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Chamonix Spyder 550S
Maio 2008

Chamonix Spyder 550S

Montaria de caubói: Fiel à receita de um esportivo puro, a Chamonix lança uma série limitada do 550S

Por Adriano Griecco | Fotos: Marco de Bari
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ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Dirigir hoje é uma tarefa bem mais leve do que já foi tempos atrás. Ainda que os carros não tenham mudado tanto em sua essência, foi na periferia - dos carros, diga-se - que a tecnologia floresceu e não pára de dar frutos. Direção sem assistência, freios sem servo, vidro levantado no muque... Isso ficou para trás, para alívio da maioria. No entanto, uma ruidosa minoria não comunga com essa boa vida. São puristas que acreditam que o prazer de guiar deve ser fruído em sua plenitude, sem qualquer interferência. Esse estilo caubói tem em carros como o Dodge Viper seu ideal de montaria. Por aqui, nossos representantes são Lobini H1 e Chamonix Spyder 550S. Eles são mais acessíveis ao bolso, mas nem por isso economizam em diversão.

O modelo que você vê nas fotos é uma série limitada da Chamonix para o 550S. De diferente em relação às outras versões, esta tem as molduras dos faróis, os espelhos retrovisores e os aros das lanternas traseiras da cor da carroceria, um laranja que lembra a tonalidade utilizada nos Lamborghini. O santantônio, os logotipos e as rodas de liga leve são pintados de grafite e também exclusivas dessa versão.

Mecanicamente, a série especial não traz novidades em relação ao 550S. Ela utiliza o motor AP- 1800, bicombustível - o mesmo que equipa o Gol. São 103 cv com gasolina e 106 com álcool. Se a potência não impressiona, o baixo peso (de apenas 640 kg) o faz. A relação peso/potência é de 6,0 kg/cv. O Lobini H1, com seus 180 cv, tem 5,7 kg/cv. Já no BMW M3, essa relação é de 3,8 kg/cv.

Ao se abrir a carenagem traseira, a visão das barras de torção e estabilizadora cromadas enche os olhos, assim como os braços da suspensão. O 550S dispensa a tradicional condescendência com que se costumava julgar antigos fora-de-série. O acabamento mecânico é bem cuidado e não há fios soltos. Outro ponto alto é a fibra da carroceria. Não se percebe qualquer ondulação e a diferença nos vãos das portas laterais e dos capôs é uniforme, imprimindo qualidade.

Para entrar no carro, o motorista pode fazê-lo de duas formas: abrindo a porta ou saltando para dentro do carro. Mas o interior é apertado. Nele, cabem dois adultos e há espaço para as traquitanas apenas na caixa das portas. Não conte com console central ou porta- luvas. Os bancos são no estilo concha, mas pequenos. E, nessa edição limitada, as costuras do revestimento dos mesmos são laranja, assim como a do volante. Na frente do motorista existem três grandes mostradores. O da esquerda traz o nível de combustível e a temperatura do motor, assim como as luzesespia de óleo, bateria e farol alto. O central, como em todo Porsche que se preze (o Chamonix é uma réplica do 550), é o conta-giros. O da direita é o velocímetro, que marca até 200 km/h e peca pela imprecisão. Ao marcar 100 km/h, o Chamonix estava apenas a 88,5 km/h - pelo menos é uma boa margem de segurança.

No braço
Para ligar o 550S você pode escolher entre girar a chave até o fim ou apenas ligar o contato e apertar um botão dourado no painel, fazendo com que um ronco grave saia do escape. A embreagem é leve e o câmbio tem engates fáceis. Não há segredos para se arrancar com o Chamonix. A receita de leveza e boa potência agrada e, mesmo com o motor cheio, a concentração de peso na parte traseira do carro ajuda no sentido de não deixar as rodas patinarem.

Na pista de testes o Chamonix precisou de 8,5 segundos para chegar aos 100 km/h. Não é um número ruim, mas passa longe dos 6,5 conseguidos pelo Lobini. Além de o rival ter motor turbo com 180 cv, vale lembrar que o Chamonix tinha pouco mais de 500 quilômetros registrados no hodômetro, ainda estava amarrado. Nas provas de retomada, também pudemos anotar a boa disposição do pequeno esportivo. Passando dos 100 km/h, resolvi analisar um pouco mais o fôlego do 550S. Depois de 1 300 metros de reta, ele estava a 175 km/h de velocidade real (o velocímetro beirava os 190 km/h) e ainda em quarta marcha. A fábrica estima em 230 km/h a velocidade máxima do carro. A extensão da pista de Limeira não permitiu aferir esse número.

Nas curvas, como manda a tradição, o Chamonix pede alguma perícia. Afinal de contas, tem tração traseira e nenhuma ajuda eletrônica. A direção, que também não tem assistência hidráulica, é pesada e requer braço para manuseá-la. Mas ele é menos arisco que um Lobini e a frente obedece de primeira aos movimentos no volante. Complicado mesmo é fazer as curvas no limite. Por ter a direção pesada, o contraesterço (o Chamonix tem boa estabilidade, mas tende a sair de traseira) torna-se difícil. E requer algum preparo físico, se a brincadeira durar algumas horas.

A edição limitada chega ao preço de 70 000 reais. Um Lobini H1 sai por 170 000 reais, valor bem menos acessível. Em relação à versão "normal" do 550S, ela é 4 000 reais mais cara. A diferença se justifica pela exclusividade. Apenas cinco iguais e esta serão fabricadas. E, reza a lenda, três já estão vendidas.


550S - R$ 70 000
A série especial só existe em laranja e é limitada a 5 carros. Mecanicamente, é igual aos outros Spyder 550S.

DIREÇÃO, FREIO E SUSPENSÃO
A direção é precisa, a estabilidade é boa, mas as marcas de frenagem - o 550 não tem servofreio - foram ruins.
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MOTOR E CÂMBIO
Utiliza o conjunto do Gol 1.8. Por ser leve, obteve bons números de retomada e aceleração.
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CARROCERIA
Bem construída. A fibra é de qualidade e o acabamento é bom, sem diferenças nos vãos das portas e capôs.
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VIDA A BORDO
Está de acordo com a proposta do carro, mas o banco poderia oferecer mais apoio lateral nas curvas.
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SEGURANÇA
Ele tem o mínimo necessário. Não conte com a ajuda eletrônica.
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SEU BOLSO
A assistência técnica é feita pela fábrica. O seguro fica na casa de 3 000 reais.
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DIMENSÕES

VISIBILIDADE

O RIVAL


- Lobini H1
É mais potente (tem 180 cv) e bem mais caro. Os dois dividem a mesma - e boa - filosofia: tração traseira, motor central e distância da eletrônica.

VEREDICTO

É um brinquedo divertido para quem já tem um ou mais carros. Cumpre a promessa de entregar prazer ao dirigir. A mêcânica provou ser robusta quando exigida e a carroceria agradou no quesito acabamento. O preço não é dos mais acessíveis, mas a diversão é garantida.





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