Não feche negócio sem ter certeza de que os amortecedores estão em bom estado, pois essas peças não estão disponíveis no mercado paralelo.
NÓS DISSEMOS
Setembro de 2008

"Ao rodar, o conforto é tanto que a palavra ‘Sport’ no nome do Captiva chega a destoar. Embora ele tenha direção precisa, sua suspensão foi ajustada para que as pessoas se sentissem no sofá de casa. E os bancos também são fofos como poltronas. (...) Outro ponto alto do projeto é a segurança. (...) Nos testes de consumo, seu rendimento ficou no mesmo patamar do de outros utilitários esportivos V6, no entanto. Suas médias foram de 6,5 km/l, no ciclo urbano, e 9,2 km/l, no rodoviário."
PREÇO DOS USADOS (EM MÉDIA)
Sport 4x2
2008: 69 607
2009: 73 026
2010: 80 955
Ecotec
2008: -
2009: 69 279
2010: 74 599
PREÇO DAS PEÇAS
Para-choque dianteiro
Original: 700
Paralelo: 525
Farol completo (cada um)
Original: 1 127
Paralelo: 630
Retrovisor (cada um)
Original: 756
Paralelo: -
Pastilhas de freio (par)
Original: 395
Paralelo: 260
Amortecedor diant./tras. (cada um)
Original: 435/270
Paralelo: 1171
PENSE TAMBÉM EM UM...
Hyundai Santa Fe

Principal rival do Captiva em porte e preço, no caso do usado, o SUV coreano tinha até 2010 um motor V6 de 2,7 litros com 200 cv de potência, suficiente para garantir bom desempenho e consumo razoável. As versões mais completas oferecem ainda a vantagem dos sete lugares, mas a tração integral é de série em todas elas. Também dispõe de boa oferta no mercado de usados e boa parte deles ainda está no período de garantia, desde que todas as revisões do plano de manutenção tenham sido feitas. Por isso, não dispense o livreto de manutenção com os respectivos carimbos.
ONDE O BICHO PEGA

Direção hidráulica: Rara, mas que não pode ser ignorada, é a formação de borra no reservatório da direção hidráulica, que provoca aeração do fluido e acaba por danificar a bomba. O reparo não sai por menos de 1000 reais.
Discos de freio: Cheque o estado deles, pois é um problema recorrente em veículos pesados com motores potentes e câmbio automático: a trepidação em frenagens é causada pelo excesso de calor gerado pelo pouco uso do freio-motor. Na dúvida, vale a pena investir em um par de discos novos.
Suspensão: Ponto crítico e responsável direto pelo excesso de ruídos. A dica é pedir a um mecânico que verifique o estado geral de buchas, batentes, bieletas e terminais de direção que possam estar comprometidos. Se o diagnóstico não for bom, só vale a compra com um bom desconto.
Sensor de rotação do ABS: Não é muito comum que apresente defeito, mas já foram verificados alguns casos. O problema é a disponibilidade da peça, que sai por cerca de 200 reais. Alguns donos se cansam de esperar e adquirem o sensor diretamente nos EUA, onde o Captiva foi vendido como Saturn VUE.
Rolamentos de roda: Podem estar gastos ou danificados. É um item que requer atenção, pois pode quebrar e causar o travamento da roda. A substituição do par fica em torno de 500 reais.
A VOZ DO DONO

"É uma das melhores opções para quem busca um SUV. O desenho tem personalidade própria e o conjunto mecânico da versão V6 é imbatível, pois tem reserva de potência em qualquer rotação e a transmissão automática permite trocas manuais para uma condução mais esportiva. Só não gosto do consumo urbano e do diâmetro de giro."
Merkison Barbosa, 47 anos, gerente de TI, Oswaldo cruz (SP)
O QUE EU ADORO
"Já é o segundo Captiva que eu tenho. Ele é imbatível no custo-benefício, oferece um visual distinto e tanto o desempenho quanto a dirigibilidade são fantásticos."
Marcelo Magnani, 27 anos, empresário, Piracicaba (SP)
O QUE EU ODEIO
"O atendimento nas concessionárias é bom, mas os barulhos na suspensão sempre voltam. E o consumo é muito alto em relação ao desempenho da versão 2.4."
Anderson Munhoz, 42 anos, diretor comercial, São Paulo (SP)




