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Carros | testes
Honda City EXL
Agosto 2009

Honda City EXL

O sedã chega para explorar o território de carros para consumidores emergentes

Por Marcelo Moura | Fotos: Marco de Bari
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Civic e Fit são líderes de venda no Brasil, mesmo sendo mais caros e menos equipados que seus concorrentes. O sucesso deles é mais que bem-vindo, mas não era exatamente um objetivo da Honda. São carros criados para o Primeiro Mundo que, com um ótimo trabalho de vendas e assistência técnica, deram certo aqui. Com o City a história é outra. Do primeiro ao último parafuso, foi criado para países emergentes.

Ser um carro emergente traz vantagens claras de sintonia. O Civic, por exemplo, tem porta-malas de 340 litros porque foi feito para casais jovens americanos. O City é incapaz de cometer uma gafe dessas. Seu porta-malas de 506 litros é grande o bastante e, nem por isso, deixou o carro feio. A Honda aprendeu com a geração anterior do City (um estranho Fit trêsvolumes vendido na Ásia) que, além de ter espaço para as malas, um sedã emergente precisa ser bonito. O City tem caprichos de estilo que, no Primeiro Mundo, são reservados para castas superiores. As rodas têm desenho mais rebuscado que as do Civic e a régua de placa cromada traseira veio do Legend, um sedã que fica acima do Accord. Das lanternas traseiras parte a inspiração do carro: uma flecha, vagamente inspirada num filme do Russell Crowe.

Plano paralelo
Apesar de usar a plataforma do Fit, o City é 6,5 centímetros mais baixo, 50 cm mais comprido e tem entre-eixos 5 cm maior. São medidas parecidas com as do antigo Civic – aquele sedã de estilo e desempenho comportado e com bom portamalas, cujo público não foi inteiramente atendido pela atual geração. A Honda não deixou levar o carro para a rua, e assim não sabemos como é o City quando está cercado pela cidade. Sozinho ele não parece um sedã médio. Também não parece um Fit sedã. No entanto, os dois dividem mais de 60% das peças.

Por fora, City e Fit têm muito pouco em comum: pneu, limpador de para-brisa, antena e o “H” da Honda. Os planos 2PS (do City) e 2AP (do Fit) correram paralelos. No meio do caminho viu-se que era possível compartilhar plataforma, motor, câmbio, freios. O City é 37 quilos mais pesado e tem entre-eixos 5 centímetros maior, mas anda como o Fit. E isso é bom.

O motor 1.5 16V flex, o único oferecido no lançamento, é dos melhores que temos no país. Rende 116 cavalos com álcool, mas eles valem por mais. Abaixo de 3 000 giros ele funciona como um 12 válvulas, para melhorar a entrega de torque. Dali em diante o sistema iVTEC abre as quatro válvulas de admissão restantes, em nome da potência. O resultado? Esse City completo, EXL automático, teve números de consumo e desempenho parecidos com os do Civic LXS. O câmbio automático de cinco marchas é parecido, arranca com decisão e é suave nas trocas. O paddle-shift é igual e muito bom. Em Drive, o motorista faz uma redução de marcha momentânea e o câmbio reassume as rédeas do carro em seguida. Com a alavanca na posição Sport, o que for pedido no paddle-shift vira lei. O motor pode até cortar giro, mas não troca de marcha. Com suspensão traseira por barra de torção, o City é ágil e interessante. Mas não é especial como o Civic.

