
O modelo que você vê nas fotos é uma série limitada da Chamonix para o 550S. De diferente em relação às outras versões, esta tem as molduras dos faróis, os espelhos retrovisores e os aros das lanternas traseiras da cor da carroceria, um laranja que lembra a tonalidade utilizada nos Lamborghini. O santantônio, os logotipos e as rodas de liga leve são pintados de grafite e também exclusivas dessa versão.
Mecanicamente, a série especial não traz novidades em relação ao 550S. Ela utiliza o motor AP- 1800, bicombustível - o mesmo que equipa o Gol. São 103 cv com gasolina e 106 com álcool. Se a potência não impressiona, o baixo peso (de apenas 640 kg) o faz. A relação peso/potência é de 6,0 kg/cv. O Lobini H1, com seus 180 cv, tem 5,7 kg/cv. Já no BMW M3, essa relação é de 3,8 kg/cv.
Ao se abrir a carenagem traseira, a visão das barras de torção e estabilizadora cromadas enche os olhos, assim como os braços da suspensão. O 550S dispensa a tradicional condescendência com que se costumava julgar antigos fora-de-série. O acabamento mecânico é bem cuidado e não há fios soltos. Outro ponto alto é a fibra da carroceria. Não se percebe qualquer ondulação e a diferença nos vãos das portas laterais e dos capôs é uniforme, imprimindo qualidade.
Para entrar no carro, o motorista pode fazê-lo de duas formas: abrindo a porta ou saltando para dentro do carro. Mas o interior é apertado. Nele, cabem dois adultos e há espaço para as traquitanas apenas na caixa das portas. Não conte com console central ou porta- luvas. Os bancos são no estilo concha, mas pequenos. E, nessa edição limitada, as costuras do revestimento dos mesmos são laranja, assim como a do volante. Na frente do motorista existem três grandes mostradores. O da esquerda traz o nível de combustível e a temperatura do motor, assim como as luzesespia de óleo, bateria e farol alto. O central, como em todo Porsche que se preze (o Chamonix é uma réplica do 550), é o conta-giros. O da direita é o velocímetro, que marca até 200 km/h e peca pela imprecisão. Ao marcar 100 km/h, o Chamonix estava apenas a 88,5 km/h - pelo menos é uma boa margem de segurança.
No braço
Para ligar o 550S você pode escolher entre girar a chave até o fim ou apenas ligar o contato e apertar um botão dourado no painel, fazendo com que um ronco grave saia do escape. A embreagem é leve e o câmbio tem engates fáceis. Não há segredos para se arrancar com o Chamonix. A receita de leveza e boa potência agrada e, mesmo com o motor cheio, a concentração de peso na parte traseira do carro ajuda no sentido de não deixar as rodas patinarem.
Na pista de testes o Chamonix precisou de 8,5 segundos para chegar aos 100 km/h. Não é um número ruim, mas passa longe dos 6,5 conseguidos pelo Lobini. Além de o rival ter motor turbo com 180 cv, vale lembrar que o Chamonix tinha pouco mais de 500 quilômetros registrados no hodômetro, ainda estava amarrado. Nas provas de retomada, também pudemos anotar a boa disposição do pequeno esportivo. Passando dos 100 km/h, resolvi analisar um pouco mais o fôlego do 550S. Depois de 1 300 metros de reta, ele estava a 175 km/h de velocidade real (o velocímetro beirava os 190 km/h) e ainda em quarta marcha. A fábrica estima em 230 km/h a velocidade máxima do carro. A extensão da pista de Limeira não permitiu aferir esse número.
Nas curvas, como manda a tradição, o Chamonix pede alguma perícia. Afinal de contas, tem tração traseira e nenhuma ajuda eletrônica. A direção, que também não tem assistência hidráulica, é pesada e requer braço para manuseá-la. Mas ele é menos arisco que um Lobini e a frente obedece de primeira aos movimentos no volante. Complicado mesmo é fazer as curvas no limite. Por ter a direção pesada, o contraesterço (o Chamonix tem boa estabilidade, mas tende a sair de traseira) torna-se difícil. E requer algum preparo físico, se a brincadeira durar algumas horas.
A edição limitada chega ao preço de 70 000 reais. Um Lobini H1 sai por 170 000 reais, valor bem menos acessível. Em relação à versão "normal" do 550S, ela é 4 000 reais mais cara. A diferença se justifica pela exclusividade. Apenas cinco iguais e esta serão fabricadas. E, reza a lenda, três já estão vendidas.
550S - R$ 70 000
A série especial só existe em laranja e é limitada a 5 carros. Mecanicamente, é igual aos outros Spyder 550S.
DIREÇÃO, FREIO E SUSPENSÃO
A direção é precisa, a estabilidade é boa, mas as marcas de frenagem - o 550 não tem servofreio - foram ruins.
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MOTOR E CÂMBIO
Utiliza o conjunto do Gol 1.8. Por ser leve, obteve bons números de retomada e aceleração.
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CARROCERIA
Bem construída. A fibra é de qualidade e o acabamento é bom, sem diferenças nos vãos das portas e capôs.
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VIDA A BORDO
Está de acordo com a proposta do carro, mas o banco poderia oferecer mais apoio lateral nas curvas.
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SEGURANÇA
Ele tem o mínimo necessário. Não conte com a ajuda eletrônica.
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SEU BOLSO
A assistência técnica é feita pela fábrica. O seguro fica na casa de 3 000 reais.
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DIMENSÕES


VISIBILIDADE

O RIVAL

- Lobini H1
É mais potente (tem 180 cv) e bem mais caro. Os dois dividem a mesma - e boa - filosofia: tração traseira, motor central e distância da eletrônica.
VEREDICTO
É um brinquedo divertido para quem já tem um ou mais carros. Cumpre a promessa de entregar prazer ao dirigir. A mêcânica provou ser robusta quando exigida e a carroceria agradou no quesito acabamento. O preço não é dos mais acessíveis, mas a diversão é garantida.





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