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Carros | testes
Peugeot Hoggar Escapade
Maio 2010

Peugeot Hoggar Escapade

A picape da Peugeot rene caractersticas de vrios membros do cl. E no que a mistura ficou boa?

Por Marcelo Moura | Fotos: Christian Castanho
Lista de matrias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Quando a filial brasileira pediu, os franceses da matriz não entenderam muito bem. Picape pequena, o que é isso? É um carro usado tanto por quem precisa trabalhar duro, de caçamba cheia, quanto por aqueles que têm tempo livre para curtir, de caçamba vazia. Como a explicação não explicava muito, os brasileiros mostraram números – e os números superam qualquer barreira cultural. Nosso segmento de picapes leves vendeu no ano passado 162 000 unidades, mais que o mercado inteiro de Portugal. Assim a Peugeot brasileira ganhou o direito de desenvolver a Hoggar (pronuncia-se ô-gár), versão picape do nosso 207.

Desenvolver é a palavra adequada, mais que criar. A Peugeot não tinha picape em linha, no mundo inteiro, e a experiência anterior não ajudava muito. A 504 GRD, importada da Argentina nos anos 90, tinha tração traseira, motor diesel e capacidade de 1,3 tonelada. Ainda assim, fez-se um engenhoso trabalho de recorte e colagem para se chegar à Hoggar. A parte da frente é do 207 brasileiro. Inclusive os motores: 1.4 8V flex (de 81 cv) nas versões X-Line e XR, e 1.6 16V flex (113 cv) nesta Escapade. Além de motor mais bravo, a Escapade tem um quebramato estilizado – é como se o bocão do para-choque tivesse ganhado um aparelho ortodôntico.

A Peugeot fez uma cabine simples e diz que não pretende criar outras, apesar de a líder de mercado, Strada, vender principalmente cabine estendida (45% do mix) e dupla (25%). A Hoggar tem espaço atrás dos bancos (120 litros, na medição da fábrica) suficiente para levar mochilas ou uma mala média. Todas as versões da Hoggar têm ajuste de altura de banco e volante, mas ela não acomoda motoristas de diferentes tipos físicos tão bem como fazem Montana e a Nova Saveiro. Está mais no nível da Strada.

O destaque é a caçamba, apenas 2 cm mais curta que a da enorme (mas envelhecida) Courier, e com caixas de roda que pouco invadem o espaço para carga. Se esse é o destaque da Hoggar, ela deve agradecimento aos familiares. Caixas de roda, piso da caçamba, longarinas, suspensão (por barra de torção) e eixo traseiro vieram (com poucas adaptações) do Partner. Inusitado? Menos do que parece. O furgãozinho tem capacidade de carga de 600 kg, fora o peso do baú) e isso permitiu à picape ter a maior capacidade da categoria (742 kg no modelo X-Line e 650 kg na Escapade). Para arrematar a traseira, lanternas emprestadas do 1007, pequeno monovolume vendido na Europa.

“As peças estavam prontas e serviam à nossa proposta, então perguntamos: ‘Por que não’?”, diz Fábio Alves, coordenador de marketing da Peugeot. Realmente. Talvez o visual da traseira pudesse ser menos abrutalhado, mas, do jeito que está, combina com a frente igualmente agressiva do 207. São dois excessos que se equilibram. E, no aspecto prático, eu me sinto mais confiante de estar numa picape cuja estrutura veio emprestada de um furgão que vendeu mais de 1,5 milhão de unidades mundo afora, em 14 anos.

Ainda mais depois de assumir o volante. A Peugeot fez uma picape boa de dirigir, no estilo da Saveiro. É firme, sem ser arisca. Dá para esquecer a caçamba lá de trás e acelerar como se fosse um carro de passeio. O entre-eixos da picape é 30 cm mais longo que o dos demais 207, o que traz respostas mais lentas no zigue-zague da cidade (e também reações mais calmas na estrada). A Hoggar tem duas válvulas equalizadoras de freio na traseira, uma para cada roda, porque nem sempre a carga é distribuída por igual. Boa iniciativa, mas a fábrica fica devendo a opção de freios ABS. “Teremos no futuro, mas não agora”, diz Alves. A 207 SW Escapade oferece como opcional.

