
A Fiat diz que o Punto Turbo é apenas um carro de demonstração feito para o Quatro Rodas Experience, mas, shhhh, ele será lançado para valer. E logo. A produção começa agora em julho (shhhh), ao ritmo de 100 unidades ao mês – menos que Golf GTI ou Civic Si. E o “shhhh” acaba por aqui. Esse Punto turbinado não suspira nas trocas de marcha. Não se finge de morto em giro baixo e não precisa ser dirigido como se você estivesse numa perseguição policial do World’s Most Amazing Videos. É um carro mais suave que o Punto Sporting 1.8, mesmo tendo 40 cv a mais. Anda bem não por ser nervoso, mas porque é moderno. E como anda bem...
[punto]
Arrancar em primeira marcha exige carinho no trato com os pedais de acelerador e embreagem. Não há controle de tração, e nem os largos pneus 205/50 R17 (emprestados do Stilo Abarth, assim como as rodas) são capazes de evitar que os pneus cantem em primeira, segunda e terceira marchas. O pneu canta, mas a direção não fica leve nem a frente empina, como ocorreria num Palio 1.8R. Se o Punto é um ponto fora da curva na família Fiat, com suspensão firme, o Punto Turbo é ainda melhor. Veja, nas fotos, como a carroceria pouco inclina na pista de Interlagos.
Pai dos quatro Punto Turbo do Quatro Rodas Experience – um pai severo, que não nos deixou levar nenhum para medições na pista de Limeira –, o engenheiro da Fiat Carlos Henrique Ferreira diz que a suspensão foi feita pensando no autódromo de Interlagos, mas, pelo relativo conforto e pela altura em relação ao chão, está pronta para se usar na rua. São as molas do Punto Sporting, 15% mais rígidas porque passam mais tempo no óleo quente que faz a têmpera do material. O abafador do escapamento mudou para se adaptar à nova vazão de gases, maior que a do motor 1.4 8V e menor que a do 1.8 8V.
Para o Punto brecar forte na curva do Bico de Pato sem dar fading na curva da Junção, o sistema de freios veio todo do Stilo 1.8, do cilindro-mestre aos discos nas quatro rodas. O visual do modelo que serviu de base (a versão Sporting) foi apimentado pelo kit aerodinâmico vendido nas concessionárias, mas o Punto Turbo de verdade terá pára-choques iguais aos da versão Abarth européia. Não terá o mesmo nome porque, com quatro portas, o modelo nacional não se enquadra na nova cartilha de valores da grife, mas a idéia é que sejam parentes bem próximos. (E o Stilo Abarth? Como ele chegou antes da regra, está liberado.) Por enquanto, o modelo europeu só emprestou o quadro de instrumentos e o conjunto motor e câmbio. Justo a melhor parte.
O cabeçote de 16 válvulas é uma evolução daquele usado nos extintos Palio e Doblò 1.3 16V. O bloco é o mesmo do nosso motor Fire 1.4, mas quase tudo que vai dentro dele muda. Afinal, a potência é 80% maior, mas os padrões de durabilidade precisam ser iguais. Por exemplo: os pistões de aço fundido dão lugar a outros forjados, mais leves, e passam a ser banhados por jatos de óleo. E tem o turbo.
A turbina é uma IHI RHF3-P10.5 – nome comprido para um mecanismo pequeno (do tamanho de uma bateria de moto), leve (menos de 2 kg) e simples. As sofisticações são o intercooler e a válvula de alívio de pressão. A turbina funciona a 0,8 bar, como no Golf GTI, com direito a overboost de 1,2 bar por intervalos de até 20 segundos. Com essa injeção de ânimo, o Punto Abarth anda colado em Civic Si e Golf GTI: vai de 0 a 100 km/h em 8,2 segundos, contra 7,9 e 8 dos rivais. Lembrando: o número italiano foi conseguido na Itália, com gasolina pura. Mas a Fiat daqui é otimista.
“O fato de ter turbo até ajuda o motor a se entender com a gasolina brasileira, que tem álcool”, afirma Ferreira. Comprimir o ar da admissão é, de certo modo, variar a taxa de compressão. Para se garantir, o engenheiro da Fiat testou o motor em dinamômetro por uma semana, antes do Quatro Rodas Experience. Diz que deu tudo certo, mas não conta os números de torque e potência que encontrou. Preocupação de quem já olha para aquele “exercício de engenharia” como um produto pronto para vender.
E que as vendas comecem logo. O Punto Turbo é um lobo mau, se você provocar, e um ursinho de pelúcia, no dia-a-dia. Para ter idéia de como o carro é elástico e suave, fiz uma volta em Interlagos toda em quinta marcha, e o carona nem notou. Em vez de turbo, parece que temos um motorzão trabalhando folgado debaixo do capô. Uma experiência que dá vontade de repetir nas ruas.
[traseira]
PUNTO 1.4T - R$ 60 000 (estimado)
A Fiat diz que fez só um show car para o QRX. Mas começa a fabricar o modelo definitivo em julho.
VEREDICTO
É carro para andar junto de Golf GTI e Civic Si, a preço mais convidativo. Que venha. E rápido.




