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Carros | testes
Volkswagen Polo Bluemotion
Março 2009

Volkswagen Polo Bluemotion

Adaptado para rodar mais gastando menos combustível, o hatch introduz o conceito Bluemotion no Brasil

Por Péricles Malheiros | Fotos: Marco de Bari
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Se sua consciência ecológica pesa mais a cada quilômetro rodado com o carro, vale a pena conhecer o Polo BlueMotion. O sobrenome indica o conceito criado na Europa – com o próprio Polo, em 2007. Todos os BlueMotion (a série será estendida a modelos como Gol e Fox) recebem alterações que visam à economia de combustível e à consequente redução dos níveis de emissão de poluentes por quilômetro rodado. Lá fora, no entanto, são equipados com motor a diesel de última geração, menos poluentes que os a gasolina. Por aqui, a Volkswagen se valeu da vantagem de termos o álcool como combustível e preparou um Polo BlueMotion com uma pegada mais verde que o europeu.

Para beber menos que seu irmão de linha, nosso BlueMotion recebeu pequenas alterações. Saem a roda aro 15 e o pneu 195/55 e entram em cena o aro 14 e os estreitos pneus 165/70, que causam estranheza – só não destoam ainda mais porque a altura do solo foi reduzida em 15 mm, em relação ao Polo normal. Um kit aerodinâmico com saias laterais e spoilers na frente e atrás reforça essa impressão de carro com suspensão rebaixada. Convém ter cuidado ao passar em lombadas e valetas.

Na frente, a grade praticamente fechada melhora a aerodinâmica, enquanto o aerofólio na tampa do porta-malas complementa o trabalho ao diminuir a zona de turbulência atrás. Os 8 kg extras de “aeroparts” são compensados pelo melhor desempenho do Polo em cortar o ar: o Cx caiu de 0,35 para 0,31. Até as palhetas limpadoras dos vidros foram substituídas por modelos mais aerodinâmicos.


O discreto aerofólio ganhou quase 0,02 no Cx

Pressão alta
Para virar BlueMotion, o Polo lutou contra a balança. Rodas e pneus são 28,3 kg mais leves que os do Polo comum. O segredo está na adição de componentes “nobres” na composição de ambos. O magnésio aliviou o peso da roda, mantendo sua resistência mecânica, e a sílica diminuiu o atrito do pneu sem comprometer a aderência. O resultado é uma redução da resistência à rolagem, o que se traduz em diminuição de consumo – só o pneu é responsável por 4% a 5% dessa redução, segundo a VW. Quem adquirir um BlueMotion deverá ficar atento à calibragem: em vez das 29 libras de pressão convencionais, é preciso colocar 42. É outra medida para “soltar” mais o carro, que não comprometeu o conforto durante nosso teste, pois o perfil do pneu é alto e absorve bem as irregularidades do piso. Nas curvas longas, porém, é preciso tomar cuidado com essa nova configuração, principalmente quem já está acostumado com o bom comportamento do Polo convencional: o BlueMotion “tropeça” no perfil alto dos pneus e tende a escapar de frente.

Fãs do Polo não se conformam com as podas sofridas desde que foi lançado no Brasil, em 2002. No BlueMotion, um dos itens retirados está de volta: a direção eletro-hidráulica. Não se trata de uma vitória do consumidor, mas do consumo: “Essa foi outra medida adotada em prol da diminuição do consumo. A direção híbrida rouba menos potência do motor e proporciona, sozinha, melhoria de 2,2%”, diz João Alvarez Filho, gerente de engenharia. Outro engenheiro da marca confirmou duas mudanças na família Polo para este ano: a adoção de uma caixa de câmbio automatizada (como a de Stilo Dualogic e Meriva EasyTronic) e a de um novo conjunto de suspensão dianteira, mais eficiente, igual à do Polo europeu.