A perua Escapade tem de série ar-condicionado digital, sensor de chuva e computador de bordo. Nada disso está disponível para a picape Escapade. A Hoggar é mais simples que a SW, com painéis de porta sem aplique de tecido. O visual é atraente, com detalhes cromados que parecem alumínio e bancos esportivos de costura caprichada (e espuma firme), mas essa picape não parece topo-de-linha. Sai de fábrica sem rádio, protetor de caçamba ou capota marítima. Precisa instalar na concessionária. Por que vender à parte equipamentos desejados por todos os compradores? “A grande maioria vai querer mesmo, mas fizemos isso para incentivar a venda de acessórios na rede autorizada”, afirma Alves. Por causa disso, a qualidade do protetor de caçamba será influenciada pelo cuidado do instalador da concessionária. “Não é um mero acessório, que a concessionária pode comprar de qualquer fornecedor. Ele foi desenvolvido junto com o carro, e vamos treinar as oficinas para fazer a instalação correta.”

Essa diferença de conteúdo entre os dois carros irmãos não faz sentido se olharmos para o sobrenome Escapade. Mas faz, e muito, se olharmos para o posicionamento que os dois modelos terão no mercado. A perua se destaca pela fartura de equipamentos. Segundo a Peugeot, que pretende falar em valores apenas em meados de maio, a picape deve se destacar pelo preço mais convidativo que o de suas rivais aventureiras, Strada Adventure e Saveiro Cross. “A nossa é menos equipada e terá preço mais atraente para quem procura um visual diferenciado. A Hoggar não é rival direta da Strada, que só existe com cabine dupla ou estendida, mas é claro que será bom roubar clientes da concorrência”, diz Alves. Num mercado maior que o de Portugal, tem espaço para todo mundo.

 



AS IRMÃS

 



A Hoggar também tem as versões XR (abaixo) e X-Line, ambas com motor 1.4 8V fl ex. Todas têm para-choque pintado e painel completo, mas a X-Line não traz sequer tampa de porta-luvas. Sem preços não dá para escolher nossa favorita, mas a Peugeot aposta que a XR será a mais vendida.

 



DIREÇÃO, FREIO E SUSPENSÃO
Feita para o asfalto (apesar dos pneus mistos), a Hoggar é gostosa de dirigir. A lamentar, a falta de ABS.
★★★★

MOTOR E CÂMBIO
O motor pede um jeito de dirigir mais nervoso, com giro alto e trocas de marcha frequentes. Mas a alavanca de câmbio, de curso longo, não ajuda.
★★★

CARROCERIA
O estilo pesado da linha 207 ganha uma traseira mais coerente que nas versões hatch, perua e sedã. O espaço na caçamba é excelente.
★★★★

VIDA A BORDO
O acabamento é diferenciado e discreto, muito agradável, mas quem se acostumou à fartura da 207 SW Escapade vai estranhar a falta de equipamentos da Hoggar. A cabine tem limitações de ergonomia herdadas do projeto original, do antigo 206.
★★★

SEGURANÇA
Os faróis duplos (de série em todas as versões) iluminam bem e temos luzes de neblina na frente e atrás. O freio conta com uma válvula equalizadora para cada roda traseira, mas falta a opção de ABS.
★★★

SEU BOLSO
Sem preço do carro, dos opcionais ou das peças, é difícil falar. A Peugeot promete preço atraente. A Hoggar se destaca pela ótima caçamba – a Courier aposta basicamente nisso e vende bem até hoje.
★★★

 

 



OS RIVAIS

 



Saveiro Cross
A exemplo da Hoggar, seu acerto privilegia a direção no asfalto. A cabine é maior e a caçamba, menor que a da Peugeot.



Strada Adventure Locker
A veterana é valente, com sistema Locker para superar atoleiros leves e suspensão traseira por feixe de molas.

 



VEREDICTO

A Hoggar não é um passo à frente do que já existe no mercado nem tem um público cativo à sua espera – terá, portanto, de custar menos que Saveiro e Strada para vender bem. Mas é um rival sério, feito com atenção ao principal: espaço e robustez.

 





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