O City trata bem a família. Os passageiros de trás entram e ficam à vontade, com portas que se abrem quase 90 graus, encosto de cabeça e cinto de segurança de três pontos para todos, apoio de braço central e banco reclinável (capaz de deitar 8 graus). Tudo de série, mesmo na versão básica. Ao conhecer o City em dezembro, na Tailândia, nosso colaborador Fernando Valeika de Barros disse que cabiam cinco Valeikas (de 1,85 metro) lá dentro. É o suficiente, mas saiba que o Fit está uma categoria acima: leva cinco Mouras de 1,94 metro cada um. O sedã é 6,5 centímetros mais baixo. Como o teto roça a minha cabeça, procuro o ajuste de altura. Puxo uma alavanquinha alta, do lado do banco, mas o tlec vindo lá de trás me mostra que essa é a abertura do porta-malas, mal posicionada (devia ficar no chão, como no Civic). Giro então uma rodinha pesada, na lateral do assento, mas o banco não desce o suficiente. É que embaixo dele vai o tanque de combustível.

Por outro lado, o tanque central livra um ótimo espaço atrás, certo? Não no City. Para não competir com o Fit, o sedã perdeu o sistema ULT, que faz o assento traseiro se dobrar para cima, como um canivete. O City tem banco fixo (que não se dobra para cima e, ao baixar, forma um degrau em relação ao porta-malas), com uma bandeja de plástico embaixo. Em vez de poder levar bicicletas no meio do carro, como o Fit, o City pode levar sapatos e guarda-chuvas molhados. E sabe o porta-copos do Fit (que mantém a bebida gelada), simples, original e prático? O City não tem. Sua idéia original é o rádio, que nada tem de simples ou prático (veja quadro).

Ou vai ou racha
Além de menos versátil, o City é menos caprichoso. Suas portas são forradas, mas não há espuma sob o tecido – parece macio, mas é duro como o plástico que está embaixo. Outro exemplo? O porta-caneta do Fit é uma garrinha de borracha cravada na tampa do segundo porta-luvas. Segura canetas de váriados tamanhos com suavidade. No City a garrinha é de plástico duro, uma continuação da própria tampa do porta-trecos (que fica no apoio de braço). Você empurra a caneta com força, sem saber se ela vai se encaixar ou rachar ao meio. Não há nada de mal em ter acabamento diferente de seus irmãos. O problema é custar parecido. Por valores entre 56 210 reais (1.5 LX) e 71 095 reais (1.5 EXL automático), o City é mais caro que as versões equivalentes do Fit. Embola-se até com o Civic, que, no fechamento desta edição, era anunciado a 59 900 reais. “A diferenciação entre os três modelos se dá menos pela faixa de preço e mais pelo tipo de uso”, diz Alfredo Guedes, engenheiro da Honda. “O Civic é esportivo, o Fit é prático e o City é mais familiar.”

Dos sete países que fabricam o City, ele é mais barato que o Fit em quatro (China, Tailândia, Malásia e Filipinas) e não tem versão equivalente em dois (Paquistão e Índia). Faz sentido. O Civic, arrojado na mecânica e no estilo, é o carro do homem que ganhou dinheiro e agora quer um carro que dê prazer. O Fit é o carro da esposa ou dos filhos dele, prático e fácil de estacionar. São mais caros que seus concorrentes, mas cumprem essas funções como nenhum outro. O City não é especial em diversão ou praticidade. Mas é bonito, anda direito e é espaçoso. Defende-se bem em todas as situações. É um bom carro emergente.


ADOTADO

A Honda planejava montar o City na Argentina, mas a fábrica foi adiada. A linha de produção de Sumaré (SP) assumiu o novo carro, mas só tem capacidade para 4 100 City por mês – para atender Brasil, Argentina e México. Quando a fábrica argentina estrear, Sumaré poderá aumentar a oferta para o Brasil, com um City 1.4.


DIRETO NO ALVO

O engenheiro-chefe da Honda, Takeshi Nakamura, disse que visitou revendas na Ásia para criar o City. Um rapaz falou que era mais paciente com mulheres bonitas – assim Nakamura entendeu que beleza era fundamental num carro de custo menor, onde nem tudo é ideal. Dezenas de rascunhos foram rejeitados, mais do que é padrão na Honda. Até que um dia Nakamura assistiu a um filmão de guerra, talvez Gladiador , com várias cenas de arco-e-flecha. A imagem foi levada para a equipe de design e virou o tema da lateral do City.


