Seu comparativo
TOP 10 QR
Os carros mais procurados da semana no site Quatro Rodas
  • Novo Sandero
  • Vezel
  • Novo Fox
  • Duster
  • HB 20
  • Golf
  • Novo Ka
  • Corolla
  • Civic
  • Saveiro cab dupla
  • | A-Z |
Newsletter
Assine a Newsletter QUATRO RODAS
PUBLICIDADE
Carros | testes
Hyundai Genesis
Dezembro 2008

Hyundai Genesis

Ele faz boa figura social e design atrativo e agora tenta virar celebridade

Por Marcelo Moura | Fotos: Christian Castanho
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Dominar o mercado dos sedãs de 90 000 reais não é difícil, se você resolve pôr motor V6, bancos de couro e oito airbags para brigar com concorrentes de quatro cilindros, bancos de veludo e airbag duplo. Foi o que a Hyundai fez com o Azera. Difícil é, depois de ter despejado tantos luxos num sedã de 90 000 reais, convencer alguém a comprar outro carro da mesma marca, pelo dobro do preço. É o desafio do Genesis, o modelo desta foto. O que a Hyundai tem mais para oferecer? Prestígio não é. Nesse jogo, a empresa está tentando justamente dar o primeiro passo. Genesis significa“nascimento” e o nome de batismo segue a receita “palavra-que-remete-ao-latim-ou-ao-grego”, adotada por quem almeja o estrelato: Kia Opirus, Nissan Infiniti, Volkswagen Phaeton e, o exemplo mais bem-sucedido, Toyota Lexus.

A receita também diz que você deve imitar o estilo de marcas consagradas para, um dia, criar sua própria personalidade. Quem seguiu a primeira regra e desafiou a segunda (o Renault Vel Satis) não está mais aqui para contar história. O carroconceito do Genesis, que a Hyundai mostrou no Salão de Nova York de 2007, tinha lanternas traseiras em estilo Aston Martin e frente original, para não dizer esquisita. Quando foi lançado na Coréia do Sul, em janeiro, o Genesis passou a copiar enquadramentos inteiros dos BMW: portas traseiras, pára-lamas dianteiros, tampa do porta-malas... O farol, veja, mistura Série 3 e Série 5. O resultado não é muito marcante, tanto que eu vi de longe um carro preto que parecia igual (coisa rara, o lote inicial ainda está chegando) e decidi chegar perto. Era apenas outro sedã em busca da fama, um Lexus ES 350, e resolvi ir embora. Mas nessa hora o dono dele (um japonês de óculos escuros) achou que, entre os parecidos, o Genesis era mais bonito, e passou a me seguir. Ponto para a Hyundai.

[01]

 

Nem sempre é bom imitar os alemães. Quando liguei o som, tocava pagode. Foram instantes de pânico até conseguir mudar a estação. O rádio é padrão BMW: um botão que liga e ajusta o volume, uma fenda para pôr os discos e um botão para ejetá-los. Só. Tentei pressionar o comando na tela do computador de bordo, mas o cristal líquido ficou com aquele borrão colorido – não é do tipo touch-screen. Você precisa recorrer ao mouse do Driver Information System, variação do sistema iDrive. O bom é que, tirando o rádio, a maioria dos comandos do Genesis também está disponível em teclas de verdade, à moda antiga.

E a semelhança visual com a BMW pode criar um problema. Quem buscar no Genesis um Série 5 com preço de Série 3 ficará frustrado. A suspensão é sofisticada e faz os pneus acompanharem cada palmo do asfalto, mas essas sensações terrenas não chegam ao motorista. São filtradas pela direção leve e por amortecedores a ar – mesmo quando escolhemos o modo Sport e, sobretudo, ao elevar a carroceria. Temos tração traseira e divisão de peso típica de esportivos (53%/47%), mas falta um simples paddle-shift. É uma pena se o Genesis ficar marcado como um carro que promete BMW e não cumpre. Porque, em vez disso, ele traz algo igualmente raro: a sensação de andar nas nuvens.

A sensação não é apenas a de andar nas nuvens, é a de estar flutuando. Os bancos dianteiros têm, além de aquecimento, refrigeração. É refrescante. Luzes frias ou azuladas (nos botões, no teto e até na soleira das portas) compõem o visual etéreo. Uma das luminárias no teto serve menos para clarear e mais para criar um clima. Num ambiente desses, as coisas acontecem meio por mágica. O porta-malas abre e fecha sozinho, banco e volante recuam para melhor receber quem chega e a mão invisível do piloto automático mantém a distância em relação aos carros da frente. A chave não precisa sair do bolso para ligar o motor, e este funciona como um sopro. Na ficha de testes, tivemos de inventar um jeito de dizer que, em ponto-morto, o V6 é mais silencioso do que nosso decibelímetro foi capaz de medir. Não é furacão, mas é capaz de levar o Genesis aos 100 km/h em 7,8 segundos – e se você quiser continuar ali, em velocidade de cruzeiro, o câmbio de seis marchas baixará o giro para uma brisa de 1 800 rpm. Ficaria melhor se tivéssemos o ar-condicionado com ionizador dos Camry e Lexus, que deixa o ar úmido como se a cachoeira estivesse ali do lado. Mas o aparelho do Hyundai também é bom, com controle de qualidade de ar e quatro saídas de ar para os bancos de trás.

Num painel no apoio de braço, o passageiro de trás pode comandar o rádio, além de aquecer ou reclinar as duas metades de seu banco. Também pode regular o banco do carona em inclinação e distância, algo útil quando o dono do carro senta atrás e quer esticar as pernas. Mas se, em vez do patrão, estiverem os pequenos herdeiros... Consigo ver pais de família pedindo ao concessionário para tentar desabilitar esse painel. A solução é simples, bastaria ampliar os poderes do botão que bloqueia o vidro elétrico traseiro. Também seria fácil fechar as janelas por controle remoto, junto com a trava das portas. Qualquer Vectra faz isso, mas não o Genesis. Você precisa entrar de novo no carro, pisar no freio, apertar o botão “start” para ligar o motor, subir os vidros, desligar o motor, fechar o carro e, aí sim, trancar as portas. Um dia, o Genesis vai incomodar muito os Lexus.

 


[img01] DIREÇÃO, FREIO E SUSPENSÃO
Amortecedores a ar e multibraços de alumínio nas quatro rodas são o Led Zeppelin dos sistemas de suspensão. Mas, em vez de rock, a Hyundai se dedicou a tocar música clássica. É suave que só.

[img02] MOTOR E CÂMBIO
Não é a última palavra, mas traz desempenho de esportivo com extrema suavidade e silêncio. E é econômico.

[img03] CARROCERIA
Muito espaço, ótima qualidade de montagem e solidez de cofre-forte. E estilo que a gente já viu em algum lugar.

[img04] VIDA A BORDO
Quase todos os luxos disponíveis no mercado: bancos refrigerados, piloto automático que mantém a distância para o carro da frente, partida sem chave... Mas faltou bom-senso: o controle remoto da chave não fecha as janelas e o inibidor de vidro elétrico traseiro deixa as crianças livres para mexer em rádio, persiana elétrica e banco do carona.

[img05] SEGURANÇA
Oito airbags, 5 estrelas no crash-test do NHTSA, farol adaptat