Internamente, a única diferença no BlueMotion está nos bancos, com revestimento de retângulos em relevo, com tecido azul. Básico, oferece computador de bordo, ar-condicionado digital, som completo (rádio, CD, MP3, Bluetooth, USB e cartão de memória) e rodas de liga e kit aerodinâmico. Sai por 46 270 reais, contra 41 150 reais de um Polo básico. Em relação a este, traz a mais o som e a pintura metálica. Se incluirmos esses opcionais no básico, o BlueMotion ainda é 3 065 reais mais caro – os dois têm o ar-condicionado, mas o Polo “verde” traz o modelo digital.

A preocupação com a economia é notada até na expectativa de vendas: só 100 unidades em 2009. Talvez os planos pudessem ser mais ambiciosos caso a Volkswagen trouxesse todo o conceito BlueMotion (leia mais no texto ao final da página), não só os produtos. Ainda assim, Fox e Gol serão os próximos a aderir à onda ecológica – ao lado do Polo, eles foram apresentados na última edição do Salão do Automóvel, em São Paulo.

Câmbio longo
O motor 1.6 VHT teve sua central eletrônica ajustada para trabalhar em conjunto com as novas relações de marcha e de diferencial. A quinta marcha do câmbio MQ200, por exemplo, está 21,6% mais longa, resultando em giros mais baixos para manter a mesma velocidade – a 100 km/h, o ponteiro registra 2 100 rpm, contra 2 750 rpm no Sportline. As retomadas mais lentas já eram esperadas, mas foi com certa surpresa que vimos o BlueMotion acelerando ligeiramente melhor que o Polo normal. A explicação para o placar do 0 a 100 km/h de 11,7 contra 12 segundos pode estar na maior área de contato com o solo do Polo comum, equipado com pneus 195/55 R15. Em contrapartida, o calçado mais largo devolveu o troco nas provas de frenagem. Fora da pista, já na cidade, a versão ecológica pede reduções de marcha mais constantes. É aí que mora o perigo. O motorista precisa estar disposto a rever alguns conceitos, principalmente o de ter torque e potência abundantes o tempo todo. No ciclo urbano, houve uma melhora de 10% no consumo (7,3 ante 8,0 km/l), enquanto na estrada foi de quase 20% (10,6 e 12,6 km/l). Aliviar o pé e manter o conta-giros entre 2 000 e 3 000 rpm pode significar números substancialmente melhores.

Azul no nome, verde no conceito e cinza no corpo (só será vendido da cor prata), o Polo BlueMotion é a primeira aposta ecológica de um grande fabricante de automóveis no Brasil. O tempo dirá se o mercado está maduro a ponto de pagar 3 065 reais a mais por um carro 15% mais econômico.


ÁRVORES COMO OPCIONAIS

Na Europa, o conceito BlueMotion vai muito além de carros econômicos. Na Espanha, por exemplo, foi criado o Bosque BlueMotion, em Alcaraz. Nesse parque são plantadas as árvores que os donos de BlueMotion adquirem, como opcionais, no momento da compra.

De acordo com a Fundação +Árvores, apoiadora local do projeto, cada árvore absorve 300 kg de CO2 ao longo de 40 anos de vida. Esse número permitiu à Volks criar pacotes para neutralizar a emissão ao longo de diferentes quilometragens. No caso de um Polo BlueMotion, o comprador paga 90 euros (260 reais) por quatro árvores, suficientes para “compensar” o CO2 emitido em 10 000 km. A ideia deu tão certo que foi estendida a todos os modelos da marca, até os que não são BlueMotion. No Brasil, a montadora limita-se a dizer que questões burocráticas impedem a implantação de uma estratégia semelhante.


VEREDICTO

Infelizmente, até o fechamento dessa reportagem (publicada na edição de março da revista QUATRO RODAS) a Volks não havia divulgado o preço das peças do BlueMotion. Se tiver de gastar bem mais para repor rodas, pneus, palhetas e outras partes, pode valer mais levar um Polo “normal” (que não tem o visual de gosto duvidoso) e eliminar vícios ao volante para obter tal melhoria no consumo.





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