DIVERSIDADE

O City cumpre diferentes missões conforme o país. Na Turquia, só tem motor 1.4 – acima vem um Civic 1.6. Na China, o City tem versões 1.5 e 1.8. Briga com o Civic? É essa a intenção. Lá, a Honda tem dois representantes. Um vende Civic. O outro, para não ficar atrás, ganhou motor grande para o City e, dizem, ganhará uma versão alongada. 


ABRE-TE SÉSAMO

Você lê manual para usar o rádio? Vai precisar. O buraco do CD fica escondido pelo visor, que é escamoteável – e por mais resistente que seja, a articulação da tampinha sempre será um ponto frágil, sujeito a quebrar. A razão para essa excentricidade está fora do Brasil. Na Tailândia o rádio não tem mais CD. No lugar dele há um porta-trecos com entrada USB, para plugar o iPod – é para escondê-lo que fizeram a tal tampinha. Também foi em função do iPod que projetaram os comandos do rádio. Os quatro botões prateados servem para mudar de pasta e de música no MP3-player. Funciona muito bem. Mas se você gosta de escutar rádio... Más notícias. Sumiram com os tradicionais botõezinhos de memória. Você pode memorizar até 60 emissoras, mas fazer isso – ou passar de uma para outra – ficou muito mais difícil. E Bluetooth, que é bom, ele não tem. 



CIDADE BAIXA

Se o maior pecado do City é o preço, o modelo LX é o menos pecador. Não há plaquinha de identificação no porta-malas, mas é possível reconhecê-lo. As rodas são menores, aro 15, e não há piscas nos retrovisores. O LX perde o cromado na ponteira de escapamento e na maçaneta das portas, mas mantém o brilho na régua da placa traseira. E antes que você pergunte se a grade do LX vem na cor do carro, a resposta é não. Este carro é que vem na cor da grade. O LX tem luxos inesperados para uma versão básica. Banco traseiro reclinável com três apoios de cabeça e cintos de três pontos, apoio de braço na frente e atrás ou rádio com entrada para iPod, está tudo lá. Ele perde os comandos de rádio no volante, bem como o piloto automático. Os freios traseiros são a tambor, e isso não faz diferença. Pena é terem tirado o sistema ABS. Mas a maior diferença do LX fica dentro da cabine. O ar-condicionado manual não tem a elegância do modelo digital e o tecido dos bancos tem uma cor curiosa, algo entre roxo e azul-escuro. É um jeito de quebrar a monotonia, já que, sem detalhes prateados no painel das portas, a cabine fica escura.



DIREÇÃO, FREIO E SUSPENSÃO
A direção é levíssima na cidade e tem bom peso na estrada. É esperto, mas não é afiado como o Civic nem macio como o Corolla.
★★★★

MOTOR E CÂMBIO
É econômico e anda rápido como um motor maior, mas lhe falta serenidade.
★★★★

CARROCERIA
O estilo arrojado e original valoriza o carro, sem sacrificar o espaço do porta-malas.
★★★★

VIDA A BORDO
Para um irmão do Fit, é uma decepção. Não aproveita suas ótimas ideias e inventa outras ruins, como o rádio e a abertura interna do porta-malas. Ainda assim, é um passo à frente no mundo dos sedãs compactos.
★★★★

SEGURANÇA
Cintos de três pontos e apoios de cabeça para todos e airbag duplo, para todas as versões. A carroceria segue as avançadas técnicas de construção dos irmãos Civic e Fit.
★★★★

SEU BOLSO
No Brasil, a Honda é sinônimo de qualidade. Isso vale muito, mas não justifica o preço do City. O Fit é mais barato, versátil e caprichoso. E o Civic, não muito mais caro, é muito mais carro.
★★★





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